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Brasil abaixo de zero

Há pouco mais dez anos a simples menção da frase ?campeonato brasileiro de snowboard? serviria para levantar sobrancelhas ? mais ou menos como falar da marinha boliviana (que, aliás, existe e se exercita em Miami). Afinal, pouca coisa pode ser mais distante de nossa realidade do que temperaturas polares e montanhas nevadas. Mas graças à iniciativa de um grupo de praticantes cariocas e paulistas ? que há uma década decidiu que a idéia de criar uma disputa entre brasucas talvez não fosse assim tão bizarra ? teve início ontem, em Valle Nevado, Chile, a décima edição da campanha verde-e-amarela. Até sábado, 4 de setembro, a estação chilena será praticamente território brasileiro e palco de duelos de alto nível técnico entre atletas nacionais.

Se no início a bagunça tinha mais conotação de festa do que de disputa, hoje já não é mais assim: profissionais do mundo inteiro aportam em Valle Nevado para a semana brasileira de snowboard na tentativa de acumular pontos para o ranking mundial: o campeonato se organizou de tal forma que seria impossível que a FIS (Federação Internacional de Esqui) não o encampasse. Este ano, o Canadá, por exemplo, mandará força máxima. Ao lado de Japão, Estados Unidos, Chile, Alemanha, Suíça e de outros países craques na neve, os canadenses competirão com nossos atletas em provas de Boardercross, Slalom e Big Air. Ao todo, serão 60 brasileiros em busca de pontuação para o ranking internacional e do título nacional de 2004. Ano passado, éramos 30; em 1994, no campeonato inaugural, 25.


A carioca Isabel Clark talvez seja nossa grande esperança na modalidade: em Valle Nevado ela está atrás de seu décimo título (desde a primeira edição ela não deixa de vencer pelo menos uma modalidade). Recentemente Isabel conseguiu ficar entre as 22 melhores praticantes de snowboard do mundo ? colocação que pode não dar a ela fama internacional, mas que indica como evoluímos na modalidade. Em 2003, nessas mesmas pistas chilenas, a carioca faturou a Copa Continental de Boardercross, uma das competições mais arrojadas do snowboard e na qual quatro atletas descem simultaneamente uma pista com obstáculos. Na ocasião, Isabel deixou na poeira uma espanhola, uma belga e uma canadense. Para sacramentar a evolução brasileira em esportes de neve, Ricardo Moruzzi, também em Valle Nevado no ano passado, faturou o slalom paralelo gigante ? prova na qual dois rivais descem ao mesmo tempo em pistas paralelas ?, superando um canadense, um chileno e um austríaco ? conquistas inéditas e improváveis para o país da praia e das altas temperaturas. Esta semana Ricardo e Isabel estão no Chile em busca do bi.


Nem seria preciso dizer que o campeonato é também uma excelente oportunidade para que a Confederação Brasileira de Desportos na Neve avance em sua empreitada de colocar definitivamente o Brasil no cenário mundial. E o celeiro ideal para que se encontrem novos talentos do snowboard. Cá entre nós, não existe muito segredo: com campeonatos sérios e bem organizados, talentos, cedo ou tarde, aparecem. Mesmo que seja na neve.

NOTAS

Sem descanso
Durante o recesso olímpico, esta coluna faturou o prêmio concedido pela Assembléia Legislativa de São Paulo a skatistas e empresários do esporte como parte das comemorações do Dia do Skate. A coluna Ação e a ?Folha de S.Paulo? ficaram com o caneco na categoria Jornal.

O maior do mundo
O campeonato brasileiro de kitesurf começa no dia 4 de setembro em Vitória, no Espírito Santo. Com um total de quatro etapas e premiações de R$ 80 mil (o dobro do valor de 2003) o circuito brasileiro é hoje o maior circuito nacional do mundo.

Pranchões
O Internacional de Longboard será realizado nos dias 4 e 5 de setembro em Porto de Galinhas, Ipojuca (PE): serão distribuídos 30.000 reais em prêmios e o vencedor terá direito a 2.500 pontos para o ranking que vai definir o campeão brasileiro de longboard de 2004.

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