por Totó

No zen budismo, samu é a capacidade de meditar enquanto se está ocupado. É também o nome da principal equipe brasileira de canoa havaiana

Há 05 anos, no verão de 2009, o então representante comercial Roberto Teixeira Campos remava tranquilamente na represa de Guarapiranga em São Paulo a bordo de uma prancha de stand-up paddle, quando foi abordado por uma embarcação do corpo de bombeiros, responsável pela segurança aquática do local, e gentilmente convidado a se retirar da água, segundo eles ‘’por estar usando um equipamento inadequado’’.

Faltava informação, o SUP (sigla de stand-up padde) ainda estava engatinhando, os circuitos e seus campeões ainda não haviam sido declarados, a estrela global ainda não pousava de biquini sobre a prancha na revista de celebridades,  tudo era novidade e a trajetória do outrora representante comercial acabou se confundindo com o desenvolvimento do SUP e da Canoa Havaiana no país, esportes que andam lado a lado devido a origem e a técnica.

Roberto Campos, graduado em Educação Física, munido do diploma e da habilidade com os remos, identificou no esporte a visão de futuro que estava buscando. Foi até a Raia Olímpica da USP e procurou a ajuda dos professores Alessandro Matero e Sergio Pietro, do Clube Matero de canoagem havaiana e SUP, para aprimorar a técnica e assimilar a didática das aulas.

Em pouco tempo já era mais um professor no quadro para atender a crescente demanda do clube. Esse foi o primeiro de muitos outros trabalhos que vieram a desenvolver juntos.

Na mesma época, foram procurados pelo pessoal do Yatch Clube Paulista -sediado na Represa de Guarapiranga-, afim de introduzirem a expertise da Canoa Havaiana e do SUP no clube. O Yatch Clube Paulista é a ‘casa’ do velejador e medalhista olímpico Bruno Prada,  portanto um clube com tradição enorme nos esportes a vela. O briefing deles era bem claro, queriam introduzir o SUP e a Canoa afim de rejuvenescer o público frequentador e animar os sócios a irem pra água nos dias sem vento. Foi ali que tive a primeira percepção de que o velejador é um bicho igual ao surfista, a falta dos ventos ou das ondas é sinal de marasmo. O processo começou a dar certo e logo o YCP disponibilizou sua estrutura de competição para a formação daquela que seria a equipe mais forte de Canoas Havaianas no Brasil até então. 

Capitaneados pelo experiente professor e técnico Sergio Pietro, bi-campeão mundial de rafting, a equipe do YCP reunia alguns dos melhores remadores do país e logo começou a enfileirar títulos como parte de sua rotina. Os treinamentos eram rigorosos e toda estrutura de apoio a disposição proporcionavam um horizonte magnífico pela frente.

Não durou muito e por uma série de razões, Pietro se mudou de mala e cuia para a outra margem  da represa. Deixou a semente plantada no YCP e foi tratar de regar uma nova na Team-Brasil, sediada na margem oposta, na Avenida Atlântica (antiga Robert Kennedy). 

Se por um lado o YCP é a casa de Bruno Prada, a Team Brasil era a base de Paulo dos Reis, velejador de windsurf e campeão mundial da classe Fórmula.

A principal oferta da Team-Brasil para seduzir Pietro, além da estrutura  necessária, era a autonomia na condução do projeto com as canoas e foi aí que ele conseguiu ir mais longe. Fundou a equipe SAMU reunindo antigos integrantes da equipe original e promovendo alguns ajustes no time.

O nome SAMU vem do zen budismo para descrever umas das atividades de meditação enquanto se está ocupado fazendo algo, esse algo pode ser desde lavar louças na pia até uma caminhada rumo a próxima reunião. Significa esvaziar a mente e fazer o que tem que ser feito, focando exclusivamente no trabalho.   

Isso é o que eles dizem nas redes sociais - a página da SAMU tem mais de 2.000 fãs e a equipe se tornou altamente profissional-,  a boca pequena, entre amigos, comentam que criaram o nome pois cada um que sobe na canoa para remar com eles,  sejam nas provas ou nas travessias, desce passando mal devido ao ritmo frenético e excesso de esforço a ponto de querer chamar a ambulância, no caso a SAMU.

A SAMU no Brasil atingiu o ‘state of art’ que só os grandes campeões são capazes, de fazer o difícil parecer fácil, da vitória ser parte da rotina e tratando a derrota como excessão. Está para as Canoas Havaianas no Brasil algo parecido com o que a escuderia Red Bull esteve para a F1 nesses últimos anos. Ou seja, ganharam tudo. Tetra-Campeões Brasileiros, campeões da tradicional Volta a Ilha de Santo Amaro, Vice Sul Americano e assim por diante.

De posse desse legado, Pietro gentilmente tira seu time de campo - somente esse  final de semana - para organizar a Sampa V6 Race, prova de Canoas Havaianas OC6 (06 lugares) disputadas durante dois dias pelas principais equipes do país nas categorias estreante, open, feminino, master e super master. A prova será realizada na base do clube Team-Brasil, na rua Velho Monjolo, travessa da Avenida Atlântica na altura do número 3000 pra quem vem do sentido centro-bairro, na margem da represa. O evento é aberto ao público com estacionamento no local.  Lá você encontrará um pedacinho da cultura havaiana bem no meio da selva de pedra, poderá conhecer além de Pietro e sua trupe, o ex-representante de vendas e atual instrutor e gestor da comunidade SUP In Sampa Roberto Teixeira Campos, e se algo der errado dentro d’agua, poderá contar com o suporte do corpo de bombeiros, fazendo resgates e salvamentos a bordo de pranchas de SUP. 

 

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