Sou um aficionado, um fanático, por Fórmula 1. O que para muita gente parece uma coisa sem graça (carros dando voltas e mais voltas em um circuito sem fim), para mim se torna um acontecimento fascinante. Assistir até onde chegam os limites da perícia e da ousadia dos pilotos que, combinadas com a tecnologia do computador, pode ser tudo perdido em uma simples troca de pneus, por um erro humano, me parece um espetáculo único. Mas isso não vem ao caso. O que eu queria dizer é que por causa da Fórmula 1 sou obrigado a acordar, nos domingos que tem corrida, antes das nove horas da manhã. E acontece que (enquanto estou lá, sentado na frente da televisão, folheando o jornal espalhado no sofá e aguardando que Galvão Bueno comece a soltar a voz) descobri, então, o Globo Rural. No começo assistia apenas alguns minutos. Agora assisto, com prazer, ao programa inteiro. Por quê? Porque lá, meus caros, descobri um Brasil. O Brasil que deu certo.
Está escrito no capítulo II do Gênese: “tu ganharás teu pão com o suor de teu rosto” (não podemos esquecer, também, que São Paulo acrescenta: “aquele que não trabalha não tem o direito de comer”, mas isso é uma outra história). Pois é isso que o Globo Rural mostra na tela dominical. Pessoas de todos os cantos do país que trabalham duro e que, além do mais, contam experiências, transmitem conhecimentos e falam sobre os assuntos mais diversos sempre a respeito da terra deste país.
Beleza interior
Tudo é fascinante pela sua simplicidade. Mesmo que alguns desses temas, para mim, criatura urbana, pareçam vir do planeta Marte (você sabe, por exemplo, como deve ser plantado o gengibre?). Os personagens que vão desfilando, de acento caipira e pontilhados com o som da viola ao fundo, são de uma dignidade invejável. E, acima de tudo, parecem felizes. Todos falam com respeito das tradições e com um sentimento de que o passado, além de ser alguma coisa que ficou para trás, pode servir como ensinamento e conhecimento para o futuro.
A felicidade, aliás, é a marca do programa. O plantador de cana, o gaúcho, o rapaz que fez uma bomba para sugar água a partir de uma moto, o tropeiro que vende uma mula para seu colega, todos eles parecem de uma integridade, de uma paz e de uma calma que nos mostram onde pode se encontrar, talvez, a verdadeira felicidade através de um trabalho digno e honesto. É a imagem de um país feliz. O Brasil dos sonhos de todos nós.
*J. R. Duran, 53, fotógrafo e escritor, deve estar pensando em comprar um sítio. Seu e-mail é: studio@jrduran.com.br
