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Com vocês, o inferno da primeira vez

De quando as coisas não funcionam como o planejado

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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   O pessoal da produção me pediu: não chegue antes das 10 h. Não consegui: acabei chegando às 9 h, depois de uma noite de sono a base de estimulantes. Devido a pouca prática, não havia ainda percebido o caos que se passava (e ninguém tinha coragem de me contar). A locação era o Urbano, onde funciona uma boate, o salão de beleza do Mauro Freire e algumas lojas.
   O primeiro problema foi fácil. Os maquinistas ficaram ?um pouco bravos? por causa do café da manhã à base de bolachas. Mais uma lição aprendida e, depois de uma ida da produção à padaria, tínhamos um banquete. 
   Problema dois: tínhamos invadido área não autorizada. Corremos para limpar tudo antes do Mauro Freire chegar. Já eram 11 horas e o atraso já era de 1 h.
   Tínhamos trazido toneladas de equipamento: gruas, luzes de boate, dollys, quando o Lúcio, nosso diretor de fotografia, disse: não tem como começar ? a montar o equipamento ? antes de chegar o caminhão do Jamelão.
   Cadê o caminhão? Descobrimos que não tinha nem ainda chegado no tal do Jamelão. Fiquei puto: gritei, xinguei e me arrependi por fazer aquilo que sempre detestei nos diretores (outra lição: não julgar, para não ser julgado). Pedi desculpas a um dos produtores e entendi que não era o único ali com medo e que tinha topado algo além da própria experiência.
   Arrumamos outro caminhão e fomos almoçar. Na volta, lá estavam eles, os figurantes. Deveriam ser 70, tinham 20. Me arrependi na hora de chamar amigos para fazer figuração: agora o vexame tinha platéia.
   Já eram quatro da tarde e ainda não tínhamos começado. Cada vez que olhava para o Lúcio Kodato e o Celso Araújo, dois feras da equipe de fotografia, ficava vermelho de vergonha.
   Era hora de pedir socorro. Chamei a tropa de elite: Lula, antiga sócia fundadora da Conspiração Filmes, atualmente sócia da Sentimental Filmes, que foi apresenta a mim num almoço por uma amiga veio acompanhada de outra excelente produtora, a Silmara. Ambas olharam para mim e disseram: você está louco, está querendo fazer um filme profissional com uma equipe de estagiários. Eu pedi uma bronca. Elas recusaram: isso você já deve estar fazendo sozinho.
   Tínhamos que sair da locação às seis da tarde. Negociamos para ficar até às 21 h. Meu plano de filmagem foi para o saco, a grua e outros equipamentos nunca foram utilizados. Tinha 20 planos para filmar. Filmei seis. Estava, enfim, batizado.

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