Esqueça as criações de Stella MacCartney ou Vivianne Westwood. A mais recente tendência de moda em Londres não poderia ser mais ‘cool’.
São os chamados ‘gatos mortos’, réplicas perfeccionistas de felinos em posição de repouso, meio enrolados em torno de si mesmos, como de fato costumam ficar os bichanos depois de uma refeição farta. Forrados de pele de coelho verdadeira, os gatos mortos têm o olhar entre preguiçoso e moribundo, e o toque ainda mais agradável ao tato que os verdadeiros.
Em princípio vendidos para fazer companhia a senhoras e adolescentes solitários, os gatos despertaram o interesse de outros tipos de clientes.
Desde pessoas interessadas em animaizinhos mais dóceis, quietos e limpos do que os verdadeiros, até hooligans sádicos interessados em sair às ruas chutando um gato sem criar problemas com Brigitte Bardot ou qualquer tipo de associação protetora de quadrúpedes indefesos.
Mais de 30 mil gatos mortos já foram vendidos na Inglaterra, a 40 dólares cada.
Os fabricantes tinham planos para vender e entregar mais 100 mil até o Natal. Nada parecia se interpor nesse caminho. A não ser um pequeno detalhe:
a Inglaterra.
Revolta popular
Mesmo sabendo que os bonecos são fabricados na China, numa região em que os coelhos são criados aos milhares para alimentação e as peles não eram aproveitadas (ao menos até a descoberta do maravilhoso filão dos gatos mortos), os bichanos de papelão conseguiram se transformar em polêmica digna de matéria de meia página no The Sunday Times, de Londres.
Ocorre que as famílias inglesas horrorizaram-se com suas netinhas sentadas sobre gatos, seus filhos mais velhos lavando carros com gatos encharcados em detergentes, e até alguns felinos usados como frisbees ou substitutos para bolas de futebol.
Foi o bastante para motivar os primeiros levantes populares. Uma das primeiras autoridades ouvidas foi a senhora Sue Parslow, editora da importante revista Your Cat.
Ela considerou muito preocupante o fato de milhares de ingleses serem seduzidos por réplicas inanimadas de criaturinhas tão adoravéis. A partir daí, o povo saiu às ruas.
Na cidade de Brighton, os militantes invadiram a loja Gadjet Shop aos gritos e conseguiram convencer a gerência a eliminar os felinos de papel e pele de coelho de seus estoques. Quem precisa do MST?
Sociólogos e antropólogos costumam dizer que o índice de desenvolvimento de um país pode ser medido pelos destaques de seus jornais no domingo. Segundo eles, quanto menos notícias de política e economia, mais avançada será a sociedade. A julgar pela página dedicada aos ‘gatos mortos’ por um de seus principais periódicos, a Inglaterra pode ter levado essa tese longe demais.