A meteorologia prevê uma ondulação gigante para Maui, no Havaí, até segunda-feira. A notícia voltou a deixar os participantes da Copa do Mundo de Tow-in em estado de alerta. Se o swell entrar, durante a semana as ondas podem finalmente atingir os 50 pés de face, mínimo exigido para detonar a Copa do Mundo de Tow-in. O que deixaria muita gente feliz, principalmente as 15 duplas de surfistas e rebocadores que estão na ilha há quase dois meses esperando por isso, e repórteres da Rede Globo que, pela primeira vez, cobrem o evento e estão literalmente ilhados no arquipélago pelo mesmo período. O que nem todos sabem é que por trás desse enorme circo que nos últimos três anos é montado em Jaws, Havaí, estão dois brasileiros: Rosaldo Cavalcanti, 40, e Jorge ‘Joinha’ Guimarães, 46. Rosaldo é surfista e jornalista e Jorge, lutador de jiu-jitsu, surfista e apresentador de um programa sobre lutas na SporTv. Os dois chegaram sorrateiros ao Havaí na temporada 2001/2002, apoiados pelo Estúdio Mega, uma produtora também brasileira, e realizaram a primeira Copa do Mundo de Tow-in, premiando a dupla vencedora com 70 mil dólares. O valor da premiação, duas vezes maior do que o entregue ao campeão do WCT, acabou atraindo a elite do surfe de ondas grandes, à exceção de Laird Hamilton, havaiano considerado o precursor do tow-in, e manda-chuva do pico que se recusou a entrar, talvez por ver ‘seu quintal’ invadido por brasileiros ousados que deram forma, cor e ritmo a uma atividade recém-criada por americanos, talvez pela sua aversão às competições. Outros surfistas/produtores, apoiados por importantes grifes do esporte, já haviam tentado organizar megacampeonatos de ondas grandes em picos como Maverick´s e Cortez Bank, mas, por uma série de fatores, não conseguiram se organizar profissionalmente como Rosaldo, Jorge e a turma do Mega. Embora fossem gringos e, por isso, olhados com desconfiança pela comunidade local, eles fizeram um evento sem falhas e que teve que ser reconhecido pela comunidade internacional, a ponto de ser citado pela revista ‘Surfer’ como um dos grandes momentos do surfe mundial. Hoje, a Copa do Mundo de Tow-in protagonizada pela elite do big surfe mundial (nela estando duas duplas nacionais: Carlos Burle e Eraldo Gueiros, e Rodrigo Resende, que papou a primeira edição, e Danilo Couto, além de Sylvio Mancusi, que fará dupla com um havaiano), vai virar filme, é distribuída pelo sistema ‘pay-per-view’ para lares americanos e atraiu a atenção da todo-poderosa Rede Globo de Televisão, que despachou para lá a dupla Mariana Becker, repórter, e Claudio Moraes, cameraman, que, enquanto não flagram as ondas gigantes, estão atrás de boas histórias. A equipe já conseguiu até uma entrevista com Mr. Laird Hamilton, que embora ainda não tenha sido seduzido pela festa, diz que gosta muito da pompa que o evento ganhou desde 2001. Este ano, o Estúdio Mega, que disponibilizou 16 câmeras para registrar a prova, vai um pouco mais longe: premiará a dupla vencedora com 100 mil dólares. O prazo para que o swell se agigante e detone a competição vai até 15 de março.
NOTAS
WQS ? TROCO SUL-AFRICANO
Por pouco Greg Emslie não venceu a etapa quatro estrelas disputada em Torres (RS) ? seu conterrâneo Warwick Wright venceu em Noronha ? e vingou as últimas vitórias brasileiras em Durban. Jihad Kohdr, 20, com a melhor onda da final virou e ficou com o título. A próxima etapa já está no período de espera em Pipeline, Havaí. Em seguida acontece a perna mais forte do circuito, na Austrália, com três provas do WQS e duas do WCT.
SNOWBOARD
A brasileira Isabel Clark conquistou a segunda colocação no North America Cup, na prova de slalom disputada em Cypress, Canadá. Na próxima semana, ela disputa a etapa japonesa da Copa do Mundo.
SKATE
O Paraná, com Wagner Ramos, campeão, e Rodil ‘Ferrugem’ Jr, vice, dominou a primeira etapa do Brasileiro de street, disputado em Salvador (BA).
