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Criando demanda

O ano era 1995 e o skate vivia mais um daqueles ciclos de baixa que caracterizaram sua recente história no Brasil e no mundo. Por aqui, as poucas empresas que restaram, lentamente se recuperavam após o coma profundo causado pelo Plano Collor. Lá fora o cenário era um pouco mais próspero, especialmente nos EUA. A fase de retrocesso do skate norte-americano, que culminou com o fechamento da maioria das pistas de cimento, parecia ter chegado ao fim. A falta de pistas, a de reconhecimento e a de grana, no entanto, não foram suficientes para que alguns skatistas e empresários desistissem. Amantes do esporte e fiéis aos ideais, eles optaram por encarar as dificuldades.

Foi nessa batida que Bob Burnquist, com pouco orçamento e muita confiança, se mandou para o Canadá para competir no Slam City Jam, evento que reúne a nata do skate mundial. Um bom resultado era chave para o sucesso, e Bob não desperdiçou oportunidade: venceu a prova, introduziu a técnica do switchstance e ganhou projeção mundial. Com a grana do prêmio cumpriu o combinado, devolvendo parte do investimento do amigo-parceiro-patrocinador Jorge Kuge, que a duras penas bancou a viagem do rapaz.

A história do Bob, de lá em diante, é domínio público. O que poucos sabem é que Jorge investia em Bob e em mais de uma legião de skatistas de ponta que ajudaram a revolucionar o esporte no Brasil, principalmente na década de 80, quando os campeonatos brasileiros em Guaratinguetá entraram para a história.

Nessa época a Urgh!, marca criada por Jorge, já dominava o cenário nacional com uma forte equipe e bons produtos. Das bermudas de nylon, que contaram com a ajuda de sua mãe na confecção, à produção de equipamentos de segurança e shapes foi um passo rápido.

Apresentações pelo interior também fizeram parte da “estratégia”. A equipe lotava uma Kombi e saía descobrindo lugares, que rapidamente atraíam curiosos e novos praticantes, revelando-se uma grande forma de criar demanda. Eventos, lojas e pistas pipocavam pelo país e tudo corria muito bem até o mercado sofrer com a crise financeira que marcou o fim da década de 80. Grande parte da indústria, mídia e varejo baixaram as portas. Jorge não desistiu, deu um tempo na atividade industrial e pôs foco no varejo montando pequenas lojas de skate no Vale do Paraíba, uma das regiões mais tradicionais no cenário nacional. Foi nesse momento que Bob pediu uma força para viabilizar sua ida para o Canadá.

Jorge conseguiu arrumar algum dinheiro e recheou a mala de seu pupilo com produtos para serem vendidos por lá, dando uma força no parco orçamento da viagem. Bob voltou consagrado e se transformou no embaixador do skate brasileiro. O skate se firmou e se tornou um dos principais ícones da cultura jovem no mundo. A indústria brasileira evolui quase no mesmo ritmo dos seus atletas, e a Urgh! talvez seja a única marca que conseguiu atravessar com êxito os ciclos de baixa para chegar nos anos 2000 completando 25 anos de bons serviços prestados ao esporte. 

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NOTAS

MUNDIAL DE SURFE – WQS
Após 10 anos, Ubatuba, SP, volta a receber uma prova do Mundial. O Onbongo Pro Surfing é a última etapa antes de o circo da ASP desembarcar no Havaí, e é decisiva para os brasileiros. Cinco deles estão na faixa de 8000 pontos, o corte deve ficar em torno do 9000. Até domingo 192 competidores de 14 países estarão na disputa por 2500 em Itamambuca.

MUNDIAL DE SURFE – WCT
E na segunda-feira, em Imbituba, SC, começa o Nova Schin Festival, penúltima etapa da primeira divisão. Kelly Slater é presença confirmada e na segunda dará entrevista coletiva às 10h. Adriano de Souza, em 18º, é o melhor brasileiro na temporada.

BIKE NO TETO DO MUNDO
Depois de pedalar 834 km em 60 horas, o brasileiro Santo Feltrin passou mal e teve que desistir do objetivo, o campo-base do monte Everest, a apenas 35 km.

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