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Etiqueta para punk de fino trato

Etiqueta para punk de fino trato

em 11 de março de 2008

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Nina Lemos, a repórter com fama de ser a mais estabanada da redação, freqüenta um curso de etiqueta para meninas da sociedade e prova (para si mesma) que é educada pra C*, sacaram?

fotos Marcelo Naddeo

Existe gafe maior do que chegar a uma aula de etiqueta com 40 minutos de atraso? Difícil. Pois foi pagando esse mico que eu cheguei à casa da professora de eti­queta, boas maneiras e “comportamento” Virgínia Ga­r­giulo. A sorte é que a moça é tão educada (afinal, é pro­fessora de educação) que nem me deu uma bronca por tal lapso. Ainda saí de lá colhendo elogios que vou jo­gar na cara da minha mãe (nada educado) quando ela me chamar de desastrada.

E para que serve uma aula de etiqueta nos dias que cor­rem? Virgínia, moça da alta sociedade paulistana que estudou na Suíça (interna), dá seu curso há sete anos na casa em que mora desde os 19 anos, no Mo­rum­bi. Quando chegamos, o local já estava montado para uma aula: a mesa com todos aqueles copos e ta­lheres que moças como eu não fazem a menor idéia da utilida­de e uma mesa de centro com sucos, água gelada e gu­lo­­seimas.

Porque uma das coisas que uma moça (ou moço) de fi­no trato precisa fazer é receber. Ela nos serve e aproveita para me ensinar a abaixar. Sim, isso mesmo. Ela joga uma caneta no chão e desce para pegá-la reta, retíssima, sem abrir um milímetro da perna e sem dobrar a coluna. Ela tenta me ensinar. Consigo. Não sei até quando. Outra par­te importante da aula é a postura. “O ideal é andar de ma­neira que as pernas batam um pouco, nada daquela coisa de perna aberta”, ela explica.

Na hora em que Virgínia elegantemente me serve um café, acontece um pequeno milagre. Estendo a mão na­turalmente e depois percebo que fiz isso de alguma ma­neira muito especial, pois a professora diz: “Estou im­pressionada! Você pegou o café de maneira muito ele­gante, olha que já dei aula para embaixatrizes e nunca vi ninguém fazer isso com tanta elegância como vo­cê”. Pronto. Estão vendo? Imediatamente co­me­ço a me achar uma espécie de Lady Di. Fico tão po­de­rosa que começo a conversar animadamente com Vir­gínia com a xícara na mão. Na hora em que falo a minha frase pre­di­leta do momento – “lá em Berlim” –, levo a xícara co­migo, apon­tando para a Europa. “Isso que você fez não é legal”, diz a teacher com doçura.

Boa parte da aula é sobre persuasão. É o tal momento “comportamento”. Ela lê os 20 mandamentos da “boa impressão” para mim e para o fotógrafo Naddeo, e concordamos que somos bons nisso. O que significa que não somos portadores de más notícias e não fa­la­mos cutucando os outros.

Sim, queridos, parafraseando a minha amiga Clarah Aver­buck (citar amigos é elegante, não?), eu sou uma so­cia­lite do underground. “Nina, você é uma pessoa mui­to educada, está de parabéns”, diz Virgínia.
Viu, mãe?

 

Vai lá: Virgínia Gargiulo, (11) 3772-1925

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