Já pensou como seria dividir por várias semanas um espaço de cerca de 16 m² com outros nove caras, sem tomar banho, tirando sonecas de no máximo duas horas e agüentando temperaturas que vão dos -5°C aos 40°C? Pois é assim que vivem os Piratas do Caribe, a equipe da Disney que compete contra mais seis barcos (entre eles, um brasileiro) na mais importante regata de volta ao mundo, a Volvo Ocean Race. Comandados pelo americano Paul Cayard, vencedor da edição 97-98 da prova, os piratas navegam pelos sete mares a bordo de um veleiro de 70 pés (21,5 metros de comprimento) com visual inspirado no filme que dá nome ao time. A previsão é de que a corrida termine em julho com a chegada dos competidores ao porto de Gotemburgo, na Suécia, após terem percorrido quase 50.000 quilômetros em oito meses. Neste momento, todos se encontram na costa leste dos Estados Unidos e a tripulação de Paul ocupa o terceiro lugar da regata. Mas foi no fim de março, em passagem pelo Rio de Janeiro antes do início da 5ª etapa da competição, que o comandante dos piratas convidou Trip para um rolê em seu veleiro e contou como é a vida a bordo:
Você não se sente como uma sardinha enlatada vivendo espremido num espaço tão pequeno?
Já estou acostumado. Como nos dividimos em turnos de 4 horas, metade do pessoal está sempre dentro do barco enquanto os outros trabalham no convés, assim temos espaço para todos.
Qual é a primeira coisa que você procura quando finalmente chega em terra firme?
Algumas frutas frescas e um bom filé de carne. No barco só temos comida desidratada congelada, que é horrível.
Quais condições básicas de vida se tornam “luxos” dos quais você tem que abrir mão quando mora num veleiro?
Não temos chuveiro nem máquina de lavar porque o barco ficaria pesado demais, então vestimos as mesmas roupas por uma semana nteira. Também não durmo bem porque fico tão concentrado na corrida que é difícil me desligar disso para descansar. É parte da experiência, nada de luxos, você aprende que não precisa de muito para sobreviver.
(Ana Paula Canestrelli)
Morar num aperto desses, em que nômade é o ambiente que passa pelas janelinhas do barco, é mais um petisco das formas inesperadas que a hábito de se abrigar em algum lugar pode tomar. A edição #144 da Trip, nas bancas a partir do dia 10 de maio, é toda especial: vasculha as novidades do tema “Arquitetura e Urbanismo”. Não deixe de conferir.
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