Humor, sanduíches e arquitetura por Isay Weinfeld
Crítico, arquiteto bateu um papo sobre arte, empreendedorismo, sociedade e seu incômodo com falta de preocupação cultural no mercado
Créditos: Alexandre Charro / Divulgação
Isay Weinfeld é daqueles criadores que nunca couberam numa caixinha. Arquiteto de formação e inquieto por natureza, ele sempre fez questão de ampliar o próprio campo de atuação. “Nunca achei que o arquiteto devia ser só arquiteto. Meu mundo sempre foi vasto, meus interesses são amplos e tenho muita sede de aprender”, contou ao Trip FM.
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No papo com Paulo Lima, Isay falou sobre arte, empreendedorismo, cidade e seu incômodo com a falta de preocupação estética e cultural em muitos projetos. Para ele, arquitetura é também responsabilidade coletiva. “Eu só trabalho com aqueles que têm a visão de deixar algo para a cidade, não só para o próprio terreno. Tem que ser algo que envolva as pessoas que estão ao lado”, afirmou.
Ao longo da carreira, ele transitou por diferentes linguagens: dirigiu filmes, montou exposições e criou cenários para o teatro. “Na realidade, é tudo a mesma coisa. A única coisa que eu sei fazer é pegar dois ou três objetos diferentes e arranjá-los de uma certa forma”, disse.
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À frente de um dos mais prestigiados escritórios de arquitetura de São Paulo, Isay assina projetos no Brasil e no exterior – de hotéis de luxo a edifícios do Minha Casa Minha Vida, programa de habitação do governo federal. “Um arquiteto que faz o mais chique, pode fazer o mais popular também. Trabalhar para esses extremos é o que me interessa. Detesto ficar na casinha.”
Na conversa, ele também comentou o cenário político internacional e a postura de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. “Não me assusto com ideias opostas ou mirabolantes. O que realmente me choca é a falta de educação e de respeito de quem chegou ao poder, especialmente no trato com o outro, em todos os sentidos. Estamos indo para um lugar muito difícil de retornar”, refletiu.
Você pode ouvir o podcast no play nesta página, no Spotify, Deezer, YouTube e outras plataformas de áudio, ou ler alguns trechos da entrevista a seguir.

Trip. Seu campo de atuação é bastante amplo. Como você descreveria sua relação com a arquitetura?
Isay Weinfeld. Meu mundo sempre foi vasto, meus interesses são muito amplos e eu tenho muita sede de aprender. E eu nunca achei que o arquiteto devia ser só arquiteto. Eu odeio me repetir. Então, é um transtorno em termos de gestão, porque você gasta muito mais, perde muito mais tempo tentando renovar o seu repertório em cada uma das obras.
Além da arquitetura, você se dedica a áreas como cinema, artes plásticas e literatura. Como essas diferentes expressões artísticas se conectam no seu trabalho? Eu sou apaixonado por objeto. Realmente, eu tenho paixão. Pra te falar a verdade, se você olhar, eu faço cinema, faço arquitetura, artes plásticas, literatura… Parece que eu sou muito talentoso, o que é uma mentira terrível. Na realidade, é tudo a mesma coisa. A única coisa que eu sei fazer é pegar dois ou três objetos diferentes e arranjá-los de uma certa forma.
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Qual é sua visão sobre a influência da elite econômica na arquitetura e no desenvolvimento urbano? As pessoas, essa elite, quando têm dinheiro e educação, é uma coisa. Quando só têm dinheiro, é outra coisa. Para simplificar, né? Então, aí os desejos são outros. Copiam coisas de lugares que não têm nada a ver com o nosso país. As incorporadoras também, e boa parte delas está muito preocupada em ganhar o seu rico dinheirinho e nada mais. Acho um absurdo que eles não tenham vontade e desejo de deixar alguma coisa de qualidade para outra geração, para os próprios filhos e netos.
Acha que o mundo ainda tem jeito? Como tem reagido a esses absurdos de Donald Trump, por exemplo? Eu te falo sinceramente: chegar com ideias opostas, mirabolantes, isso não me assusta. Pode ter coisa boa, pode ter coisa ruim, mas eu fico muito mal impressionado com a falta de educação e de respeito dessas pessoas com o próximo em todos os sentidos. Então, isso me choca mais do que as ideias. Apesar de não concordar com nenhuma, as pessoas têm o direito de se expressar.
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