Não se deixe enganar pela aparência descompromissada do músico californiano Michael Franti. Aos 41 anos, com dois metros de altura, longos dreadlocks e algumas tatuagens espalhadas pelo corpo, Franti quer mesmo é ser notado por seu papel de pacifista compromissado e principal organizador de um festival que há nove anos roda o mundo em busca de direitos iguais e justiça para todos.
Marcado para acontecer no Brasil em dezembro, o “Power to the Peaceful” chega desta vez para mostrar, além de um som recheado de refrões em nome da paz e do amor, a vontade cada vez mais latente de Franti de protestar (desta vez contra a pena de morte imposta ao jornalista Mumia Abu-Jamal).
Na última semana de agosto, Trip visitou a Casa do Zezinho, no Parque Santo Antonio, zona sul de São Paulo, para acompanhar a visita do músico ao projeto que deverá receber parte da verba arrecadada durante o festival.
O tempo todo descalço e de mãos dadas com Tia Dag, coordenadora da ONG, Franti tocou violão para as crianças, subiu e desceu escadas, filou duas fatias de bolo na cozinha, caiu no samba, bateu uma bola e até arriscou gingar na roda de capoeira. No final da tarde, sorridente, o músico ainda pediu para ser levado até uma das favelas da região, onde entrou descalço nas vielas e pulou córregos para conhecer as famílias dentro de suas casas e, ainda de quebra, saiu com mais razão de protestar. Convidado do Trip Fm da semana passada, Franti tem conseguido comprovar a importância de seus ideais e deixado inconfundíveis pegadas por onde passa.
