A primeira semana de exibição do ‘Surf Adventure – O Filme’ coincidiu com uma ondulação generosa em tamanho e duração e o reflexo foi percebido na ocupação das 76 salas nas quais vem sendo exibido. Apesar disso, e com a diminuição das ondas de verdade, a semana inaugural fechou com um público superior a 100 mil, um bom começo.
O cinema busca na realidade fonte de inspiração e cada vez mais a mão contrária parece estar funcionando, seja para conceber a mais singela conquista romântica, seja para arquitetar a morte de milhares de inocentes.
Há cinco anos, cinema e realidade se cruzaram tragicamente. Para as cenas finais da produção hollywoodiana ‘In God’s Hands’ seria preciso um dublê para Matt George, um dos protagonistas do filme. O outro, Shane Dorian, dispensou o recurso e surfou -de tow-in- ondas gigantes em Jaws.
O filme explorou a polêmica do surfe a reboque versus sua forma original, na remada. Matt fez o surfista mais velho, purista, querendo provar que poderia surfar as mesmas ondas sem um jet-ski.
Com dez anos de experiência no Havaí, o surfista da Flórida Todd Chesser foi contratado para fazer o papel. Radicalmente contra o tow-in, era o dublê perfeito. Teria que remar para as maiores, cair no ponto mais crítico e simular afogamento. Por uma boa grana.
Na última hora, Chesser desistiu, trocou Maui por Oahu e o dinheiro pelo prazer. O anúncio de uma ondulação crescendo rapidamente o colocou em alerta. Nas primeiras horas do dia 13 de fevereiro de 1997, ele, Aaron Lambert e Cody Graham optaram pelo pouco convencional Alligators, uma onda que quebra muito longe da praia, próxima a Waimea.
Depois de uma hora reconhecendo o mar, surfando poucas ondas com cerca de 15 pés, conforme a previsão meteorológica, o mar cresceu. Uma série assustadora pôs os três a remar na direção do horizonte, escondido atrás das ondulações. Apesar do esforço, foram pegos pela última da série.
Na tentativa de mergulhar mais fundo, Todd subiu em sua prancha antes de afundar. Foi a última vez que ele foi visto.
Ironicamente, o jet-ski, que sempre recusou, poderia ter salvo sua vida. Prejudicados pelas condições físicas e do mar e tentando técnicas de primeiros socorros, seus colegas levaram 45 minutos para chegar próximos à areia.
Nessa mesma manhã, na ilha vizinha de Maui, Buzzy Kerbox, contratado de última hora, substituiu Todd na gravação. Depois de fazer suas exigências e negociar um extra por caldo ‘simulado’, o set estava armado. Para o bem e para o mal, Brian Keaulana foi o coordenador do dublê. Excelente salva-vidas, ele é um big-rider competente, elevando o nível de exigência das cenas.
Depois de muita escolha, uma onda de 40 pés perfeita para o roteiro alcançou a bancada de Jaws.
Buzzy remou atrasado para a besta e foi arremessado de cabeça para a parede da onda até ser engolido. Ainda tremendo do caldo, enquanto era resgatado por Keaulana no jet-ski, ouviu pelo rádio o diretor dizendo que havia ficado bom, mas que precisavam de mais oito. Para a sorte de Kerbox, uma longa calmaria fez o diretor partir para outra cena.
As imagens compõem as últimas cenas e tentam passar a emoção do big surfe. Até vai bem, mas nada comparável à realidade.
Quiksilver airshow
Disputado em ondas de um metro em Manly Beach, Austrália, a prova de aéreos sancionada pela ASP foi vencida pelo havaiano Randy ”Goose’ Welch. O apelido, Ganso, deve ter contribuído, e ele embolsou US$ 20 mil.
Eco challenge
Depois de Bornéu, em 2000, e Nova Zelândia, em 2001, a nona edição da corrida de aventura continuará na Oceania. A prova deste ano será disputada em Fiji, em outubro, e a novidade é que as 75 equipes terão que fabricar seus barcos se quiserem navegar.
Sambação
Desfilando na madrugada de ontem em São Paulo, a Unidos da Santa Sárbara veio com o enredo ”Adrenalina e Esportes Radicais’. O carro abre-alas foi um half-pipe, no qual skatistas evoluíam em meio a mulatas.