“A polícia no Brasil não pode ter medo de controle”
Morte de juíza no RJ, por PMs, mostra que policiais ainda se sentem impunes, diz Renato Sérgio de Lima
Para Renato Sérgio de Lima, o controle melhoraria a imagem da polícia brasileira, vista com preconceito e estereótipo de ser violenta e corrupta
O ex-comandante do 7o. Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o tenente-coronel Claudio Luiz de Oliveira, foi preso acusado de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli, morta com 21 tiros no dia 11 de agosto, em São Gonçalo (RJ). A razão: medo de que ela decretasse a prisão dele e de outros policiais de seu batalhão, que eram acusados da morte de um jovem, em condições que pareciam execução. Segundo a acusação, diante da iminência da ordem de prisão, o tenente-coronel encomendou o crime aos seus subordinados.
“A polícia precisa ter mecanismos claros de controle, para apurar e coibir esse tipo de atitude. Porque, se o policial cometeu esse crime, ele o fez pensando que poderia sair impune”, diz Renato Sérgio de Lima, vencedor do Trip Transformadores de 2011 e secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ONG fundada em 2006 para promover o diálogo entre diversos atores da área de segurança pública. “As polícias no Brasil não podem ter medo de controle. Até porque, quando esse controle é bem estruturado, ele protege os bons policiais e a corporação.”
Para o especialista, isso tem que acontecer a curtíssimo prazo. “Melhoraria e muito a imagem da polícia brasileira, uma corporação vista com preconceito e estereótipo de ser violenta e corrupta. É difícil se despir desse olhar”, afirma.
Para Renato, a punição não vai eliminar por completo a delinquência fardada, porque, como ele bem lembra, faz parte da natureza humana cometer crimes. “É impossível controlar que nada aconteça, mas é preciso transmitir a mensagem de que todos os desvios cometidos pelos integrantes da área de segurança pública serão investigados e, quando comprovados, punidos.”
“As polícias civil e militar brigam entre elas, que brigam com o Ministério Público, que briga com o Judiciário. Ou seja, o que era para ser um sistema acaba sendo um jogo de disputas entre instituições. A gente precisa pensar que polícia os brasileiros querem e que modelo de segurança pública é compatível com a nossa realidade”, afirma.
Renato é um homem de diálogo, que gosta de um conflito. Sabe mediar, com maestria, a fogueira das vaidades do ambiente da segurança pública, cheio de interesses escusos e preconceitos. Aprendeu a arte da diplomacia e do diálogo em casa, nos embates com um pai conservador, com os quais aprendeu a respeitar posições e opiniões diferentes das suas e a não desqualificá-las, mas a contextualizá-las.
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