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A ESTRATÉGIA DE MARKETING DA PREFEITA

Por trás do problema da poluição visual, pode estar escondida estratégia para gerar caixa necessário para reverter a falência em SP

Por Redação

em 21 de setembro de 2005

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Pelo estado de coma registrado em São paulo nos primeiros dias do ano, pode-se concluir que uma parte importante da população deixou a cidade para aproveitar a pausa consensual. A relativa estabilidade econômica conseguida nos últimos tempos no País proporcionou a muita gente, pela primeira vez, este tipo de benefício. Assim, não são apenas os ricos que usaram o final de semana, especialmente o domingo, para retomar o contato com a insuportável realidade impressa nos jornais. Entre desventuras de Eurico Miranda, as peripécias do detento Lalau, a escalação questionável do Rock in Rio, os engavetamentos de playboys nas lanchas de Angra e o nosso paupérrimo showbizz desfilando de branco no eixo Trancoso-Punta, chamou-me muito a atenção o movimento dos primeiros dias da prefeita de São Paulo.

Pelo que ouço nas ruas, quase ninguém duvida de suas intenções, mas muita gente desconfia da capacidade de Marta Suplicy, e principalmente do PT, na gestão de uma cidade como São Paulo, num estado falimentar de dar inveja a Ricardo Mansur.

Os primeros passos impressionaram bem. Nomes como Sayad e Wilheim demonstraram firmeza na escolha de gente no mínimo preparada para lidar com a catástrofe deixada pela gestão Maluf/Pitta.

Impressiona, porém, o estado de choque dos novos secretários, administradores regionais e de outros servidores recém-empossados diante da realidade gelada dos números. Pelas primeiras reações ‘a quente’, a situação pode mostrar-se impossível de equacionar.

Por trás de um problema grave, o da poluição visual absurda provocada pelo ‘Niagara Falls’ de placas, outdoors e anúncios pendurados por cada polegada da cidade, pode estar escondida a estratégia perfeita para gerar o caixa necessário para reverter a falência em que doutor Paulo e seus comandados nos atiraram.

Talvez a criação do projeto ‘Belezura’, cujas intenções graças a Deus são melhores que o nome, devesse suscitar reflexões mais profundas. Mal saíram publicadas nos jornais as idéias da prefeita no sentido de chamar para a comunidade a responsabilidade de junto à Prefeitura limpar, reformar e pintar o estádio do Pacaembu, imediatamente alinharam-se de forma incondicional entidades civis como a torcida organizada do Corinthians, até empresas como as que, por exemplo, doaram as centenas de galões de tinta necessárias ao trabalho. Por mais inexpressivo que possa parecer o exemplo, serve, sem dúvida, para mostrar que não só o cidadão, mas principalmente a chamada iniciativa privada está pronta para investir tempo, recursos materiais e dinheiro em ações que tragam benefícios sociais.

A possibilidade de atrair capital por meio de ações equilibradas, criativas e profissionais de marketing social, comunicação e, por que não, de propaganda é mais do que concreta, é óbvia. Ocorre que uma tarefa dessa importância talvez não devesse ser tratada como cão sem dono, um dia nas mãos da Secretaria do Turismo, outro na de Planejamento. Uma secretaria independente, de marketing social, poderia desde normatizar o uso do espaço público dos outdoors, busdoors, back lights, abrigos de ônibus, lixeiras públicas, até, e principalmente, olhando de forma criativa e inteligente para a cidade, gerar outras formas de interação entre cidadão, empresa e coisa pública.

Just do it

Apenas para mencionar dois exemplos que me vêm à cabeça: há cerca de uma ano e meio, o portal Zip.net procurou as autoridades educacionais do Estado oferecendo conexão gratuita à internet para toda a rede pública de ensino. O banco ABN/AMRO tem um projeto genial, por meio do qual financia e executa a reforma das áreas esportivas de escolas públicas por todo o País. As empresas estão pedindo projetos sociais. Que marca não se interessaria em apoiar o projeto de resgate dos rios Pinheiros e Tietê iniciado pela Rádio Eldorado, desde que auditados e executados por profissionais e garantidos por um governo sério?

Quanto não seria possível gerar de receita com projetos inteligentes de patrocínio de áreas como os parques do Ibirapuera, Carmo, Villa Lobos, Piqueri… Quantas ambulâncias não seriam conseguidas em troca de visibilidade da marca em praças, parques ou mesmo nos ônibus municipais?

O que um secretário competente, forjado na área de marketing, não seria capaz de produzir idéias que além de gerar receita entregariam benefícios à cidade e a seus habitantes?

Se em qualquer empresa, independente do porte, o responsável pelo marketing (muitas vezes o próprio presidente ou CEO) tem cada vez um papel mais fundamental para o avanço da companhia, será que a gestora de uma máquina que entre outros ativos detém a marca ‘Cidade de São Paulo’ nas mãos não deveria dispensar mais atenção e tempo à criação de uma secretaria especial de marketing social?

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