
Nina Lemos, a repórter com fama de ser a mais estabanada da redação, freqüenta um curso de etiqueta para meninas da sociedade e prova (para si mesma) que é educada pra C*, sacaram?
fotos Marcelo Naddeo
Existe gafe maior do que chegar a uma aula de etiqueta com 40 minutos de atraso? Difícil. Pois foi pagando esse mico que eu cheguei à casa da professora de etiqueta, boas maneiras e “comportamento” Virgínia Gargiulo. A sorte é que a moça é tão educada (afinal, é professora de educação) que nem me deu uma bronca por tal lapso. Ainda saí de lá colhendo elogios que vou jogar na cara da minha mãe (nada educado) quando ela me chamar de desastrada.
E para que serve uma aula de etiqueta nos dias que correm? Virgínia, moça da alta sociedade paulistana que estudou na Suíça (interna), dá seu curso há sete anos na casa em que mora desde os 19 anos, no Morumbi. Quando chegamos, o local já estava montado para uma aula: a mesa com todos aqueles copos e talheres que moças como eu não fazem a menor idéia da utilidade e uma mesa de centro com sucos, água gelada e guloseimas.
Porque uma das coisas que uma moça (ou moço) de fino trato precisa fazer é receber. Ela nos serve e aproveita para me ensinar a abaixar. Sim, isso mesmo. Ela joga uma caneta no chão e desce para pegá-la reta, retíssima, sem abrir um milímetro da perna e sem dobrar a coluna. Ela tenta me ensinar. Consigo. Não sei até quando. Outra parte importante da aula é a postura. “O ideal é andar de maneira que as pernas batam um pouco, nada daquela coisa de perna aberta”, ela explica.
Na hora em que Virgínia elegantemente me serve um café, acontece um pequeno milagre. Estendo a mão naturalmente e depois percebo que fiz isso de alguma maneira muito especial, pois a professora diz: “Estou impressionada! Você pegou o café de maneira muito elegante, olha que já dei aula para embaixatrizes e nunca vi ninguém fazer isso com tanta elegância como você”. Pronto. Estão vendo? Imediatamente começo a me achar uma espécie de Lady Di. Fico tão poderosa que começo a conversar animadamente com Virgínia com a xícara na mão. Na hora em que falo a minha frase predileta do momento – “lá em Berlim” –, levo a xícara comigo, apontando para a Europa. “Isso que você fez não é legal”, diz a teacher com doçura.
Boa parte da aula é sobre persuasão. É o tal momento “comportamento”. Ela lê os 20 mandamentos da “boa impressão” para mim e para o fotógrafo Naddeo, e concordamos que somos bons nisso. O que significa que não somos portadores de más notícias e não falamos cutucando os outros.
Sim, queridos, parafraseando a minha amiga Clarah Averbuck (citar amigos é elegante, não?), eu sou uma socialite do underground. “Nina, você é uma pessoa muito educada, está de parabéns”, diz Virgínia.
Viu, mãe?
Vai lá: Virgínia Gargiulo, (11) 3772-1925
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