por Marcos Candido
Trip #263

Um tubo de vento que simula voos de wingsuit pode tornar o esporte menos fatal? A resposta vem lá da Suécia

Vem da Suécia uma ideia que pode diminuir o número de acidentes fatais no wingsuit. O LT1, um túnel levemente inclinado na horizontal, tem potência para lançar ventos de até 70 km/h e oferece uma experiência bem próxima ao esporte no ar livre. De acordo com os criadores, no LT1 quem já faz saltos de wingsuit terá um espaço de treinos e quem é leigo poderá voar pela primeira em condições mais regulares. "O teto, o chão e as paredes ficam próximas e auxiliam o atleta a melhorar o controle e a segurança para quando forem para céu aberto", afirma o diretor de marketing Jonas Tholin. "A sensação é bem parecida. Claro, a paisagem muda um pouco", brinca.

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Para colocar a ideia na prática, os empresários adaptaram um túnel de vento criado para testar jatos militares nos anos 40. Além disso, um método secreto e patenteado pelo grupo segura o atleta no ar e impede o choque contra as paredes. "Nós chamamos profissionais para fazer alguns testes e eles nos disseram que nem eles tinham noção de como voavam diferente do que imaginavam", conta Jonas.  O experiente Jarno Cordia, convocado para os testes, já considera ministrar cursos dentro do tubo.

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Não é à toa que o LT1 é apresentado como uma uma maneira de aprimorar o voo em céu aberto. Já é consenso, entre atletas, que o wingsuit é perigoso. Só no ano passado, 37 pessoas morreram praticando o esporte, em choques contra árvores ou morros, ou por falhas no equipamento. Nessa conta, há sete brasileiros. Para explicar a alta letalidade, a avaliação mais comum feita por praticantes é de que não há um treino específico. Quem voa costuma pular de aviões, modalidade conhecida como skydive, ou ser adepto do BASE jump – é na união do wingsuit com BASE jump que a maior parte dos acidentes ocorrem. Nem sempre o praticante tem experiência suficiente para usar as duas técnicas ao mesmo tempo e sair vivo.

Segundo o multiesportista Luis Roberto Formiga, o LT1 pode servir para se acostumar com um wingsuit novo, mas ainda não é suficiente para diminuir acidentes. "A saída do salto é um dos momentos mais perigosos, e as manobras bem próximas ao chão são as que mais causam colisões", explica Formiga. Para o atleta, a falta de treino não é o combustível para as fatalidades. "É da natureza do esporte. As mortes são causadas pela busca insaciável da performance e de tentar voar por rotas cada vez mais próximas dos obstáculos", diz. No ano passado, a lenda Alexander Polli morreu após um salto nos Alpes Suíços; outros atletas experientes, como o brasileiro Fernando Brito, também morreram em 2016.

A intenção dos suecos é abrir para o público e licenciar a tecnologia do LT1 para abrir filiais ao redor do mundo, nos próximos meses.

Créditos

Foto principal: Divulgação

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