Quantos esportes no país desfrutam o privilégio de contar com os campeões mundiais das principais modalidades? Entre os mais populares, além do vôlei, que roubou a cena nos últimos meses, só me ocorre o skate.
Bob Burnquist, o melhor do mundo no vertical, é ídolo no Japão, nos Estados Unidos, na Europa e, claro, aqui em sua terra natal. Vivendo nos EUA, ele virou grife, alcançou a independência financeira, fez família e representa com extrema dignidade e competência o Brasil.
Carlos de Andrade, o Piolho, o melhor no street, se aproxima mais da imagem que o país tem no exterior. Humilde, discreto e simpático, ele se transforma quando encara rampas, corrimãos, transições e obstáculos. Baixinho, vira gigante.
Ambos, além de Sandro Dias, Lincoln Ueda, Rodrigo TX, Chris Mateus, Rodil de Araújo, Wolnei dos Santos, entre tantos outros, têm promovido a crescente, em volume e qualidade, participação brasileira nas competições internacionais. E o melhor reflexo disso acaba aqui, dentro de nossas fronteiras.
O ano 2001 deverá ser o mais próspero em competições da história do skate nacional puxado pelas provas realizadas pela Red Bull, que chaparam o Parque do Museu do Ipiranga, em São Paulo, em junho, e o Cristo Redentor, no Rio, em agosto, e por outras duas provas agora no final do ano, que justificam essa expectativa.
No último fim de semana foi realizado o 1º Campeonato Sul-Americano de Skate. A prova, que já deveria ter acontecido no ano passado como seletiva para a etapa nacional do Mundial WCS, inaugurou a Skate House Brasil, a maior área coberta para a prática do esporte da América Latina.
Com 61 inscritos, a competição na modalidade street funcionou como seletiva para o Mundial e como teste definitivo da pista.
A prova garantiu vaga ao campeão, Daniel Vieira, e a outros 39 competidores, e o reconhecimento e a aprovação unânime da pista desenhada por George Rotatori. No vertical, com menos competidores, houve apenas uma disputa pela melhor manobra, vencida por Marcelo Kosake, e um show de arrojo no half-pipe de quatro metros de altura por 15 de comprimento.
Nos próximos dias 10 e 11, o ginásio poliesportivo de São Bernardo do Campo abrigará a última e decisiva etapa do Mundial. Realizada há quatro anos no Brasil, desde 99 a prova passou a contar pontos para o ranking e este ano definirá o campeão da street, uma vez que na vertical o dinamarquês Rune Glifberg já assegurou o título.
O ano que termina será o que mais prêmios distribuiu na história do skate brasileiro. O próximo, que se avizinha, já tem confirmadas as eliminatórias latino-americanas dos X-Games em março no Rio, com a inédita transmissão ao vivo dos Jogos pela ESPN e a ainda mais inédita parceria com a Rede Globo para cobertura do evento. Realizados desde 95 nos EUA, os X-Games são as olimpíadas dos esportes de ação e o skate está entre as principais modalidades em disputa.
Acostumado a altos e baixos desde que surgiu na década de 50, o skate atravessa seu momento mais promissor no Brasil. Ídolos não faltam, organização evolui, eventos de porte, crescente número de praticantes, pistas de qualidade e atenção da mídia. Desta vez vai.
NOTAS
ECO-CHALLENGE
A equipe Pure New Zeland liderou até a última etapa, mas foi superada pela americana Salomon Eco-Internet, por apenas 17 minutos, em mais de cinco dias de prova. A brasileira AXN Atenah completou a prova em sete dias, ficando em 38ª entre as 75 participantes.
O RETORNO
Após três anos ausente do circuito, o hexacampeão mundial de surfe Kelly Slater, 29, confirmou sua volta na temporada 2002.
SKATE
A etapa decisiva do Circuito Brasileiro Vertical acontece este fim de semana no Rio. Kosake está com o título na mão. A última, que definirá a street, será em Curitiba dias 1 e 2 de dezembro. Ferrugem é o favorito.
SEM BEBÊ
A mulher de Sheena, morto há 10 dias durante uma sessão de kite no Havaí, não está grávida como foi anunciado.