Nosso repórter mergulha no sexo tântrico e descobre o orgasmo cósmico

Em busca de orgasmos transcendentes, centenas de pessoas procuram o Centro Metamorfose para massagens e cursos tântricos. Trip tirou a roupa, chegou ao clímax e descobriu que Deva Nishok e seus alunos não querem apenas mudar o sexo. Querem mudar o mundo

Quando Vera tirou minha blusa, abaixou minhas calças e me deixou nu, eu não pensava em sexo. Também não pensava no fato de que eu não a conhecia nem as outras 18 pessoas que estavam, também despidas, na mesma sala. O fotógrafo da Trip circulando não me constrangia, nem me perturbava saber que eu passaria as próximas duas horas sendo publicamente manipulado pelas profissionais mãos de Vera até atingir o que prometia ser o mais forte orgasmo da minha vida. Tudo o que ocupava minha cabeça naquele momento era o fato de que aquela peculiar situação tinha tudo a ver com o pequeno Tadeu Horta, há 40 anos.

Naquele tempo, aos 12 de idade, o pequeno Tadeu tinha uma rotina secreta. Passava o dia na casa de sua tia e, assim que ela saía para o trabalho, nem pestanejava: subia as escadas com sua priminha, um ano mais velha, e começavam a farra. Foram meses de exploração sexual, livre de culpa e dos olhos moralistas da família. Deitado na cama, ou estirado na banheira, Tadeu recebia longas horas de estímulo em seu impúbere pênis. Carícias feitas com todo o capricho e curiosidade por sua prima. “Ela ficava fascinada, e muito daqueles movimentos são parecidos com os que ensinamos aqui”, conta hoje, aos 53 anos, Tadeu Horta. Ou melhor... o ex-Tadeu Horta, rebatizado em 1996 como Deva Nishok – o homem que fundou o Centro Metamorfose, criou o método de estimulação sexual que leva seu nome e se tornou referência nacional no que se chama por aí de massagem tântrica.

“Comparado com o que tenho hoje, o sexo que eu tinha era muito primitivo, muito fingimento”

Nishok tem a fala pacata e didática ao contar os detalhes de seu trabalho. E, apesar de irredutível líder de sua manada, não tem o ar de vaidosa iluminação que muitos candidatos a guru expiram nesse fértil mercado urbano da metafísica de resultados. Confiando mais na eficácia da técnica, ele prefere que a experiência fale mais alto. Fica mais fácil, assim, que os outros acreditem em sua visão da sexualidade. Algo muito além das violentas descargas de prazer que acontecem em seus centros pelo Brasil.

“Sexo para mim nunca foi tabu”, ele conta tranquilo. “Sempre procurei me aperfeiçoar, fiz parte de vários grupos de sexo. Muitos eram um surubão mesmo – e eu gostava.” Essa permissiva estrada o ensinou a desprezar o ciúme, aceitar a impossibilidade da monogamia e escoar a enorme libido – a mesma que julgava estar represada na sociedade. Ainda assim, Deva Nishok não se lembra com saudades dos tempos da orgia: “Comparado com o que tenho hoje, era tudo muito primitivo, muito fingimento”. Essa mudança em seu padrão sexual aconteceu quando Deva ainda era o Tadeu, em 1994.

Morava em Vitória quando ouviu falar de um grupo de tantra liderado por um mexicano. Muito diferente das surubas que já havia frequentado, essa turma tinha uma dinâmica bem mais rigorosa. Foi ali que descobriu, ele diz, “que o sexo pode ser muito mais profundo, intenso e maduro”. Quando se deu conta do enorme potencial da não penetração, das manobras manuais no corpo e nos genitais, ele foi fundo. Estudou textos clássicos do tantra e anatomia. E experimentava técnicas nos grupos que, ao longo dos anos, começou a formar.

Filosoficamente ele ressoava com a visão de Osho. Tanto que seguiu uma sugestão do mestre e solicitou à “sede” do culto rajeneesh que o guru fundou na Índia um novo nome para sua persona tântrica. Em 11 de dezembro de 1996, Tadeu renasceu sob o nome de Deva Nishok. Algo como “Divina Felicidade”, na tradução literal. Desenvolveu seu método, sua didática e sua própria visão do tantra. Mas focada, garante Nishok, em utilizar a liberação do orgasmo como uma forma de “criar supraconsciência, transformar a pessoa e seu comportamento”. Isso define o que ele entende por tantra e que, por conveniência, batizou de “método Tantrik”. E, desde então, toda a tara que o levou da priminha às surubas foi sublimada em uma profissão.

O Ponto Gilson
O Centro Metamorfose é uma casa de fachada discreta no bairro do Sumaré, em São Paulo, onde uma placa com uma borboleta desenhada indica: Centro para o Desenvolvimento Integral. Tudo de acordo com a proposta de “transformação pessoal”. Mas a maioria que chega por lá busca, a princípio, aprender a gozar mais forte – e a fazer alguém gozar melhor. Costumam ser seduzidos por relatos de amigos ou por grandes promessas na internet. Apesar dos textos on line incluírem uma clara afirmação do caráter transcendental do trabalho orgástico, fotos de mãos alisando pênis e vaginas em pleno processo de jorro ejaculatório deixam bem claro o que acontece nas sessões das massagens tântricas do “método Deva Nishok”.

Foi em uma dessas massagens que muita gente conheceu o centro e nunca mais saiu. Homens e mulheres que foram arrebatados pelo prazer e, como Deva, decidiram ir fundo, e fazer dinheiro, no Tantrik. Uma sessão de massagem, coisa de uma hora, uma hora e meia, custa de R$ 300 a R$ 360. Desse valor, 50% fica para o terapeuta que aplica a massagem, 30% para o caixa do centro e 20% para Deva Nishok – espécie de royalty pela técnica e pela divulgação dos terapeutas no site do Metamorfose. São 27 pessoas habilitadas por Deva em atividade pelo Brasil.

Exemplo bem-acabado é Gilson Nakamura. Recostado no sofá ele assiste a Deva dar a entrevista ao repórter. E tenta não esboçar um sorriso quando o mestre aponta para o discípulo e reconhece: “Esse aqui é o especialista em ponto G”. Gilson é dos mais dedicados membros do staff e tem uma biografia que ilustra a tal metamorfose prometida. “Sabe o que eu fazia antes de entrar aqui?”, me pergunta e já responde: “Lembra de uns caras engravatados na Trip? Eu fiz auditoria da editora há uns anos. Era contador.” Eu me lembrava da gravata, mas não de Gilson, que precisava manter uma profissional distância dos funcionários de nossa revista para fazer um trabalho ilibado. Estava há seis anos sem férias. Foi quando deparou com o site e resolveu tentar a sorte.

“Eu queria ser o rei das mulheres. Sentia falta de qualidade no sexo”, desembucha. “Tirei dois meses e meio de folga e fiz todos os cursos. Quando voltei para trabalhar, não dava mais pra mim.” Abandonou a contabilidade e se tornou um terapeuta. Frequenta a unidade do Sumaré como uma segunda casa. Lá cuida de suas clientes. Boa parte de seu mês ele passa viajando o Brasil atendendo, em flats e hotéis, mulheres saudosas por seus serviços.

Gilson é habilitado a oferecer todos os tipos de massagem do “método”. Anote: “sensitive”, focada em estimular os canais energéticos do corpo com contínuas carícias pelo corpo. “Êxtase total” é a combinação das carícias com técnicas mais intensas nos genitais para um, dois ou muitos orgasmos. A “yoni”, nome tântrico para a xoxota, em que a massagem é aplicada na dita cuja e trabalham-se glândulas, clitóris e a parte interna. E, para as mais dispostas, Gilson também oferece seus mais dedicados serviços com a “G-spot”, a massagem no ponto G – “que exige braço!”, ele explica –, na qual a mulher tem mais chances, inclusive, de ejacular.

Nishok deixava sempre claro que nada daquilo que dizia faria sentido sem que eu vivesse um orgasmo Tantrik. Sugeriu que eu voltasse no fim de semana para a mais intensa experiência oferecida: o curso em grupo. No qual, em turnos de nove horas por dia, o aluno se submete a massagens e aprende a fazê-las. Coletivamente. Vinte pessoas, para ser mais exato.

A ideia do curso não é apenas ampliar a carteira de clientes e terapeutas. Nishok tem um plano... “O único caminho é expandir. O jeito de criar uma nova sociedade”, admite. Ele se refere ao seu livro, em fase de conclusão, e ao novo site a ser lançado no primeiro semestre de 2011. Neosexo é o nome de ambos. A definição é simples: “Uma nova sexualidade para uma nova humanidade”.

Neossexualismo
Dominadora, possessiva, a mentalidade sexual hoje em dia é “inadequada”, ele diz. Por força da moral, da falta de informação, não sabemos como trabalhar nossos centros de prazer. O sexo baseado na penetração como prato principal não só é menos prazeroso como é o motor da explosão populacional que pode matar a todos. Deva é contra a família como padrão social, que perpetua neuroses e ideias como o ciúme e a monogamia. “Ninguém sabe que a mão dá mais prazer ao parceiro. Você tem muito mais recursos com seus dedos do que com seus genitais”, elabora.

Propõe criar um grupo internacional de pessoas dispostas e estimular a troca de parceiros como forma de aprendizado e satisfação. Educar as crianças a lidar com seus desejos e corpos de acordo com os preceitos neossexuais. Com mais e melhores gozos, o neosexo criaria gente mais sadia e conectada com a experiência cósmica de habitar este planeta. Por isso os cursos são cruciais. É lá que pessoas que não se conheciam no começo do dia trocam orgasmos antes da hora do almoço.

Oito e meia da manhã todos já compartilham um cafezinho. Uma mulher de Porto Alegre veio apenas para a ocasião. Nudista há muitos anos, experiente em cursos de tantra, hippie por dentro e por fora, espera encontrar algo bem mais intenso do que seus estudos sexuais lhe proporcionaram. A lista segue em distintas biografias e biotipos. Oito homens e 12 mulheres que escutam o dogma da boca de Nishok: “Não existem regras. Apenas uma: não toque no meu aparelho de som”.

Ele é o piloto da potente aparelhagem no salão onde passaremos o dia. Em seu laptop, liga uma dance music em radicais decibéis e solta fumaça de gelo seco. Nove horas de um domingo banal, e uma pista de dança varada de luz estroboscópica e raio laser encoraja aquele grupo de adultos a tirar as camisas e dançar. Gritos, pulinhos, abraços coletivos, e um orgulhoso Deva Nishok observando tudo com um sorriso.

Suados, sentamos em círculo. Nishok coloca no chão um bem fornido pinto de borracha. É com ele que vai instruir as moças a manipular os pênis dos rapazes pelas próximas horas. Ele explica como estimular a base do membro e como o clássico movimento da punheta não é o mais eficaz. Melhor deixar a glande bem exposta e, com a mão untada de óleo, fazer movimentos de pouca pressão, giratórios, em torno dela.

O discurso “cósmico” de sua fala se mistura a piadas safadas – a construção do Tantrik está ornada pela picardia que Nishok fez questão de não perder. É dessa forma, com uma segunda intenção no tom de voz, que explica que são as mulheres quem vão escolher seu parceiro para o dia. Tudo o que elas têm a fazer é tocar o braço de seu rapaz preferido.

Minha parceira, na verdade, já estava selecionada por Deva. Vera, uma voluptuosa loira de baixa estatura e muitas curvas. “Você ficou com um pitéu”, cochicha Nishok a mim, antes que eu me colocasse a postos. Exceto para dois casais de mulheres, que trocam massagens “yoni” como treinamento para se tornarem terapeutas, a primeira parte do dia é dedicada ao prazer masculino. A aula é de “lingam”, o nome tântrico para o falo, e serei uma das cobaias. Cada casal em um colchonete, distribuídos paralelamente no salão. Seguindo as instruções dadas por Gilson “Ponto G” Nakamura ao microfone, Vera e eu nos encaramos.

Enquanto soa uma música suave, cheia de ecos, ele pede em tom erotizado: “Olhe nos olhos de seu Shiva (nome tântrico para o homem), olhe bem fundo nos olhos de sua Shakti (tântrico para mulher). Veja como são olhos lindos...” Meu esforço é domar o constrangimento e encarar não Vera, mas o sentimento de inadequação daquela situação de intimidade por decreto. “Olhe bem fundo e veja que você tem à sua frente uma criatura divina.” O olho no olho segue por alguns minutos, até que voltamos ao início desta reportagem, quando Vera, seguindo a cartilha, tira minha roupa e me deixa nu. E é de pé que a massagem começa. Ao microfone, Gilson:

“Com as pontas dos dedos toque as nádegas de seu Shiva”, e assim ela começar a deslizar vagarosa e ininterruptamente suas mãos por todo o meu corpo. De olhos fechados, fica mais fácil abstrair e prestar atenção apenas nas sensações. Minha não familiaridade com Vera e meu total desinteresse por sexo em público criaram uma situação inédita na minha história sexual: a de sentir uma excitação meramente física, corporal, sem qualquer prefácio. Agora deitado, passo os próximos 40 minutos sendo alisado, sentindo agradáveis ondas de um prazer leve e constante e mantendo uma inconveniente lucidez da minha condição de jornalista.

Fala, falo
Já escuto gemidos leves pelo salão, logo antes de Gilson dar a ordem às Shaktis: “Com a mão lambuzada em óleo, faça com a palma um movimento que vai da base do pênis, quase do testículo, até a glande. Len-ta-men-te...”. É dedicada e paciente a Vera. A sensação é nova. São movimentos, torções, diferentes pressões que, combinados, dão a impressão de que não há um par de mãos ali, mas uma boca com cinco línguas. O corpo começa a ter leves espasmos, e os sentidos vencem definitivamente minha resistência – e uma fortíssima ereção vem para ficar.

O tempo passa, e ao meu lado esquerdo uma dupla de mulheres está trabalhando. A que recebe a massagem começa a gemer alto ao iniciar um orgasmo que vai durar muitos minutos. Agora grita, gargalha. Subitamente, Deva Nishok troca as músicas leves por uma batida mais forte. Liga o estrobo no salão e pega o microfone... “Agora vai, Shakti!”, grita, “Força! Vai, Shiva! Deixa vir o tsunami. Eu quero ver, porra!!!”, e bate palmas de incentivo. Era a hora de manobras mais intensas, e Vera está girando sua mão com vontade na extremidade do meu pau. Era hora do orgasmo. Em tese...

Os gritos de Deva, a música e os palavrões que muitos dos caras soltam pelo salão me desconcentraram completamente. Impossível abstrair a situação, a ereção se foi. Só quando a música baixou e uma nova série de manobras começou eu volto à experiência. E, graças à incansável Vera, estranhíssimas energias tomam meus músculos. Espasmos e tremedeiras que demoram minutos até que sinto uma onda enorme chegando. Perco o controle na hora H. Meu braço direito chacoalha involuntariamente e minhas pernas se esticam como se elas também estivessem em ereção.

A cabeça é puxada para cima por fortes pulsações na nuca. O gozo não para, nem sinto com clareza a ejaculação, que acaba de acontecer, por conta da força das sensações que se impuseram. O orgasmo passa, mas Vera não para. Segue seus movimentos circulares e puxa outro gozo compriiiiido, outra tremedeira e o mesmo descontrole motor do braço direito. E um choque elétrico interno corre em meu ombro – o segundo orgasmo vem menos de um minuto depois do fim do primeiro. Só então ela para.

Orientados por Deva, Vera e eu nos abraçamos. Um silêncio coletivo antes de todos fazerem fila para um banho em um dos muitos chuveiros do Centro. Almoço faminto com a sensação de profunda leveza. Exausto, me sentia mais saudável. Uma hora e meia depois, era minha vez de retribuir.

O começo é idêntico. Discoteca, olho no olho, e tiro a roupa da Shakti. Aliso seu corpo por cerca de uma hora com as pontas dos dedos. Gemidos femininos começam a pipocar aqui e ali. Vera está impassiva. Eu, tenso. Até que chega a hora de explorar a yoni de minha parceira do dia.

“Sabe o que fazia antes de entrar aqui? Era auditor da revista Trip”, diz Gilson, que hoje é especialista em ponto G

As instruções são técnicas e anatômicas. Tocar o períneo e o topo de sua cabeça ao mesmo tempo. Colocar as mãos em forma de prece e deslizar pela parte externa da vagina. Buscar com o dedo a glândula de Skene na parte lateral, junto aos lábios menores do órgão. Cada lugar tem um movimento, uma pressão ideal. Para ajudar os alunos, Deva e Gilson passam para demonstrar, vestindo suas bem lubrificadas luvas, onde e como fazer.

Quando a ordem é fazer um movimento com o polegar, de modo a expor e entumescer o clitóris das moças, Vera começa a tremer, abrir a boca e respirar fundo. Gilson checa e aprova. Não me excito, é mais uma sensação de dever cumprido. E vem a fase mais intensa da yoni massagem. Cada Shiva ganha um pequeno vibrador. É com ele que vamos explorar a parte de fora da xoxota e, com os dedos, a parte de dentro.

Com a moça imóvel, fica mais simples reconhecer sinais. Meio centímetro para lá, ela reage de um jeito. Meio centímetro para cá, ela está tremendo e mordendo a própria mão. Algumas mulheres já berram na sala e uma parece estar possuída, tamanho é o orgasmo que a tomou. O rapaz que a manipula está sorrindo, nu ele também. Eu, vestido, não me sinto tão à vontade. Mas quero muito ver Vera estrebuchar na minha frente.

Quando acho um ponto, e um jeito, onde Vera começa a tremer mais forte, mantenho a posição e, com um dedo livre, aumento a potência do vibrador. Ela se debate, aperta os olhos e eu reconheço nos dedos que um orgasmo se formou. Sua temperatura sobe, minha mão encharca, e ela começa a soltar gritos. Quando vem o tal tsunami. Ela se debate arqueando as costas em pulinhos como um peixe fora d’água. Seus gritos se misturam com os das outras mulheres. Parece que enquanto eu mantiver os movimentos aquela descarga não vai parar. É quando Deva sugere que eu encerre a ação.

Carne trêmula
Mesmo sem meu toque, Vera segue aos trancos. Seu gozo se estende por mais 1 ou 2 minutos até que ela para. E desata a chorar. Eu a abraço e consolo. É um choro sofrido, posso sentir. Tudo bem contigo? “Passei minha vida sem conseguir chorar. E nessas horas eu fico assim.” Depois de trocarmos longas horas de prazer e orgasmos, me despeço de Vera com o mesmo constrangimento de nossa apresentação.

“E aí, gostou?”, me pergunta Deva Nishok.

Sim, claro. Foi o orgasmo mais longo e fisicamente mais intenso da minha vida. Uma fantástica experiência. Se foi o melhor? Não exatamente. Foi também o mais longo e visualmente impressionante orgasmo que já dei a uma mulher. Foi o que mais gostei de provocar? Não mesmo. Minha escolha por participar da sessão foi jornalística, não veio de uma busca sexual. A falta de intimidade com Vera deu àqueles gozos um sabor mais fisiológico e energético do que... sexual? O que quero dizer é que orgasmos banais, frutos de uma relação íntima, antecipada, desejada, trabalhada em beijos, palavras e na privacidade de um quarto são, no fundo, menos banais. Causam não apenas tremedeiras, mas emoções subjetivas, completas.

Isso não tira o valor do método de Deva Nishok. Mais ainda, condiz com sua ideia a médio e longo prazo: levar as técnicas do curso para casa. Quero ver, mas não reportar, a próxima vez em que estiver em uma alcova, sem gelo seco, colegas e fotos do Osho, se serei um melhor amante graças às lições do Tantrik. E, cá pra nós, seria formidável que a moça soubesse algumas daquelas manobras escorregadias que me fizeram gozar duas longas vezes. Soa bem que a permissividade seja melhor que o ciúme? Que a troca de parceiros e o uso preferencial das mãos para o sexo construiria uma sociedade mais sadia? E quanto a orgasmos cósmicos, que dissolvem o seu ego e te conectam com o divino? Tô nessa! Só não me sinto, contudo, por caretice ou vocação, um membro da sociedade neossexual. Ainda me atrai, nostalgicamente, a ideia de uma mulher para envelhecer comigo. Ainda me consome o instinto ególatra do ciúme. E a monogamia, gozado... ainda me soa como a mais tola, impossível – e desejável – das utopias do amor.

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