Por Redação
em 16 de setembro de 2011
Quem foi que disse que para aprender há uma idade correta? Ana Cândida dos Santos, 70 anos, é a prova de que para aprender tem de ter disposição e muita força de vontade. Cursando o sexto ano do ensino fundamental da Escola Municipal Professora Silene de Andrade, na cidade de Goiânia (GO), dona Ana está muito feliz por voltar aos bancos escolares.
Viúva, mãe de cinco filhos, dona Ana já tem até bisneto. Durante o dia trabalha como costureira em um ateliê de vestidos de noivas e à noite não perde uma aula na escola. “Minha escola é maravilhosa. Adoro frequentar as aulas”, diz ela, contando ainda que o motivo que a levou de volta à escola foi a vontade de vencer na vida. “Descobri que sem estudo não vamos a lugar nenhum. Hoje quero aprender mais e sempre mais”, afirma.
Dona Ana ficou sabendo do 7º Concurso Cultural Ler e Escrever É Preciso pela professora Maria Thereza, que leciona educação física. “Foi ela quem me motivou e fez a minha inscrição.” Sobre o texto enviado, dona Ana diz que escreveu sobre um antigo namorado que queria casar e ela não aceitou. “Tem uma pitada de romance, mas cuidar da vida é também falar de amor, não é?”, diverte-se.
Sobre o ato de escrever, dona Ana diz que sempre gostou de “rabiscar umas palavras”, mas às vezes não tem muito tempo: “O prazo é pouco”, explica, pois adora trabalhar como costureira. Já sobre a participação no concurso, a aluna afirma que foi um prazer imenso e está confiante. “Agradeço a oportunidade e quem sabe não vão me chamar para conhecer São Paulo?”
Casos como esse estão entre os cerca de 4.500 textos de todos os estados do país recebidos pelo Instituto Ecofuturo nesta sétima edição do Concurso Cultural Ler e Escrever É Preciso. As inscrições, que foram encerradas no dia 15 de julho, tiveram maior concentração na região Sudeste com um percentual de 50%, seguida por Nordeste (23%), Sul (14%), Centro-Oeste (8%) e Norte (5%).
O concurso se destacou pelo amplo alcance que teve, principalmente em entidades e programas sociais. Foram quase 500 textos enviados por integrantes do sistema penitenciário e educadores da Fundação de Amparo ao Preso (Funap) e mais de 800 inscrições de participantes do ProJovem Adolescente, programa do governo federal para o fortalecimento da convivência familiar e comunitária, retorno e permanência dos adolescentes de 15 a 17 anos ao sistema de ensino.
Os autores dos 60 textos que melhor se expressarem sobre os cuidados com a vida ganharão uma coleção de clássicos da literatura, além de receberem certificado, troféu e terem seus textos publicados em livro, a ser lançado pelo Instituto Ecofuturo. Os três primeiros colocados de cada categoria também ganharão um notebook. Os vencedores serão conhecidos durante evento cultural que acontecerá em São Paulo.
Fonte: Blog Concurso Cultural Ecofuturo
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