por Marcos Candido

Projeto de fotógrafo de São Paulo faz do corpo uma matéria prima

A arte de Guilherme Castoldi se expressa em conjunto com a penumbra, espelhos, lanternas e, principalmente, corpos nus. "Tento fazer do corpo uma matéria prima, depois o deformo, desconstruo. O transformo em outros significados - às vezes, em objetos. Em outras ocasiões, em um sentimento", diz.  O resultado desse olhar gerou o Toda Nudez Será Cá Instigada, projeto que o fotógrafo iniciou em 2014 - e que ainda não tem data para encerrar. "No ano que vem, quem sabe, penso em lançar um livro".

Tudo começou há cerca de dois anos, quando um curso sobre foto e nudez inspirou Guilherme, de 32 anos, a buscar luzes menos clássicas para aplicar à sua fotografia. Ele procurou objetos não tão convencionais, como lâmpadas de árvores de Natal, lanternas e itens que seus modelos trazem ao set, para retratar o nu. "Eu e os fotografados vamos construindo em conjunto", explica. O resultado são corpo não-uniformes, embaralhados com pessoas nuas, luzes e sombras. 

Hoje, o Toda Nudez Será Cá Instigada conta com mais cinquenta fotos e modelos. O curioso nome nasceu como uma provocação após o Facebook deletar a conta em que o fotógrafo publicava as primeiras obras da iniciativa, cuja alguma das imagens foram feitas em parceria em curso com o fotógrafo Gal Oppido. As redes, entretanto, não foram suficiente para boicotar a ideia. Em poucos meses, por um motivo nobre, o Toda Nudez foi exposta numa galeria de arte em São Paulo, há dois anos. "Na época, tive meu equipamento roubado. Então, fiz a exposição para arrecadar fundos", conta.

"O que mais gosto na fotografia é a liberdade", explica. "Na maioria das vezes, é uma ida a lugares muito criativos, e até físicos, mesmo. Consigo viajar com a minha fotografia".

Vai lá: instagram.com/guilhermecastoldi

matérias relacionadas