por Redação

Veja tudo o que rolou no primeiro dia de Casa Tpm

Começou a Casa Tpm 2017! Chegamos à sexta edição do evento mergulhando ainda mais fundo no universo das mulheres contemporâneas e lança a provocação: o futuro é feminino?

Leia a cobertura completa da Casa Tpm 2016: Sábado e Domingo

VERSOS DE LUTA

Poesia e resistência marcaram a abertura do primeiro dia da Casa TpmO Slam das Minas chegou no Nacional Club pedindo "abra esse boca, mulher". Mel Duarte deu a letra das regras da batalha de poesia que iria tomar o palco em seguida: cinco mulheres da plateia foram escolhidas como juradas e deram notas de 0 a 10 às apresentações de três poetas convidadas. Logo de cara Ingrid Martins reivindicou em versos a autonomia sobre os próprios peitos: "Pra deixar minhas tetas livres não preciso de aval". A plateia pirou e consagrou a poeta campeã do Slam Casa Tpm

MUITO PRAZER, ANGÚSTIA

Antes de começar o primeiro debate do dia, a jornalista Milly Lacombe convidou ao palco o publisher e editor da Trip, Paulo Lima, que contou um pouco sobre a complexa e prazerosa batalha da Tpm para ir mais fundo nas questões que realmente fazem sentido para o universo feminino contemporâneo. "Durante seis meses, ouvimos pensadores do comportamento humano para entender o que está pegando", disse. Paulo anunciou também, e recebeu os aplausos da plateia, que a Tpm terá uma edição impressa no mês de setembro.

Em seguida, o editor deixou o palco para as convidadas: a atriz Martha Nowill, a psicanalista Maria Lucia Homem, a cantora Mahmundi e a executiva e diretora do Santander, Maria Eugênia López, que, sob a mediação de Milly, conversaram sobre o delicado equilíbrio entre os prazeres e angústias femininas. "Quando estou comendo direito, malhando, me sinto angustiada. Daí começo a beber todas, sair à noite, e continuo angustiada. É uma culpa de nunca estar confortável com o que eu tenho", disse. Todo mundo deu risada quando Martha confessou: "Sou tão angustiada que pensei que vocês tinham me sacado quando me convidaram para esse debate".

A psicanalista Maria Lucia Homem chamou atenção para como o conceito de ideal atravanca nosso bem-estar. "Estamos sempre pensando se nossos relacionamentos, transas, trabalho e até filhos poderiam render mais?", reflete.

O sexo protagonizou o meio para o fim da conversa. Mahmundi confessou que o início de sua vida sexual foi bastante parecido com uma prova de química: "A gente sabe que não vai se dar bem, mas tem que fazer". A maneira como falamos de sexo é muito misturada com ilusões e "isso transforma a missão de tocar fundo no nosso desejo desconhecido uma tarefa bastante difícil", segundo explica Maria Lucia Homem. "Voce pode gozar ao ser chamada de vaca na hora do sexo", disse.

UMA IDEIA EM CINCO MINUTOS: MONICA IOZZI

A atriz e humorista Monica Iozzi lotou o salão e dividiu com a plateia os caminhos que fizeram ela se descobrir feminista. "A gente está em uma primavera de mulheres. Acho que temos que passar isso para as meninas: o que significa ser mulher." Ela contou como foi duro trabalhar em um dos ambientes mais machistas que já viu: o Congresso Nacional. "O assédio sexual e o moral andam juntos. Fica implícito que, se você é mulher, está ali para servir."

Monica disse também que ser feminista é fazer exatamente o que quiser, mesmo que seja lavar a roupa do marido. "Muita gente confunde feminismo, como se fosse o contrário de machismo. O machismo levado ao extremo mata. O feminismo, quando obtém sucesso, salva vidas", disse.

No fim da conversa, Monica falou sobre os exorbitantes dados que mostram a diária violência contra as mulheres no Brasil. "Somos o quinto país do mundo que mais mata mulheres, morrem mais mulheres aqui do que na guerra da Síria", afirma. Ela lembrou da importância de chamarmos atenção para esse assunto e revelou que já foi vítima de violência. "São coisas sobre as quais não falamos. Eu só consegui sair do relacionamento abusivo quando descobri que eu estava vivendo um."

GÊNERO, PRECONCEITO E LIBERDADE

O encontro entre a travesti, escritora e prostituta Amara Moira, a advogada criadora da rede feminista de juristas Marina Ganzarolli e o homem trans e bancário Theo Linero discutiu questões como gênero, preconceito e liberdade. A mediadora da conversa foi a atriz Martha Nowill, que indagou Amara e Theo acerca das percepções que têm do machismo, sob a ótica de quem passou por uma transição de gênero.

"Passei 29 anos existindo como homem para sociedade e nunca tinham tocado no meu corpo sem minha autorização, agora essa é uma experiência cotidiana. Para pessoas trans é uma ousadia andar na rua", contou Amara. Ela falou também sobre como perdeu privilégios. "O mundo estava aberto para mim e agora não está mais". Linero lembrou que o machismo existe também entre as mulheres. "Parece que está no DNA da sociedade a ideia de que mulheres são menos que homens. Sou um homem trans em apoio a causa feminista", afirmou.

A multiplicidade das existências possíveis de uma pessoa foi tema da fala de Marina Ganzarolli: "A gente tenta empurrar o que é diferente dos estereótipos para de baixo de tapete, mas essas pessoas existem, elas amam. Enquanto não entendermos isso, continuaremos sendo o país que mais mata travestis no mundo".

ENTREVISTA ABERTA: BRUNA LINZMEYER

O salão que já estava cheio lotou ainda mais para a entrevista de Milly Lacombe com a atriz Bruna Linzmeyer. Ela contou como a busca pelo equilíbrio entre a vontade de brincar de viver outras vidas e a possibilidade de pagar as contas marcou o início de sua carreira. "Eu ouvia de muita gente que não devia falar sobre minha bissexualidade em público porque isso afastaria trabalhos, eu tive medo de não ter grana, mas nunca deixei de beijar uma namorada na praia porque alguém poderia fotografar", disse.

Ao contrário do que previam as ameaças que recebeu, Bruna percebeu que se mostrar de maneira sincera só atraiu boas oportunidades de trabalho. "Fico feliz de perceber que o que eu falo afeta a vida das pessoas, é importante pensarmos sobre preconceito", ela disse. Sobre o machismo, disparou: "O machismo me atazana, me atravessa, faz meu estômago revirar e, ao mesmo tempo, impulsiona minha caminhada".

DROGRAS E SEU IMPACTO NA VIDA DAS MULHERES

O tema do último debate da noite foi drogas e mulheres. O jornalista Felipe Gil mediou a conversa entre Maurício Cotrim, psicólogo especializado em dependência química e ex-usuário, e Ana Paula Pellegrino, pesquisadora do Instituto Igarapé. Maurício lembrou que a população feminina na Cracolândia dobrou nos últimos anos e que, em geral, elas são mais abandonadas pelas famílias. "A família aceita o homem que quer voltar, mas a mulher fica na rua", disse. Ana Paula falou sobre como a culpabilização da mulher agrava a situação. "Mulheres consumidoras de crack têm seus filhos postos para adoção sem uma avaliação médica de como se dá aquele consumo", disse.

Para além das questões de gênero, a possibilidade de falar sobre o tema como a melhor munição contra os problemas que podem advir do uso das drogas foi defendida pela pesquisadora. "O paradigma da proibição limita a fala sobre o tema e isso é muito ruim. No caso das mulheres é ainda mais grave, é muito difícil saber as particularidades da relação das mulheres com as substâncias", concluiu Ana. 

ENTREVISTA ABERTA: JOUT JOUT

A youtuber Jout Jout pescou perguntas enviadas pela audiência nas redes sociais de um balde de metal na última conversa do dia, ao lado da jornalista Gabriela Borges, coordenadora de mídias digitais de Tpm e Trip. Para Jout Jout, estamos ladeira acima quando o assunto é liberdade das mulheres. Perguntada sobre se é possível ser homem e feminista, ela respondeu: "Eu acho que é difícil chegar onde queremos chegar sem a participação dos homens, então participem rapazes".

A plateia quis saber também se Jout Jout acha possível mudar o mundo lá fora estando dentro de tela de computador. Ela acha que sim. "Eu já recebi muitas mensagens de meninas falando “nossa, você mudou a forma como eu me sinto com o meu corpo. Em uma palestra ouvi que estava aumentado o número de denúncias de agressão contra mulher e que elas citavam o meu vídeo."

A youtuber contou um pouco sobre a relação de seus pais com sua vida de celebridade virtual. "Minha mãe achava que eu me expunha demais falando xereca na internet. Já meu pai estava preocupado porque eu abraçava muita gente na rua e ficava expostas a bactérias". No fim, ela pediu e recebeu o ahhh da plateia na despedida.

SHOW: SILVA CANTA MARISA MONTE

O primeiro dia da Casa Tpm 2017 termina com releituras dos sucessos de Marisa Monte na voz do cantor Silva. Beija eu e até amanhã! 

 

Patrocínio Master

Patrocínio

Apoio

Comunicação

Créditos

Imagem principal: Mariana Pekin

matérias relacionadas