No meio do caminho tinha uma pedra
Ex-viciado em crack, Maurício Cotrim é psicólogo e ajuda dependentes químicos a se livrarem do vício
Por Redação
em 27 de agosto de 2012

Quando era um jovem da classe média alta paulistana, Maurício Cotrim, aos 17 anos, já havia provado quase todo tipo de droga. Depois de experimentar cachaça, cigarro e inalantes ainda na infância, e maconha e cocaína no começo da adolescência, com 15 anos foi a vez do crack. E foi ali que se perdeu.
Em pouco tempo ficou viciado e passou a ficar cada vez mais paranoico. Começou usando crack nas ruas, depois no seu quarto e por fim dentro do armário que servia de esconderijo contra o esquadrão da SWAT que imaginava persegui-lo – espiava pelo buraco da fechadura para ver se agentes especiais surgiriam do ralo do banheiro, enquanto tremia e se chacoalhava com movimentos involuntários dos braços e das pernas, efeitos do vício. Sumiu com objetos de casa, foi expulso pelos pais, voltou e chegou a apanhar de traficantes para os quais devia.
No momento em que atingiu o fundo do poço, após uma noite inteira fumando crack e pensando em se matar, encontrou no quarto da irmã uma edição especial da Trip sobre cocaína que mudou sua vida. “Foi depois de ler aquela revista que fui procurar ajuda e me tratar. Comecei a ler e dei de cara com a entrevista com um ex-junkie. Me identifiquei muito com a história dele. É tudo muito parecido: o fundo do poço, as emoções. Foi a primeira vez que ouvi falar em dependência química. Pensei: ‘Pô, eu sou isso aí’. Quando a minha mãe chegou em casa, falei: ‘Sou dependente químico, estou doente e preciso de ajuda’.”
Maurício Cotrim foi tema de reportagem da Trip #206. Entre recaídas e internações, conseguiu dar um novo rumo à vida. Hoje ele é um psicólogo especializado no tratamento de dependentes químicos e os ajuda a se livrarem do vício. “Tive ajuda quando precisei e agora ajudo quem precisa. É um movimento de ‘mão dupla’, e que me alimenta a alma a cada dia. Não desistiram de mim lá atrás, portanto, enquanto precisarem de mim e eu puder ajudar, estarei junto deles”.
Leia a reportagem completa com Maurício Cotrim na Trip #206
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