Filmes bons e cineastas de verdade têm cheiro bom. Nunca me tornaria crítica de cinema se não reagisse com atenção a esse cheiro. E, se em matéria de cinema quem ama tem sempre razão, mesmo que não tenha, eu amei O Homem Nu. Achei delicioso. O ator Hugo Carvana não atuou. Tirou a roupa e ficou nu através do brilhante protagonista Cláudio Marzo. A nudez acidental do roteiro (do conto de Fernando Sabino, outro que tem cheiro bom) faz o filme oscilar entre os extremos da comédia bairrista carioca chanchadesca e os da tragédia universal do macho corno-traidor, culpado e angustiado. Morri de rir, me emocionei e estou levando na mala para a França.
[Sylvie Pierre, crítica de cinema da revista francesa Cahiers du Cinema]
