por Lia Hama
Trip #264

Aos 36 anos, Fernando Fernandes viveu várias vidas: foi modelo, participou de reality show, sofreu um acidente de carro que o deixou paraplégico e virou tetracampeão de canoagem

Com 1,89 metro de altura e 90 quilos, Fernando Fernandes define seu corpo como sendo de um "monstro" da cintura pra cima e de alguém que requer cuidados especiais da cintura pra baixo. Foi levando a sua metade "monstro" ao limite que ele pedalou com os braços uma handbike por 200 quilômetros no deserto de sal da Bolívia; remou 150 quilômetros no rio Xingu; desceu uma corredeira com cachoeiras de até 12 metros em Minas Gerais e esquiou montanhas virgens (sem pistas de esqui) na Noruega. Os desafios extremos em meio à natureza selvagem podem ser conferidos na série Além dos limites, que estreia no dia 27 deste mês no Canal Off, e no quadro "Sobre rodas", no programa Esporte espetacular, da Rede Globo.

O atleta de aventura e repórter de TV é a mais nova encarnação do filho de comerciários que cresceu na Vila Mariana, bairro de classe média paulistana. Aos 36 anos, prestes a lançar a biografia Inquebrável (sai em junho pela ed. Paralela), Fernando faz um balanço de sua trajetória de modelo internacional a participante do Big Brother Brasil; do acidente de carro que o deixou paraplégico, em 2009, ao tetracampeonato mundial na paracanoagem; da paranoia dos tempos de celebridade de reality show ao trabalho no Instituto Fernando Fernandes Life, que ajuda crianças com dificuldades motoras a se reinserirem na sociedade por meio da canoagem.

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O momento é de transformação. Tetracampeão mundial de paracanoagem, tri pan-americano, tetra sul-americano e penta brasileiro, ele abandonou as competições de alta velocidade após uma série de embates contra o sistema de classificação que define os atletas paraolímpicos de acordo com sua funcionalidade. "É um sistema totalmente falho, que permite alguém com mais mobilidade passar para uma categoria que não deveria ser a dele e levar vantagem. O fato de eu não ter sido classificado para as Paralimpíadas do Rio 2016 tem tudo a ver com isso", desabafa.

Vida nômade

As mudanças também ocorrem na vida pessoal. Em dezembro, ele terminou o relacionamento de quatro anos com a atleta austríaca Viktoria Schwarz, campeã mundial de canoagem. "Minha maior dificuldade é seguir esse modelo que a sociedade impõe como o ideal, do casamento perfeitinho, com filhos e tudo mais. É difícil uma mulher aceitar minha vida nômade: um dia estou aqui, amanhã não sei onde vou estar. Acabo sendo meio egoísta e escolho seguir meu caminho sozinho. Mas tenho vontade de ter filhos."

O atleta teve dois encontros com a Trip: no Núcleo de Alto Rendimento Esportivo de São Paulo (NAR­SP), quando posou para as fotos destas páginas, e em sua casa térrea no Planalto Paulista, onde mora com o amigo e atleta velocista Ailson Feitosa. De sorriso largo, pele bronzeada e topete cuidadosamente esculpido à base de Hipoglós, Fernando mostrou todos os cômodos adaptados, o armário com ternos feitos sob medida pelo estilista Alexandre Won, o carro que ele mesmo dirige e o que chama de seus "brinquedinhos": duas handbikes, um monoesqui e uma coleção de 14 caiaques pendurados no quintal.

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O momento é de transformação. Tetracampeão mundial de paracanoagem, tri pan-americano, tetra sul-americano e penta brasileiro, ele abandonou as competições de alta velocidade após uma série de embates contra o sistema de classificação que define os atletas paraolímpicos de acordo com sua funcionalidade. "É um sistema totalmente falho, que permite alguém com mais mobilidade passar para uma categoria que não deveria ser a dele e levar vantagem. O fato de eu não ter sido classificado para as Paralimpíadas do Rio 2016 tem tudo a ver com isso", desabafa. 

Você tinha fama de ser um cara brigão, estourado e já foi preso por desacato a autoridade. Você se tornou um ser humano melhor depois do acidente? Sem dúvida. Fiz um monte de merda no passado, mas aprendi a canalizar as minhas raivas e frustrações. Antes eu era um cara com o sonho de ser um atleta e, de repente, aceitei fazer parte de um reality show [na segunda edição do programa Big Brother Brasil, em 2002]. Até então eu era um moleque tímido, amigo dos amigos, que gostava das coisas simples, de samba e futebol. De repente, virei o modelo do reality show, um pedaço de carne que todo mundo queria. Como lidar com aquilo aos 20 anos? Que preparo eu tinha para toda aquela exposição? Era o começo dos paparazzi de sites de fofoca. Quando saí do programa, para onde eu olhava, tinha alguém me fotografando.

Você deu uma pirada nessa época? Total. Aquilo me dava raiva, cheguei a ficar paranoico, com mania de perseguição. Saía e ficava o tempo todo olhando para os lados, achando que estava sendo perseguido. Pensava: "Caralho, que porra é essa? Todo mundo me olhando, querendo arrancar um pedaço de mim". Quando aceitei fazer parte do programa, vi a oportunidade de ganhar dinheiro, mas não pensei no que aquilo ia gerar depois. Pensei: "São 12 pessoas jogando na Loto, vou ganhar essa grana". Mas aí você percebe que está num laboratório humano. A explosão vale, o que é errado é bom. Fui me perdendo nesse percurso porque eu queria deixar tudo aquilo, mas, ao mesmo tempo, não conseguia largar o osso porque era o que me dava retorno financeiro. Eu fazia um trabalhinho e ganhava não sei quantos mil reais. Mas eu queria viver do esporte, sempre foi a minha paixão. Aí foi passando o tempo e, aos 26 anos, voltei pra faculdade de educação física. Também foi um choque porque eu era assediado o tempo todo. Acordava e sofria pensando no que ia enfrentar na sala de aula. Fiz várias faculdades diferentes – FMU, Unip e Uni Ítalo – e nunca consegui me formar.

Sua beleza chama muito a atenção. Você aprendeu desde cedo a usá-la a seu favor? Na escola, a mulherada corria atrás de mim, e eu corria delas porque eu tinha vergonha. Até os meus 16 anos eu fugia de mulher, só queria saber de bola. Sempre tive o sonho de ser atleta, mas as circunstâncias da vida foram me levando para outro lado. Aos 12, uma produtora que morava no meu prédio chamou a turma do bairro para um teste de comercial de TV. Fui o escolhido, era um comercial das pastilhas Valda. Aos 17, um booker me convidou para trabalhar numa agência em Nova York. Morei no Harlem, passei por vários perrengues, mas fiz campanhas para Calvin Klein e Abercrombie & Fitch.

Como surgiu o convite para participar da campanha mundial da Dolce & Gabbana, ao lado da Naomi Campbell, Claudia Schiffer e Eva Herzigova? Como tudo na minha vida, as oportunidades chegam assim, do nada. Eu tinha ido jogar uma altinha com os amigos na Praia de Ipanema, no Rio. O Mario Testino [fotógrafo de moda] me viu, se apresentou, perguntou se eu era modelo e se eu queria fazer umas fotos. Eu fui. Uma das fotos foi publicada na Vogue alemã, foi o primeiro nu da revista, ganhou um monte de prêmios. Depois de um ano, o Mario me convidou pra fazer a campanha da Dolce & Gabbana.

Como foi o ensaio de fotos? Achei que fosse fazer figuração para as modelos, mas fui para Paris e tinha uma limusine me esperando. Na hora em que eu chego ao estúdio, tinha um camarim com o meu nome, roupão com meu nome, não acreditei. Aí vem o Mario e fala: "Ó, te chamei porque quando te fotografei no Rio você não teve vergonha de ficar nu e nesse trabalho vai ser todo mundo praticamente nu". Me explicaram que eu ficaria um ano sem poder trabalhar como modelo porque a campanha sairia em todas as mídias e a gente abriria a Semana de Moda de Milão. Então passei um ano nessa ansiedade.

Pagaram bem? Bem menos do que para a Naomi Campbell, mas foi bom, dava para comprar um monte de Fusquinhas [risos].

A campanha estava prestes a ser lançada quando você sofreu o acidente de carro. Como você reagiu? Faltavam uns 15 dias para eu viajar para Milão, estava superansioso, me preparando para aquele momento. Meu porte sempre foi grande para a moda, então tinha que enxugar, fazer dieta. Eu comia pouco e treinava muito. Na hora em que sofri o acidente e perdi o movimento das pernas, eu falei: "Ferrou, preciso fazer alguma coisa para voltar a andar". Meu tio falou: "Calma, Nando, o processo é mais lento. Você vai fazer uma cirurgia para reconstruir a sua coluna". Fiz a cirurgia e no outro dia já tava fazendo fisioterapia. Fazia três vezes mais exercícios do que a terapeuta mandava até ter um problema. Rompeu um fragmento e subiu um calombo nas minhas costas. Os médicos falaram que eu ia ficar dez dias em leito zero, sem me mexer. Foi quando a ficha caiu que a oportunidade financeira da minha vida já era. Eu tinha me programado viver mais quatro anos da moda, viajar o mundo e voltar com o bolso cheio.

Como foi esse período deitado? Foram dez dias com medo. Fiquei o tempo todo num quarto branco, no hospital São Paulo, pensando no que ia ser da minha vida. Quando acabou, eu falei: "Bicho, o que vai ser, não sei. Não sei se vou voltar a andar, se vou viver pra sempre numa cadeira de rodas, mas tenho que me reabilitar para a vida". Aí veio uma paz. Acho que essa é uma coisa positiva que eu tenho, sei lidar muito rápido com a adversidade. Eu reajo rápido.

Você passou por períodos de depressão? Não sei o que é isso. Todo mundo me pergunta: "Você nunca foi a um psicólogo?". Minha terapia é a dor, é a força que eu sinto ao praticar esporte, é nessa hora que eu converso comigo mesmo e com Deus. Não tenho religião, mas acredito numa força superior que me inspira, me motiva e troca energia comigo. Sempre tive isso.

Qual foi o momento mais difícil que você enfrentou? Foi em 2012, quando tive uma escara [ferida provocada por pressão prolongada sobre a pele] no glúteo. Depois de uma competição no Rio de Janeiro, sentei num píer que estava quente. Aquilo fez uma bolha do tamanho de uma cabeça de fósforo. A bolha abriu, entrou uma bactéria e passei os nove meses seguintes tentando fazer a ferida fechar. Uma vez quase desmaiei durante uma palestra. Começou a baixar minha pressão por causa da bactéria que tava bombando dentro da ferida. Fiquei dois meses fazendo câmera hiperbárica – em que você entra num tubo com oxigênio, que ajuda a cicatrizar. Aquilo encapsulou a bactéria e virou uma bola. Tive que fazer uma cirurgia para retirar e passei dois meses em casa deitado, até cicatrizar. O ator Christopher Reeve, que fez o Superman, morreu por causa disso. Abriu uma escara nas costas dele, entrou uma bactéria, ele teve uma infecção generalizada e morreu. Tem mil coisas na vida de um deficiente físico que as pessoas nem imaginam.

Como foi a redescoberta do sexo depois do acidente? Era uma preocupação, se as coisas iam funcionar, e funcionaram. Acontece de várias formas, você descobre tentando. Se você se preocupa demais com o que o outro espera de você, aí você bloqueia. Agora, se eu sei quem eu sou e o que eu quero, aí é uma troca. Eu tô me entregando e a pessoa se entrega. Para mim, é o prazer carnal dentro de uma relação, a forma como você deseja a outra pessoa, o tesão pelo toque e pelo cheiro dela.

Você terminou há pouco tempo um namoro com a austríaca Viktoria Schwarz, campeã mundial de canoagem. Como era a relação de vocês? A gente se conheceu nos campeonatos e começou a namorar em 2013. No começo foi difícil porque meu inglês era horrível, eu parecia um índio falando. Era uma relação à distância: eu ia para a Áustria, ficava três meses lá, ela vinha passar férias no Brasil, depois íamos treinar juntos em algum lugar do mundo. Desse jeito funciona melhor para mim porque sinto necessidade de ficar sozinho. Tenho dificuldade com a rotina, não consigo ficar 24 horas ao lado de alguém, preciso de um respiro. Mas é difícil para uma mulher aceitar isso.

Ela queria morar junto? Ela sonhava com isso, mas eu tentava mostrar que, sendo atleta, não dá para ficar estacionado num mesmo lugar. Ela não entendia isso e acho que foi um dos fatores que nos separaram. Mas somos amigos hoje, tá tudo certo.

Como você vê a sua trajetória na paracanoagem? Eu peguei aquele esporte que ninguém conhecia e passei a usá-lo como a minha ferramenta de capacidade. O caiaque faz isso porque, na hora em que você senta nele, some a deficiência. Sempre treinei muito e levei aquilo muito a sério. Depois de um ano e um mês de lesão, fui campeão mundial de paracanoagem. Mas não adiantava ser campeão de um negócio que ninguém conhecia. Aí comecei a disseminar o esporte para o mundo. Eu levava informação para os meus adversários: mostrava como se rema, como deve ser o banco, como deve ser a adaptação etc. Pouco depois do meu primeiro mundial, foi anunciado que o esporte entraria nos Jogos Paralímpicos de 2016. A paracanoagem cresceu e foi lindo participar disso.

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Você conta que começou a ser perseguido por contestar a forma como os atletas são classificados nas categorias. O que aconteceu? Tem um aspecto no esporte paraolímpico que chama classificação funcional, que define os atletas de acordo com sua funcionalidade para estar na categoria correta. É um sistema completamente falho. Quem define em qual categoria você vai estar são pessoas que só fazem testes visuais. Se alguém com um pouco mais de mobilidade passa para uma categoria que não seria a dele, essa pessoa vai levar muita vantagem. Comecei a entrar em conflito com esse sistema, buscar formas de fazer com que fosse mais justo. Começamos a fazer estudos no Brasil e queríamos levar isso a nível mundial. Mas vi que chegava numa barreira, que aquilo era uma ferramenta política na mão de algumas pessoas que não queriam perder sua força.

O fato de você não ter se classificado para a Paralimpíada Rio 2016 tem a ver com isso? Tem muito a ver porque foram dando margem para atletas com mais mobilidade e faziam vista grossa. E eu era o cara que confrontava o sistema. Antes dos Jogos, saiu um documentário chamado Paratodos [dirigido por Marcelo Mesquita e disponível na Netflix], que mostrou como ocorre esse processo. Não aconteceu só comigo, mas com atletas de outros esportes também. Esse é um sistema falho dentro do esporte paraolímpico, que precisa melhorar. Desisti daquilo e decidi seguir em frente com outros planos. Deixei uma história, um legado, apresentei o esporte para as pessoas. Continuo representando a canoagem como um todo e competindo provas em alto-mar, maratonas com pessoas com ou sem deficiência, mas não pratico mais aquela canoagem paraolímpica.

Como foi a sensação de par-ti-cipar do desfile da Portela, cam-peã do Carnaval do Rio este ano? Foi magnífico sentir a vibe na avenida. Faltando um mês pro Carnaval, o Paulo Barros, carnavalesco da Portela, disse que tinha uma surpresa pra mim. Quando cheguei na escola, ele disse: "Tá vendo aquele carro lá em cima? Tá vendo que tem uma cobra [Boiúna, um dos seres míticos dos povos que vivem à beira do rio Amazonas] lá dentro? Essa cobra sai, abre a boca e tem uma canoa nela, onde você vai ficar. Fiz pensando em você porque você é o representante das águas no Brasil, o cara que representa o caiaque".

Como é a sua rotina de treino hoje? Durante os seis anos de paracanoagem como atleta de alto rendimento, minha vida era basicamente treinar de manhã e à tarde, sem vida social. Agora eu tô me dividindo entre produzir a série para o Off e treinar. Mantenho minha base de treino quatro vezes por semana remando caiaque na USP, quatro vezes por semana fazendo musculação no NAR e na Body Tech, e deixo os outros dias livres para a atividade que vou realizar. Por exemplo, se eu for fazer a travessia no deserto de sal da Bolívia, me dedico à handbike. Se eu for descer a corredeira, vou treinar em Brotas no fim de semana.

Como você se mantém financeiramente? Tem patrocinadores? Tenho: Nike, Loterias Caixa, Gol, Mitsubishi e Vult. Hoje a minha fonte de renda não é só o patrocínio, mas também as palestras. Faço tanto para escolas como para empresas. No começo, quando eu não tinha patrocínio, as palestras eram o que me sustentava. E era um desafio porque eu ficava pensando: mas por que as pessoas vão parar uma hora para me ouvir falar? Eu nunca achei o que eu faço algo muito grande.

Como é o seu trabalho no instituto que leva seu nome, na represa de Guarapiranga? Uso a canoagem para mostrar para uma pessoa com deficiência que ela tem condições de criar um novo caminho. A gente usa o esporte de uma forma que parece simples, mas o pouco é muito para quem está desacreditado. Nosso papel é dar um empurrãozinho. São crianças e adultos que aparecem lá para remar no fim de semana. Às vezes elas têm paralisia cerebral, deficiência física ou tudo junto. Outro dia fui convidado para a festa de 15 anos de uma das meninas que frequentam o Instituto, a Vitória, que tem paralisia cerebral. Ela sentou no meu colo e dançamos uma valsa. As amiguinhas dela eram todas cadeirantes e vibraram muito com a minha presença. Eu me vi como um representante de força ali. E é uma troca porque eu cheguei meio desanimado e saí de lá cheio de energia. São essas coisas que me motivam.

Como será esse livro que você vai lançar pelo selo Paralela, do grupo Companhia das Letras? Quando me lesionei, li o Feliz ano velho, do Marcelo Rubens Paiva. Foi importante ver a forma como ele falava abertamente sobre o que acontecia com um cadeirante. Pensei: "Cara, também preciso transmitir isso para as pessoas". Quando estava na reabilitação, depois de 20 dias de hospital, comecei a escrever em três cadernos. Acordava de madrugada e ia colocar meus pensamentos no papel. Tempos depois, encontrei um amigo de infância, o Pablo Miyazawa, e ele falou: "Nando, queria escrever um livro sobre você". O livro vai ser o texto dele com trechos dos meus diários.

Você acredita que voltará a andar? É meio confuso isso na minha cabeça, não sei… É um plano B. Logo após a lesão, pensei muito nisso. Mas aí percebi que é um processo muito mais lento e está ligado ao que eu falava no início da nossa conversa: enquanto o lesionado medular não for visto com respeito, não se posicionar na sociedade, se tornar um presidente, um chefe de uma empresa, um atleta bem-sucedido, as pesquisas com células-tronco vão continuar sendo uma questão secundária. A partir do momento em que me torno alguém na sociedade, vou discutir de igual para igual e questionar: "Por que o investimento está indo para lá e não para cá?". Porque é uma questão de investimento. A cura vai acontecer, só que é preciso colocar dinheiro para que ela se torne possível. E, para isso, é preciso mudar a forma como a sociedade enxerga um cadeirante lesionado medular. Essa é a minha luta hoje.

Créditos

Foto principal: Pablo Saborido

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