por Antonia Pellegrino
Tpm #146

O melhor de tudo é aqui, agora e bem assim como estamos!

Putz, essa música é foda.

Me deu vontade de já estar no show do Metronomy, que vai rolar daqui duas semanas.

Bom mesmo seria o Metronomy tocando aqui, na sala de casa, ao vivo.

Só eu e você, dançando. Um puta som.

Melhor ainda seria se eles tocassem pra gente, e a Bel e o Raul estivessem aqui também.

E as crianças estivessem na casa da avó e a gente pudesse dormir até tarde, porque se jogou na balada.

Sensacional! Mas e se nós estivéssemos em Nova York, com a Bel e o Raul, indo pro show do Metronomy?

E as crianças?

Na casa da avó para a gente poder se jogar na balada e dormir até tarde.

Agora bombou! Mas, já que é pra ser foda, foda mesmo, acho que seria se esse show fosse naquele estacionamento atrás do restaurante do porto, em Fernando de Noronha, sabe?

Aquele que tem um lounge com uma tremenda vista?

Esse mesmo.

Mas no estacionamento?

Tudo tem vista pro mar em Fernando de Noronha. Pensa: uma noite de lua cheia, o show ao ar livre.

A Bel e o Raul...

Claro!

As crianças na casa da avó...

A gente podia dar um mergulho depois do show.

Ou durante! A água quentinha, o Metronomy tocando, uma bela champa, aquele ceuzão. Foda. A foda das galáxias.

Agora danou-se, porque o show do Metronomy, daqui duas semanas, por melhor que seja, nunca vai ser tão bom.

Você já comprou os ingressos?

Há séculos.

Mas ainda assim eu quero ver.

Você acha que vale a pena? Não vai ficar meio flop, pelo menos pra nós dois?

Mas é o que tem.

É.

E a gente se amarra em ouvir Metronomy, só nós dois, em casa. Sem gente pulando, suada, dançando com a bolsa em cima de nós.

Na verdade, eu nem gosto mais tanto de show, por causa desse tipo de coisa. E de gente bêbada.

E tem o lance do meu ouvido, que, depois daquele problema no mergulho em Noronha, me deixou meio incomodado pra música alta.

Mas, se eles tocassem ao vivo aqui em casa,possivelmente a música seria bem alta.

Então talvez o melhor mesmo fosse só a gente, ouvindo um disco do Metronomy, em casa, num som tipo Bang.

E as crianças?

No quarto.

E a ideia de se jogar na baladinha?

A gente não fica mais de ressaca, amor, a gente fica doente. E triste sem as crianças por perto.

Fato.

Então o melhor de tudo é a gente aqui, na sala de casa, tomando uma cerveja de leve, ouvindo o disco do Metronomy tocar no nosso puta som Bang, com as crianças dormindo no quarto.

Mas isso é o que tá acontecendo agora.

Antonia Pellegrino, 35 anos, é reoteirista e escritora. Autora do livro Cem ideais que deram em nada e ganhadora do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro pelo roteiro do filme Bruna Surfistinha. Seu e-mail: a.pellegrino@terra.com.br

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