Entre as coisas mais chatas e cansativas que deverão se impor à agenda de FHC, teremos as séries infinitas e intermináveis de reuniões. Nelas, o presidente não só terá de se fazer presente, vestido e alinhado decentemente, mas também e principalmente, terá de manter os sentidos aguçados e a perspicácia no volume máximo. Isto funciona como uma espécie de fio terra sugando a energia e minando o sistema imunológico de qualquer cristão. Como estas reuniões geralmente envolvem muita gente, todos com pleitos importantes e vontade de interferir nos processos, muitas vezes o desgaste é infinitamente maior do que poderia ser se fossem usadas algumas técnicas simples.
Patricia Sueltz, por exemplo, fez parte de uma equipe que encarou um desafio comparável ao que FHC tem pela frente. Arrumar a casa da IBM, uma das maiores corporações do mundo, que há alguns anos, precisamente em 93, resolveu encarar o fato de que seus negócios estavam indo pelo ralo, um ralo gigantesco, aliás, que sugava bilhões e bilhões de dólares com velocidade invejável.
Entre incontáveis ações empreendidas pela equipe da qual participava Sueltz, algumas pareciam prosaicas aos observadores mais ingênuos. Uma, particularmente, chamava atenção: Patricia chegava às reuniões mais importantes, aquelas das quais dependiam os rumos da operação IBM no planeta, com uma bola de basquete com gomos coloridos. A idéia não era nenhum joguinho de motivação de executivos. Ao contrário, o princípio era tão simples quanto eficiente: só poderia falar quem tivesse a bola nas mãos. Nenhuma exceção era admitida em nome de reuniões mais curtas, claras e eficientes. No período de 17 meses em que Patricia esteve no grupo do CEO da IBM, as ações subiram de 44 para 100 dólares.
Tecnologia aplicada à alimentação, à atividade física, um pouco de shiatsu, tai chi, noites de sono bem dormidas e uma boa bola de basquete podem ser mais que fundamentais para FHC não vacilar depois de uma segunda largada brilhante.
Um dos maiores e mais brutais sinais de atraso é o desprezo e a ignorância da inteligência física e seu desenvolvimento. Os gênios pensam metaforicamente. Aristóteles acreditava que a capacidade de perceber semelhanças entre duas áreas distintas da existência era um dom especial. O corpo físico é a melhor metáfora da vida.