por Douglas Vieira

Sorin flutua, ora com a literatura, ora com o futebol. Leia trecho das Páginas Negras com o jogador

"As raízes são mineiras.” Juan Pablo Sorin, 41, brinca enquanto pega um pão de queijo, servido junto com um cafezinho coado, no apartamento em que mora, em São Paulo. Nas mãos, porém, estão a cuia e a garrafa térmica. O chimarrão é bebido a cada pausa. Sorin não é de ter pressa. As características como jogador e cada vez mais como comunicador se mostram completamente ligadas à personalidade de Juanpi – assim é chamado por familiares, amigos e imprensa na Argentina, sua terra natal –, e se estende a toda a família. Elisabetta, sua filha de 8 anos, me nota olhando a estante de livros e se apressa em me apresentar quem estão nas fotos dos porta-retratos, conta histórias, diz quando foram tiradas. “Papai, onde está o livro que escrevi na escola?” Estão à vontade.

Para ele, Sol Alac, sua mulher há 18 anos, e até mesmo para Betta, receber pessoas é bastante natural. “Em Hamburgo, a gente tinha um sofá, uma televisão e umas almofadas grandes na sala, só tinha isso, e convidamos vários amigos – e alguns que depois viraram amigos – para ver um clássico da Argentina e fazer um jantar. É um jeito de se comunicar, de conhecer pessoas. A gente faz isso há muitos anos”, conta Sorin, para explicar como o programa #Se joga em casa, que ele grava na sala do seu apartamento e exibe via redes sociais, nada mais é do que a transposição audiovisual da personalidade da família.

Na primeira temporada, passaram pelo sofá de Sorin Seu Jorge, Criolo, Marcelo D2, Andreas Kisser, Badauí e os rappers do Haikaiss; na nova, veremos Gilberto Gil, Chico Buarque e mais um monte de gente que ele ainda não quer contar. Os clichês e estereótipos do futebol são deixados para trás com a mesma naturalidade com a qual, enquanto jogador, deixava para trás os estereótipos de sua posição – e também laterais e volantes adversários, que não sabiam como acompanhar um lateral esquerdo que, quando deixava a defesa, flutuava em campo, ora como ponta, ora até como centroavante.

No Brasil, ele é apenas Sorin, simples como o nome, nunca se deslumbra com a fama; com a vida e com as palavras, sim. Se fala de futebol com a paixão juvenil de quem escala de cabeça o grande Argentinos Juniors de 1985, seu time do coração, é verdade menos óbvia que o assunto futebol pode demorar um tanto para chegar se por acaso o ex-jogador começar a falar sobre literatura. Os livros entraram em sua vida na infância, tal qual a bola, e desde sempre mantém ambos por perto. Nas estantes, nos aparadores, na mesa de centro, onde há uma superfície plana na sua casa, há um livro. Nenhum decorativo: as marcas de manuseio não deixam dúvidas. As bolas pelos cantos também não são poucas, tampouco são decorativas. “Eu fico pensando, ou falando no telefone, ou planejando coisas, e batendo bola. É um jeito até de me concentrar mais”, explica.

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Créditos

Imagem principal: Pedro Dimitrow

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