por Carolina Ito

A atriz Jamie Clayton, que interpretou a hacker Nomi na série Sense8, conversou com a Tpm e contou que quer ir além dos rótulos: ”eu sempre fui um mistério”

A norte-americana Jamie Clayton, que interpretou a personagem Nomi Marks na série Sense8 da Netflix, esteve pela terceira vez no Brasil para a abertura da Casa Ponte, em São Paulo. O evento traz uma programação cheia de atividades sobre a comunidade LGBTQIA+, sigla que envolve lésbicas, gays, bissexuais, trans, queer, intersexuais, assexuais e qualquer outra identidade de gênero, representada pelo símbolo “+”. 

Como Hollywood ainda possui poucos representantes trans, Jamie acabou se tornando porta-voz de questões ligadas a essa comunidade. Mas quer ir além - no auge da carreira, ela vem aprendendo a recusar alguns projetos: “Meu desafio é encontrar papéis femininos, independentemente de ser cis ou trans”, afirmou, em entrevista à Tpm.

Jamie estava muito emocionada por participar do evento e por visitar o Brasil. “Das outras duas vezes que estive aqui tinha muita imprensa, no aeroporto foi uma loucura. Dessa vez fiquei mais quieta, fui até ao MASP essa manhã e andei pelas ruas da cidade”, conta.

Transgredir é preciso

Este ano, Jamie trabalhou em dois longa-metragens, ambos de suspense. The Chain, dirigido pelo espanhol David Martín Porras, está em fase de pós-produção e é estrelado por Madeline Zima (Twin Peaks) e Adrienne Barbeau (Revenge). The Snowman, dirigido por Tomas Alfredson, será lançado em novembro no Brasil e conta com os atores Michael Fassbender (Shame, Alien: Convenant) e Charlotte Gainsbourg (O Anti-Cristo, Ninfomaníaca). Para a atriz, é divertido participar de filmes com uma trama que envolve crimes. “Eu mesma sempre fui um mistério”, brinca. Agora, ela almeja trabalhar em uma das produções de ficção científica de J. J. Abrams e com a atriz Tilda Swinton, de Okja. “Seria insano! Ela é maravilhosa.”

Nos últimos meses, Jamie também participou das gravações do último episódio de Sense8, em Berlim. Apesar do cancelamento, a segunda temporada da série pôde ser concluída graças às manifestações dos fãs indignados - e Jamie faz questão de enfatizar o quanto os fãs brasileiros são apaixonados pela trama. Roteirizada e dirigida pelas irmãs Lilly e Lana Wachowski, que são transexuais, Sense8 tem um caráter transgressor, misturando ficção científica, ação, drama e cenas de sexo fora do padrão heteronormativo. “Acho que grande parte do mundo estava preparada”, afirma Jamie. Por outro lado, a atriz acredita que a ousadia da série deixa parte da sociedade preocupada. “A trama assusta muita gente. São pessoas em posições de poder, que não entendem a si próprios e têm dificuldades em entender o outro”, explica a atriz.

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A atriz acredita haver hoje uma polarização política que é parte de uma onda extremamente conservadora, ao mesmo tempo em que os jovens estão "cada vez mais atentos sobre o que acontece no mundo, lutando por direitos como nunca lutaram antes". Para ela, os Estados Unidos vivem um retrocesso e relembrou um episódio, ocorrido em julho deste ano, em que o presidente Donald Trump proibiu a atuação de transexuais nas Forças Armadas do país. "É um absurdo que limita minha possibilidade de ter orgulho de mim, de estar no mercado, de ir à escola, de ser uma atriz.”

Jamie fez questão de falar sobre a “cura gay”, assunto que recentemente voltou aos noticiários brasileiros, e comparou a discussão com as atitudes de Trump: “Isso é ridículo! Não há nada para ser curado, somos fabulosos!”.

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Créditos

Imagem principal: Divulgação / Ali Karakas

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