Dois quilos de comida valeram três horas de penalização. Ao se livrar do peso, transportado pela organização da ELF Authentic Adventure junto com outros equipamentos permitidos, a equipe Pharmanex – Spie infringiu uma das inúmeras e rigorosas regras da corrida de aventura.
Apesar de punida no tempo, a equipe completou a segunda edição da ELF, em 12 dias, com larga folga em relação à segunda colocada (a francesa FujiFilm), que até o fechamento não havia concluído o percurso de 875 quilômetros.
A prova, com duração de duas semanas, é a mais longa já realizada na modalidade, e a mais importante feita no Brasil. A largada foi dada no último dia 15 próximo a Fortaleza, Ceará, e, depois de cruzar o Piauí, as equipes começam a chegar em São José do Ribamar, a 30 quilômetros de São Luiz, Maranhão.
Cada equipe é formada por sete pessoas, sendo quatro competindo e três no apoio. Deve haver ao menos duas mulheres, e, entre elas, uma tem de competir. Uma das equipes, a brasileira Atenah – Pão de Açúcar, é a única formada exclusivamente por mulheres, e vem bem na prova. Entre as 30 equipes que iniciaram a ELF, apenas 10 continuavam competindo ontem, e a equipe Atenah ocupava a nona colocação.
A competição foi dividida em três classificações. À medida que as equipes foram passando pelos postos de controle, de acordo com seus tempos, elas foram sendo definidas. Extreme para as especialistas, Adventure para as intermediárias e Discovery para aquelas – a maioria – que ao longo da prova perceberam que concluir o percurso já seria um tremendo feito.
Com um início chuvoso, a prova foi mais seletiva do que o esperado. No começo desta semana, com dez dias de provas, os médicos atenderam 90 participantes com problemas nos pés. Todos tiveram de abandonar a competição.
Das 10 equipes que ontem seguiam na prova, quatro disputavam na Extreme; uma, a brasileira Reebok Endurance , era a única na Adventure, e cinco disputavam na Discovery. Outras equipes, com baixas de um ou mais integrantes, continuavam completando o roteiro, fora da lista de classificação.
Para cobrir o infindável percurso, os atletas caminharam (foi permitido o uso de GPS além de mapas fornecidos pela organização – a orientação é estratégica e fundamental), cavalgaram, pedalaram, escalaram (técnica vertical), remaram em caiaques duplos, nadaram e, por fim, velejaram.
Outra característica da prova é a busca da integração dos participantes com a região. A última e decisiva etapa da prova foi feita em jangadas, com assistência dos pescadores locais. Todas as equipes têm de realizar uma atividade social com os moradores. A vencedora, Pharmanex – Spie, por exemplo, fez uma avaliação oftalmológica dos moradores.
Pode parecer demagógico, mas quem presenciou algumas dessas ações constatou o total interesse dos atendidos e a atenção dos atendentes. Realizados em lugares absolutamente remotos e humildes, esquecidos pelos órgãos públicos, onde qualquer ajuda é bem-vinda, as ações mereceram retribuição em forma de um prato de comida e uma sombra para os competidores se recuperarem.
Notas
Rip Curl Pro 2000
O brasileiro Teco Padaratz foi o vice-campeão da segunda etapa do WCT e passou a ocupar o terceiro lugar no ranking mundial. A final foi disputada contra o havaiano Sunny Garcia, que já havia vencido a primeira etapa e é o lider disparado do Tour. O campeonato terminou ontem e teve de ser transferido para a praia de Gibson Steps, há duas horas de Bell’s Beach, Austrália, que oferecia melhores condições. Quatro brasileiros estão entre os 16 melhores surfistas do mundo.
Liberou
O governo da Indonésia liberou a escalada no Monte Cartensz, a montanha mais alta da Oceania (4.884 m). Interditada desde 95 por causa de guerrilhas e conflitos civis, a liberação é uma boa notícia para quem planeja uma viagem ao país, que também é um dos melhores locais para a prática de surfe.