Os melhores ciclistas do mundo estão neste momento competindo no Tour de France, um dos desafios mais penosos a que pode ser submetido o corpo humano. Entre eles, o insuperável americano Lance Armstrong, 32, que há cerca de dez anos soube que tinha câncer. Diagnóstico: seis meses de vida. Ele está, enquanto você lê esta linha, lutando pelo seu sexto título consecutivo na volta da França ? o que, metástase à parte, seria feito inédito na história do Tour. Recentemente, Armstrong ouviu de um repórter a pergunta: ?Existe alguém no mundo com mais resistência a dor do que você??. A resposta: ?Alguns desses malucos que competem em provas como a Race Across America?.
Embora seja, em distância, 40% mais longa do que o Tour, a RAAM (4.700 quilômetros no total) tem duas semanas a menos de duração. Competidores da extravagância americana devem, para cruzar a linha final dentro do prazo máximo estabelecido, pedalar dia e noite. Atletas da categoria solo pedalam, em média, 22 horas e 560 quilômetros por dia. O vencedor dessa categoria na RAAM deste ano saiu de San Diego, na costa oeste dos Estados Unidos, no dia 20 de junho e chegou a Atlantic City, na costa leste, oito dias e nove horas depois.
Ele é Jure Robic, um eslovênio de 38 anos que não apenas pedalou com fúria como ainda teve tempo de dar vazão a uma paranóia: mandou um de seus veículos de apoio espionar o segundo colocado para ter certeza de que o sujeito não estava roubando. Michel Trevino, o espionado, quando soube, ficou ofendido, desceu da bicicleta e correu a pé durante três horas. ?Só assim eu conseguiria me acalmar?, explicou. Atitudes como essas evidenciam que a competição é um desafio mais mental do que físico. O fato de 50% dos competidores com mais de 50 anos terem conseguido chegar ao fim do trajeto enquanto apenas 40% dos com menos de 50 foram capazes de completar a prova talvez confirme essa evidência.
Ron Bell, um dos finalistas, tem 72 anos e disse que o segredo de seu sucesso foi o telefonema que fazia diariamente para a mãe, de 102 anos: ?Você está fazendo o melhor que pode??, ela dizia.
Na cerimônia de premiação o discurso de Robic foi objetivo: ?Ano que vem espero voltar e ganhar mais grana?. Ele se referia aos US$ 10 mil que recebeu por quebrar o recorde na solo. Recordes também foram quebrados na dupla e no quarteto, deixando pouco ou nenhum prêmio para os rivais que chegaram ao pódio, caso da dupla brasileira formada por Ronaldo Mattar, 37, e Marcos de Faria, 22, segunda colocada na categoria.
O objetivo inicial da dupla, chegar em oito dias (o corte são 12 dias), ficou ameaçado quando Ronaldo, ainda no início, sentiu dores no joelho. Experiente, administrou o problema e se tornou a cabeça do time enquanto Marquinhos se superava. Na penúltima grande subida da prova, a dos Montes Apalaches, alcançaram e passaram atropelando a equipe que vinha em segundo, concluindo o percurso em oito dias e 14 horas. Além deles os brasileiros Michel Bogli (competindo em sua 10ª RAAM), José Filho, Cassio Brandão e Marcio Milan, da Extradistance, chegaram na quinta colocação, depois de 7 dias e 2 horas.
NOTAS
SURFE, ÁFRICA DO SUL
Andy Irons acabou com a seqüência de três vitórias brasileiras no WQS seis estrelas de Durban. Embalado fez a melhor soma do primeiro dia do WCT de J´Bay, que foi interrompido ontem quando o vento comprometeu a qualidade das ondas.
DRAMA E APOTEOSE
Aos 18 anos ele perdeu as duas pernas, atropelado por uma locomotiva. Em vez de ficar deprimido continuou a surfar. Hoje, Paulo Aagaard, 22, o Pauê, é o único surfista amputado bilateral do mundo, além de triatleta. A inspiradora vida desse santista está na revista Trip de julho.
SURFE: ARTE E CULTURA
O Pavilhão da Bienal já está sendo preparado para receber, a partir do dia 23, a 1ª Mostra Internacional do esporte. Pranchas, artes plásticas, fotografias e o setor áudio-visual são destaques.
