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Consumação Mínima

Mês passado, o jornal ?The L. A. Times?, deu matéria grande sobre o mountain boarding, um esporte relativamente novo que, a grosso modo, é um skateboarding praticado em terrenos acidentados. Para executar, pranchas mais largas e mais flexíveis do que as de skate, rodas de borracha infladas por pressão do ar e sistema amortecedor. As manobras geralmente são executadas em pistas de esqui durante o verão.


Da mesma forma que o mountain bike começou como um ?twist? do ciclismo, o snow do esqui, o kitesurfe do wind e do surfe, o mountain board veio do skate para ganhar vida própria. Era o que o artigo dizia: qualquer atividade que é parte skate, parte snow tem tudo para arrebentar (sem o trocadilho). Mas havia também um tom mais pessimista e delator na matéria. E ele dava conta de que o esporte, embora excitante, não alcançava popularidade. Dizia o artigo que a comunidade americana de 65 mil aficionados sofria para se fazer notar, para ter espaço em mídia e até para entrar na lista de atividades regulares dos X-Games. É que, embora há dois anos os praticantes de mountain board sejam convidados para fazer demonstrações nos jogos da ESPN, não são chamados para integrar as atividades oficiais. Analistas foram convidados a opinar e chegaram à conclusão de que a falta de uma identidade para esporte e praticante limitava o campo de ação. Michael Jaquet, editor de uma revista de skate, revelou que a comunidade de skatistas tende a reprovar qualquer variante do esporte. ?Skate é um estilo de vida. É uma forma de agir, de pensar, de se vestir ? é o que você é?, garantiu. Certo, a falta de uma imagem tribal acaba mesmo por frear o mercado investidor, já que o interessado vai desembolsar de 100 a 500 dólares por uma prancha que dura vários anos e, portanto, pode perfeitamente não gastar mais nada. É necessário, mais do que nunca, fazer com que o praticante consuma para que o mercado gire e cresça: tênis, camisetas, bonés, cotoveleiras, capacetes… vale qualquer coisa.


Pesa ainda o fato de você precisar de um carro para chegar à montanha mais próxima, o que inviabiliza o esporte para quem não tem automóvel, e o aspecto ?suicida? que ganhou recentemente, com a divulgação de dois anúncios de TV nos EUA. O primeiro, de um conhecido analgésico, mostra o praticante se arrebentando e na sequência aliviando suas dores com o medicamento. O outro, de uma marca de carro, exibe o atleta de mountain board no alto de uma montanha olhando o precipício. Ao iniciar a descida, ele rola montanha abaixo. Na cena seguinte, dentro do veículo ?off road? anunciado, o sujeito desce a mesma pista dirigindo calmamente, são e salvo.


Por essas e por outras o crescimento do mountain board não vai acontecer como sonham seus praticantes. Mas isso não deve ser necessariamente ruim. É de se esperar que um esporte que derive de outro dificilmente consiga a popularidade de seu genitor. Mas quem falou que precisa ser popular? Para ser boa basta que a atividade consiga nos fazer sentir outros tipos de emoções, que valha ser experimentada em um final de semana qualquer, que venha para não crescer e, mesmo assim, ficar. 


NOTAS 



POR FALAR EM X-GAMES
De 6 a 9 de maio acontece a terceira edição do X-Games latino-americano, no Rio de Janeiro (RJ), que vale também para o circuito mundial WCS (World Cup of Skateboarding). O evento é para convidados, e a seleta lista inclui Bob Bunrquist e Sandro ?Mineirinho? Dias.


PÁRA-QUEDISMO
Boituva, SP, recebe neste final de semana os melhores do país na estréia do Circuito Nacional 4way. Os times de quatro atletas têm cinco saltos de 35 segundos para a seqüência de formações e pontuar. 


SUPERSURFE
Semana que vem em Maresias, SP, a elite nacional se reúne para a segunda etapa da 18ª edição do Circuito Brasileiro Profissional.

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