O circuito mundial de surfe chega à sua fase havaiana, a derradeira do ano, e, embora o título já esteja definido a favor do local Andy Irons, existe muita expectativa em torno das três provas que serão disputadas no lado norte da ilha de Oahu.
Antes de mais nada, porque as ondas de Haleiwa, Sunset e Pipeline, pistas onde os melhores do mundo estarão acelerando nas próximas semanas, já garantem o espetáculo.
Depois, o Vans Triple Crown, a famosa tríplice coroa havaiana, um minicircuito de três provas dentro do Tour, carrega uma tradição que para muitos surfistas conquistá-lo é um feito comparável ao próprio título mundial. Para os havaianos, que não à toa são os maiores vencedores da coroa, isso é um fato inquestionável.
E por último e na verdade o mais importante é que, à exceção do primeiro lugar do WCT, todas as outras posições dos dois rankings, WCT e WQS, estarão em jogo nessas três provas. O que quer dizer, do vice-campeão da temporada, passando pelos Top-16 ? que tem privilégio na formação das baterias nos campeonatos ?, até o 27º lugar ? que garante vaga na elite em 2005 ? no WCT; e todas as posições do WQS, do campeão ao 15º classificado, que se manterão ou subirão para a primeira divisão pelo ranking de acesso.
Para nós brasileiros, chegamos ao Havaí na pior posição dos últimos anos. Exceto por Peterson Rosa, top 10 no WCT, e Neco Padaratz, líder do WQS, com boas chances de conquistar o inédito bicampeonato seguido e ratificar a hegemonia brasileira no ranking de acesso, fazemos a nossa pior temporada dos últimos anos.
Desde a efetiva participação de brasileiros no Tour, a partir de 1989, o número de brasileiros na elite mundial foi crescendo até conseguirmos incluir 11 atletas entre os, então, top 44 do mundo, em 2001.
Foi nesse ano que os australianos, incomodados com o crescente número de brasileiros subindo pela divisão de acesso, forçaram a ASP a estabelecer que entre os oito resultados computados no ranking apenas três poderiam ser marcados em cada região/país. Curiosamente o número de provas na Austrália, enquanto no Brasil era no mínimo o dobro.
Estamos acusando o golpe. De lá para cá caímos para 10, nove, oito atletas por temporada, e, salvo um desempenho extraordinário e pouco provável no Havaí, esse número vai baixar para seis na próxima. Seria o menor desde 1993 quando só os pioneiros Teco Padaratz, Fabio Gouveia e o recém-promovido Peterson Rosa defenderam as cores nacionais. Não bastasse lutarmos contra as limitações na qualidade das ondas e na capacidade financeira da indústria, ainda somos colocados como a esquerda na política do esporte.
Apesar disso, já vencemos quase tudo, as categorias de base no ISA Surfing Games, competições de ondas grandes, dois títulos mundiais Pro Junior, Neco Padaratz pode trazer o sétimo troféu de campeão mundial para o Brasil em 13 edições do WQS, Jacqueline Silva e Tita Tavares já foram campeãs no WQS feminino, falta mesmo o título de WCT, que ainda vai chegar.
NOTAS
BRASILEIRO DE LONGBOARD
A decisão nos pranchões acontece a partir de amanhã em Salvador (BA) durante o Petrobras Classic. Com quatro provas disputadas, Picuruta Salazar lidera o ranking.
CORRIDA DE AVENTURA
A última etapa do Caloi Adventure Camp será disputada neste final de semana na Riviera, litoral norte de São Paulo. O tempo médio da prova é de seis horas.
ESCALADA ESPORTIVA
A final do campeonato brasileiro acontece neste domingo na Casa de Pedra de Perdizes, São Paulo. A prova será na modalidade Dificuldade e só para categoria Master, equivalente à profissional.
