por Xico Sá
Trip #237

A atriz é ”toda linda, obra completa, pedaço de mau caminho [...]” - Por Xico Sá

 Xico Sá, o cronista-fã que assina o texto deste ensaio - e que não poupa adjetivos para este "mulherão de verdade verdadeira".

Fabiula Nascimento sabe, como me confessou, que “detalhes inusitados” – imaginárias aspinhas postas com suas belas mãos – podem fazer a cabeça dos homens, como as axilas, por exemplo. Exemplo dito e bendito por ela mesma. A tese da atriz está certíssima. Mulher, muitas vezes, é metonímia, aquela figura de linguagem que toma uma parte pelo todo, a gente mira um recorte da anatomia e ama obsessivamente. Que axilas tem a Fabiula!

Tentava entender como esta curitibana de brasileiríssima beleza e de talento profissa enxerga os olhos famintos dos homens. Além dos detalhes (inusitados) tão pequenos de nós dois, Fabiula arriscou outros argumentos:

“Opa, fiquei surpresa! Não sabia que era uma das mais sensuais aos seus olhos. Mas, pensando bem, sempre acreditei que a minha sensualidade está no meu bom humor. Acho que uma mulher bem-humorada seduz qualquer pessoa. Eu acordo pra ser feliz, sabe? Alegria transborda dos meus olhos. Me sinto linda, gosto do meu corpo.”

Sem essa de parte pelo todo, Fabiula é toda linda, obra completa, pedaço de mau caminho, como em uma letra de um bolero. Diante dela soltamos um “gostosa!!!” cuja pronúncia faz trovejar no palato, céu da boca em tempestade de testosterona capaz de inundar o sistema Cantareira. Ave!

Será que estou caindo no conto, na fabulosa fábula dos papéis sensuais da atriz Fabiula? É o avesso. Fez tais papéis porque viram na moça, além do talento, a pegada de um erotismo nada óbvio ou mentiroso. Fabiula desperta o que chamamos no botequim, vulgarmente, de paudurescência – essa epifania do macho diante do melhor dos mundos.

 

"Eu acordo pra ser feliz, sabe? Alegria transborda dos meus olhos. Me sinto linda, gosto do meu corpo" 

Com ajuda simbólica ou independentemente dos personagens. Claro que é impossível esquecê-la como Olenka, a danada da novela Avenida Brasil (2012). Aquelas unhas francesinhas ou no tom mais quente de todos os azuis, vixe. Aí sim um detalhe, parte pelo todo, inclusive naquele jeitinho mole de falar que nos remetia a outros exercícios de oralidade. 

No filme Estômago (2008), Deus nos acuda, Fabiula é uma puta glutona que me fez lembrar as travessuras de A comilança (1973), do italiano Marco Ferreri. Gostosa gostosura no melhor dos stripteases do cinema nacional de todos os tempos – e olhe que tenho milhagem na fase da pornochanchada brasileira.

Barraqueira em Bruna Surfistinha (2010), aquele tesão que temos pelas mulheres invocadas. Como amamos uma treta. E assim até a atual Boogie Oogie, na TV Globo. Esqueci outros filmes e atuações do teatro, como a Lady Macbeth, personagem dos sonhos até hoje, que fez no começo dos anos 2000, ainda no Paraná. 

Sim, Fabiula também é uma “atriz profunda curitibana”, para lembrar como o mundinho artístico do eixo Rio-São Paulo zoa e tira onda da qualidade dos atores que emergem no Guaíra, berço da moça. Talvez seja apenas a boa inveja irônica. Humor mesmo. 

Sem drama algum, relax. Repassemos a limpo. No que pergunto para este colosso de mulher: “Você é uma atriz eclética, com uma boa formação etc., mas tenho uma indagação. A fama de gostosa, que vem naturalmente com papéis sensuais, deixam a atriz ‘dependente’ desse tipo de atuação? O que pensa sobre isso?”.

"Sempre acreditei que a minha sensualidade está no meu bom humor. Acho que uma mulher bem-humorada seduz qualquer pessoa"

Fabiula manda lindamente na lata:

“Não é o meu caso. Mas isso é muito possível. Uma atriz sem foco no trabalho, que faz escolhas ruins e acredita que a beleza é eterna, pode se perder pelo caminho. Eu tento sempre ser versátil. Interpretar a prostituta glutona e sensual [em Estômago] e também a mãe de família desleixada [em O lobo atrás da porta, filme deste ano]. Nunca fiz esforço para que as pessoas me enxergassem sensual. Nunca fui atrás dessas personagens, elas simplesmente vieram ao meu encontro. Talvez por sorrir e ter cara de sapeca.” 

Taí. Sapeca. Fabiula tem mesmo uma menina sapeca dentro dela que acende o seu rosto a toda hora. Como os olhos e o sorriso de uma guria que sobe na árvore proibida. 

Fabiula cujo “u” do batismo já imprime uma personalidade. Vogal muito mais colorida do que um simples “o” bocó e normalíssimo. Sem mais adjetivos para gastar com este mulherão de verdade verdadeira, volto ao questionário do desejo: “É confortável e gostoso ser gostosa? Ou dá muito trabalho, inclusive na lida com o assédio?”. 

Dá-lhe, Fabiula: 

“Gostoso, claro! Muito bom ouvir do cara que você ama: ‘Meu amor, como você é gostosa!’. Como é legal quando um amigo gay diz: ‘Gata!!! Tu tá muito gostosa’. Mas não sou tão assediada assim. Sou séria, minhas roupas não são nada sedutoras. À primeira vista, o cara não me acha sensual. Depois de 10 minutos de papo, me pede em casamento [risos]! Entende quando eu exalto o bom humor?”. 

Só entendo. Meu amor, como você é gostosa!

Créditos

Imagem principal: Christian Gaul

Coordenação Geral: Adriana Verani/ Styling: Marina Franco/ Beleza: G Junior/ Moda: Ateen, Camila Herzfeldt, Denise Queiroz e Diogo Dalloz na Joyá, Garimppo, Loungerie e Verve/ Assistente de foto: Camila Uchoa/ Agradecimento: CasaBeludi  www.casabeludi.com.br 

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