por Bianka Vieira

Transbordando sensualidade e delicadeza, os ensaios da fotógrafa brasiliense transformam-se em um culto ao que há de mais feminino

Um corpo despido, uma boa iluminação e uma câmera. Isso é o que basta para Raquel Pellicano, 29 anos, arrebatar qualquer um que veja suas fotografias.  “Gosto de passar a sensação de que a foto aconteceu naturalmente, que tinha algo lindo para fotografar e eu dei a sorte de estar presente. Dizem até que parece que sou casada com as mulheres", conta a brasiliense. E com razão. À meia luz, em algum cenário pouco ou nada produzido, suas garotas transbordam sensualidade e delicadeza naquilo que se transforma num culto ao que há de mais feminino. 

Ter alguns minutos da atenção de Raquel não é bem uma tarefa fácil. Dividindo-se entre ensaios, aulas (ela também é professora) e os cuidados com sua galeria, a Espaço f/508, seu tempo é quase todo ocupado pela fotografia — coisa que Raquel sequer poderia imaginar há oito anos. "Muito fotógrafo começa a fotografar jovenzinho, com aquela história de ganhar a primeira câmera dos pais, mas eu comecei depois de muito tempo", diz. A prática veio mesmo como profissão: formada em artes plásticas pela Universidade de Brasília, Raquel conta que seu pai temia que pudesse ser difícil sobreviver só de arte. "Ele disse que ou eu virava gente grande e aprendia a ganhar dinheiro, ou virava funcionária pública. Não tive muita opção." 

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Ainda que seja evidente, Raquel prefere encarar a sensualidade presente em seus ensaios como uma consequência. Para ela, direção e composição são ainda mais fundamentais. "Muito fotógrafo dessa área acha que, pelo simples fato da pessoa estar lá, nua, a foto já está pronta, quando na verdade ele também precisa trabalhar muito.” Mesmo assim, ela respira aliviada pela praticidade adquirida. "Por muito tempo, trabalhei em agência de modelo e não gostei nem um pouco. Exigia uma equipe muito grande com stylists, maquiadores e o que mais você possa imaginar. Já o nu não demanda nada disso. Você só precisa de uma pessoa, tato e uma boa luz”, afirma. 

Questionada sobre o significado do nu em 2017, Raquel gosta de defini-lo em uma só palavra: liberdade. Mas ela sabe da responsabilidade que é ser mulher e querer posar. “É uma decisão muito complexa. Envolve você lidar com assédio, homens babacas e ouvir muita merda. Admiro quem leva o nu com naturalidade e leveza e abstrai esse lado chato de posar nua.”

Vai lá: raquelpellicano.com

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Créditos

Imagem principal: Raquel Pellicano

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