por Luiz Alberto Mendes

Temos que acabar com esse sonho ridículo que, levianamente, chamamos de liberdade

Todo meu desejo é de que nós todos nos lasquemos.

De coração, confesso, desejo que nós nos machuquemos muito.

Parece que é preciso que nos doa tudo, que magoe e fira profundamente.

Não teremos chances caso não haja muito sofrimento.

Depurados, filtrados e amassados como pão; vamos adquirindo forma, vontade e conteúdo.

Desfeitos e desconstruídos, cansamos de viver preocupados com o que virá, resolvemos nos vender para o presente ostentado.

Não podemos mais existir apenas porque somos mais vistos.

Temos que acabar com esse sonho ridículo que, levianamente, chamamos de liberdade.

Escapar dessas vontades impiedosas que nos foram incutidos e nos submetem à sua injusta e desumana práxis.

No mínimo, não podemos cometer os mesmos erros de sempre.

Mas como se tudo o que temos conseguido foi caminhar para os próximos erros?

Mas de quem é a culpa?

Nossa?

De todos ou de quem mais?

LEIA TAMBÉM: Todas as colunas de Luiz Alberto Mendes na Trip

Do tempo, essa configuração desnecessária, produtora de mitos

Que, lá do fundo, da penumbra dos traumas, inventou também a dor do passado, o preço do presente e o vazio do futuro.

Não nos mostra que, somos apenas aqueles que deram casa e comida aos valores que permitimos que nos invadissem.

De quantas mortes temos morrido?

Sem noção, sinto na pele todas as mortes em vida que tenho vivido.

Insano, indócil e tenho a alma imersa em desordem.

Coragem não me falta; careço desse risco,

O desafio me fascinava e creio que estou pronto para o que há de vir.

Como o pão do início, já fui suficientemente malhado, julguei pensar profundo e ainda era parco e raso.

Então, à ausência momentânea de algo que possa me apaixonar

Descanso penso e cresço.

matérias relacionadas