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Duas engenheiras e uma economista contam como é atuar em setores predominantemente masculinos, os desafios que enfrentaram ao longo da carreira e as conquistas que abrem caminho para outras mulheres que querem seguir seus passos

Por Redação 31 de julho de 2020 Compartilhar

No imaginário popular, poucos ambientes são mais masculinos do que um canteiro de obras. Qual mulher nunca atravessou a rua ao ver um grupo de homens reunidos nesse cenário? A boa notícia é que o mundo e seus velhos estigmas estão mudando: hoje, há mulheres que não só não atravessam a rua, como ainda lideram esse mesmo grupo de homens. Fernanda Trevisol é uma delas. A coordenadora de obras da MRV está à frente de diversos empreendimentos e, ao longo da sua carreira de engenheira, já sofreu na pele o machismo, mas, hoje, tira qualquer desafio de letra. "Cansei de ouvir 'Calma, linda', mas, em vez de me desestimular, esse tipo de coisa me dava força para responder à altura e impor respeito", ela conta. 


Também engenheira civil da MRV, Audrey Miyoko Yamato não se intimidou nem quando pisou pela primeira em sua sala na faculdade, onde as mulheres representavam menos de 10% dos alunos. "Éramos apenas quatro mulheres entre muitos homens. Mas eu tinha muita convicção do que queria, estava no lugar certo", diz. 


Dentro do escritório, muitas profissionais também precisam batalhar pelo seu lugar ao sol – e as que chegam lá lidam frequentemente com diversos obstáculos, além de terem que se esforçar em dobro. Para a gestora de planejamento financeiro da MRV Amanda Prates, essa é uma sensação que a acompanha desde os primeiros anos da faculdade de economia. "Sempre senti que nós, mulheres, mesmo sendo as melhores alunas, precisávamos nos esforçar mais que os homens para receber o mesmo reconhecimento e atenção", conta.


Mas, claro, mesmo entre os desafios que mulheres que decidem seguir carreira em mercados tido como masculinos enfrentam, há recompensas – e não só para elas. Como dissemos lá em cima, o mundo está mudando, mesmo que a passos lentos, e mulheres como Fernanda, Audrey e Amanda lutam na linha de frente para garantir que mais mulheres tenham direito à igualdade no ambiente de trabalho e o direito de ocupar o lugar que elas quiserem. 


A seguir, as três profissionais compartilham suas trajetórias. 


Amanda Prates, 30 anos, Belo Horizonte

Gestora de planejamento financeiro da MRV

Créditos: Arquivo pessoal

"Sou do interior de Minas, nascida em Coração de Jesus e criada em Lavras, no sul do estado. Desde pequena, pelo exemplo da minha mãe, entendi que precisava trabalhar e ter autonomia e independência financeira. Como a matéria que eu mais gostava no colégio era matemática, também decidi que iria para a área de Finanças. A partir daí, defini como meta estudar Administração na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) porque eu sabia que, vindo para a capital, eu teria mais oportunidades do que no interior. Fui me preparando para o vestibular, e, no dia da inscrição, decidi mudar minha opção de curso para Economia. 


Minha turma era composta por muito mais homens do que mulheres e ficou claro desde o início do meu curso que nós, meninas, tínhamos que nos dedicar muito mais até para sermos 'enxergadas'. Não à toa, as melhores alunas eram mulheres. Esse foi um padrão que me acompanhou por toda a minha trajetória. 


Há 8 anos, fui fazer estágio na MRV e, desde então, passei por 3 áreas diferentes antes do Planejamento Financeiro. Minha carreira foi muito intensa e diversa e considero que tive sorte. Estou trabalhando pela primeira vez com uma líder mulher, mas tive líderes homens que felizmente não tinham um comportamento machista. 


Como feminista e bastante engajada no assunto, tenho consciência de que machismo é uma questão estrutural, entranhada no subconsciente de todos, mulheres e homens. Eu mesma reproduzo, sem perceber, comportamentos machistas às vezes. Hoje entendo com mais clareza que muitas situações pelas quais passei foram caracterizadas por um comportamento machista, ainda que não tenham sido intencionais.


Tenho percorrido uma jornada de autoconhecimento há alguns anos que vem me ajudando a desconstruir essa masculinização que defini para mim mesma profissionalmente e aprendi que são minhas características femininas que podem me tornar uma profissional e uma líder ainda melhor. Se eu comparar a Amanda de 8 anos atrás, quando comecei minha carreira, com a Amanda de hoje, vejo uma mulher que tem muito mais segurança do lugar que ocupa e cujo principal compromisso é se reconciliar com sua essência feminina."


Fernanda Trevisol, 30 anos, Cuiabá

Coordenadora de obras da MRV

Créditos: Arquivo pessoal 

"Sou gaúcha, nascida em Frederico Westphalen, mas minha família mudou para o Mato Grosso quando eu tinha 5 anos, então já me considero quase mato-grossense. Na escola eu tinha facilidade nas matérias de exatas e gostava muito de desenho. No ensino médio, tive um professor de Física, minha matéria favorita, que era engenheiro civil, e acho que isso me inspirou. Fui pesquisar mais sobre a profissão, me identifiquei com aquilo e tomei a decisão. Entrei na faculdade de Engenharia em 2008 e ali comecei a perceber o quanto a profissão era masculinizada: em uma turma de 50 alunos não chegávamos a 15 meninas. Mas, na época, eu não tinha problema com isso, considerava que tinha uma natureza supostamente 'masculina', era um pouco bruta e pretendia levar a vida em pé de igualdade com qualquer homem. No quarto ano de faculdade comecei a estagiar na MRV e, no fim do curso, passei no processo seletivo para trainee na empresa. Depois desse período, assumi minha primeira obra como engenheira júnior, em uma fase que minha regional estava passando por mudança de gestão, mas que foi importantíssima para o meu crescimento, tanto profissional como pessoal. Fui evoluindo até ser promovida a coordenadora de produção, cargo que exerço hoje.

 

Acho que todo o começo de carreira é difícil, você chega recém-formada em um canteiro para liderar, mestres, pedreiros, carpinteiros, que muitas vezes têm mais tempo de profissão do que você tem de vida. E, apesar de saber a teoria, no começo você fica com mil dúvidas e inseguranças sobre a prática, mas precisa conquistar o respeito e a confiança daquela equipe. Sempre fui muito firme nos meus posicionamentos e levava tudo em pé de igualdade, mesmo às vezes ouvindo os clássicos: 'Não, querida', 'Calma, linda', que, conscientes ou não, são formas de nos inferiorizar. Mas, para mim, só davam mais força para eu me tornar um profissional melhor. Quando me tornei coordenadora, passei a liderar os meus então colegas, meu time de engenheiros, e, no começo, tive que passar por um novo período de conquista de confiança. E acho que o maior desafio foi a gestão de pessoas com personalidades tão distintas, entender e imprimir um estilo de liderança para tirar o melhor de cada um.

 

Enfrentamos, ao longo da vida, diversos tipos de preconceitos, não só de gênero, mas seguimos buscando e conquistando arduamente espaços que há décadas vêm sendo batalhados por mulheres. Não existem 'profissões masculinas' e sim profissões que foram masculinizadas pela sociedade ao longo de anos, mas, hoje, existem cada vez mais mulheres competentes, decididas, fortes e singulares ocupando o seu lugar. Na maioria das vezes uma mulher assertiva é vista como mandona, enquanto um homem com a mesma característica é admirado e visto como um líder natural. E daí? Não podemos nos deixar intimidar por rótulos, é muito importante que as mulheres se apoiem e deixem claros seus objetivos e suas aspirações, deixando marcas de afeto, força e confiança."



Audrey Yamato, 28 anos, Rio de Janeiro

Engenheira civil da MRV

Créditos: Arquivo pessoal

"Sou natural de São José dos Campos, em São Paulo, mas hoje moro no Rio de Janeiro. Por muitos anos achei que seguiria a carreira de bailarina, iniciei os estudos de balé aos 2 anos, dancei no profissional na adolescência, ministrei aulas em academias e em escolas para crianças. Porém, no meu último ano do ensino médio, percebi que estava no momento de escolher de fato o meu futuro. Sempre me saí muito bem na área de Exatas, então decidi fazer engenharia civil, que sempre me encantou.


Entrei na faculdade em 2010. Na minha sala, as mulheres representavam menos de 10% da turma. Mas isso nunca me assustou. De alguma forma, eu tinha convicção de que estava no lugar certo. No fim do semestre, comecei a estagiar na MRV. Eram pouquíssimas mulheres trabalhando em obra na regional de São Paulo, mas fui bem acolhida e tratada com igualdade na minha equipe. Com o tempo, fui aprendendo todos os processos da obra e, assim, conquistando o respeito de todos. Fui classificada para auxiliar de engenharia e no final da faculdade surgiu a oportunidade de transferência para o Rio de Janeiro, juntamente com minha nova função, Engenheira. Estou atualmente na minha terceira obra e, com 10 anos de casa, considero que este é só o começo da minha trajetória."

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Conteúdo elaborado pela equipe da Tpm

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