por Redação

É preciso realmente trabalhar ”como homem” e deixar de lado a vida pessoal?

A Casa Tpm 2013 já esquentou a platéia logo em seu início no concorrido debate Trabalho - Pra que trabalhar que nem homem? Com mediação do diretor editorial da editora Trip, Fernando Luna, participaram do debate a antropóloga Miriam Goldenberg, de Adriana Alvares, diretora geral do negócio de snacks da PepsiCo, e da delegada Adriana Mendes, diretora geral da corregedoria do Rio de Janeiro.

Para Luna, o  modelo masculino que pode ter trazido o progresso, mas trouxe muito stress. Como as mulheres, cada vez mais presentes no mercado de trabalho, podem mudar isso?

Miriam disse que 90% das mulheres que ela pesquisa (classe média) estão insatisfeitas com os seus trabalhos. “O que está acontecendo com essas mulheres que quiseram tudo isso e parece que ao querem mais? É tudo muito sério, elas têm que provar o próprio valor o tempo todo, dizem que precisam fazer muito mais que um homem pra conseguir o respeito e admiração. Segundo, elas querem brincar mais, ser mais leves e o ambiente de trabalho não as permite isso, elas precisam de uma postura mais séria. E terceiro: mais do que os homens, elas têm muita dificuldade de dizer não, por isso acabam atendendo todas as demandas e não conseguem dizer não.”

A executiva da PepsiCo afirmou que sempre foi muito blindada na questão de gênero, não levava isso em consideração que me limitasse ou empurrasse. Mas que num primeiro momento buscava agradar e nesse processo acabava aceitando fazer muitas coisas. “Hoje em dia o problema é falar não pra mim mesma. É um processo, aquela coisa de se sentir bem na sua pele”, disse Andreia. A delegada Adriana até hoje, depois de 15 anos de carreira, sente essa dificuldade. “Eu tenho que me desdobrar o maximo pra resolver aquilo, e se eu não consigo digo para passar pra outro colega. mas normalmente eu digo sim e ‘faço, resolvo’”.

“Há agora uma urgência de ter um trabalho associado ao prazer, ao lazer e a leveza. Para as mulheres da minha geração, o trabalho realmente acabou sendo algo que tinha que ter um tempo, dedicação e investimento muito grande, assim como o reconhecimento e a independência finaceira. Acabou fazendo com que as outras coisas, fundamentais, se adaptassem ao foco, que é o trabalhom mas gerou também uma insatisfação enorme.", disse Miriam.

Escolhas

Miriam pontuou: "qual a grande diferença da geração das nossas mães? Ela tinha poucas escolhas, tinham que ser donas de casa ou ter uma profissão muito feminina: professora, enfermeira etc. Hoje, como nós temos muitas escolhas, temos um paradoxo: nós podemos ser mais livres, mas não conseguimos. Porque a mulher brasileira tem uma coisa diferente das outras culturas que eu pesquiso: quando uma alemã decide ter um filho, larga o trabalho e o estudo e o Estado ajuda a ter o filho, e depois ela volta para o mercado de trabalho. Aqui não existe isso. A mulher brasileira hoje quer ser independente, não abre mão de ser mãe, ela quer ter um marido e quer isso e ainda quer ser magra, que é fundamental. Se você for tudo isso e não for magra... esquece. Então, a mulher brasileira é uma mulher de somas. Por isso, ela tem mais escolhas, mas não é tão livre. Porque ela quer tudo e um pouco mais. É difícil ser livre quando se quer tudo. você acaba sendo prisioneira da suas escolhas."

Adriana disse que a carreira de delegada a seduziu pela ideia de ser uma profissão ligada necessariamente à figura do homem. "A gente falou que quando a mulher ia entrar no trabalho, a gente ia trabalhar como um homem e em casa nada ia mudar. É claro que isso não ia dar certo.", disse Andreia.

"Precisamos mudar o verbo 'ajudar'. Enquanto quisermos que os homens nos 'ajudem' em casa, nunca teremos parceiros para dividir, e não ajudar." concluiu a antropóloga Miriam Goldenberg.

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