por Vinicius Ferreira

Fomos conhecer o Soul Sul Funky, coletivo de rap underground na zona sul de Curitiba

A zona sul é a região que mais cresce em Curitiba. Chega gente de todo o canto do Brasil para morar nesta parte da cidade, bem fora do eixo central — e bem diferentes da visão urbanizada que se tem da capital paranaense. É neste extremo da cidade que fica o Tatuaquara, onde mal havia infraestrutura básica até a década de 1990. O nome significa “toca de tatu”, em Tupi, mas o bairro tem um outro apelido: “Tatuquaristão”, como me diz o rapper N.I.T, um soteropolitano que vive aqui.

Muitos dos moradores trabalham nas fábricas ao redor, na Cidade Industrail de Curitiba e em Araucária, município ao lado que abriga o segundo maior parque industrial do Paraná, atrás apenas de Curitiba. Vivem com vista para as mesmas, como a Refinaria Presidente Getúlio Vargas, da Petrobrás, soltando labaredas quando funciona a todo vapor, e entre todos os problemas e estigmas de outras regiões periféricas do Brasil. 

É nesse ambiente que um grupo de MCs e DJs ativos na área criou, no começo do ano, o coletivo de rap underground Shock Sul Funky, que fomos visitar no Tatuaquara. Andando por vários cantos do bairro para fazer fotos dos membro da crew, caminhando ou de carro, eles sempre cumprimentavam alguém conhecido e paravam para trocar uma ideia rápida afim de atualizar a vida um do outro.

Numa dessas paradas, no Morro da Brisa, umas viatura da polícia chega, os policiais olham bem para todos nós e sem qualquer receio de mostrar seu status de poder, exibem um rifle. Imediatamente, todos baixam a cabeça e eu digo “boa tarde”. A viatura segue. “Se tu não tivesse aqui pode saber que a história seria outra", diz Renanzilla. “Eu nunca vi disso, basta tu cruzar pelos caras que já é motivo para uma abordagem, e se tu estiver sozinho então, vixe.” Para Netoriouz, isto é uma das coisas que ajuda a fortalecer a cena underground, gerando mais consciência de união e frases para as rimas.

Rimas que vão em cima de samples de funk e soul dos anos 70 como Charles Bradley e James Brown. Para Jeff P, um dos DJs da crew, estas músicas exibem uma “forma de se expressar era com o coração mesmo, uma positividade em meio as dificuldades”. É essa emoção que ele quer resgatar. O Shock Sul Funky lançou duas músicas em fevereiro e pretendem lançar uma série de singles e EPs, principalmente de músicos da região sul de Curitiba. Mas sempre com uma mensagem de “evolução favela”, afirmam Subfive e Netoriouz, de “pensar pra frente”.

Vai lá: soundcloud.com/shocksulfunky

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