por Natacha Cortêz

Eles criaram blocos que dão cara pra folia paulistana. Aqui, contam quais são suas apostas de fantasia

Acadêmicos do Baixo Augusta

Maior bloco de rua da cidade (foram 180 mil foliões em 2016 e 300 mil são esperados neste ano), o Acadêmicos do Baixo Augusta está em seu oitavo ano e foi planejado numa festa de casamento. “Eu e uns amigos, moradores da região, criamos um bloco que representa a festa de quem vive ali”, diz o empresário e colunista da Trip Alê Youssef, 42 anos, presidente do Acadêmicos, que tem 40 integrantes – entre eles a apresentadora Marina Person, 47. Famoso por levar às ruas temas ligados ao dia a dia paulistano, em 2017 trazem Primeiramente, a Cidade é Nossa, “que é pra lembrar que o Carnaval de rua vai além de mandatos de prefeitos, precisa ser livre e pra todo mundo”, diz Alê. Dia 19 de fevereiro, às 14h, no Caixa Belas Artes, na rua da Consolação.

Ciclofaixa: sim! Arrisque uma fantasia de ciclofaixa ambulante com short e camiseta vermelha + fita-crepe branca.

LEIA TAMBÉM: O carnaval de rua de SP está em risco?

Ilú Obá De Min

"O Ilú é criado, pensado e dirigido por mulheres negras”, explica Beth Beli, 48, presidente, regente e diretora artística do bloco que celebra e dá novo significado à mulher negra no Carnaval. Em 2017, o grupo comemora 12 anos de cortejo e leva às ruas do centro antigo de São Paulo um repertório próprio. Conhecido por sua estética que reverencia orixás africanos, suas cores e símbolos, o bloco traz uma bateria só de mulheres (hoje, são 300 ritmistas, que ensaiam o ano todo pra tocar no Carnaval) e um balé de 40 integrantes, com direito a perna de pau e números com fogo. O Ilú faz duas saídas: 24 de fevereiro, na Praça da República, com concentração às 19h; e 26 de fevereiro, na rua Lopes de Oliveira, na Barra Funda, com concentração às 14h.

Abadá africano: Entre na fantasia ancestral que o bloco propõe e vista-se de estampas étnicas. Outra opção é vestir roupas brancas.

Confraria do Pasmado

Nascido de uma roda de samba de amigos da Escola de Comunicações e Artes da USP, a ECA, a Confraria do Pasmado fez seu primeiro desfile em 2006, na Vila Madalena. Em 2014, o bloco arrastou 25 mil pessoas e a multidão começou a se espremer. Em 2015, saiu na av. Faria Lima. Neste ano, o endereço muda mais uma vez. O grupo tem concentração às 9h30 de 19 de fevereiro e às 14h do dia 25, na rua dos Pinheiros, esquina com a av. Rebouças. No repertório: sambas clássicos, marchinhas, hits de axé e até músicas próprias. “Somos um bloco sem fins comerciais. A ideia é fortalecer o Carnaval de São Paulo, resgatando tradição, ao lado de amigos”, diz um dos fundadores, o arquiteto André Procópio, 34 (à dir. na foto, ao lado de Eduardo Piagge, 33).

Trump style: a fantasia do momento é se vestir de presidente dos EUA. Peruca platinada, pó laranja no rosto e terno azul.

Esfarrapado

Aos 83 anos e 69 Carnavais, o comerciante Walter Taverna (na foto, sentado ao lado de Maurizio Bianchi, 54) se lembra com detalhes do dia em que o Bloco Esfarrapado saiu pela rua 13 de Maio, principal via do bairro do Bixiga, pela primeira vez. Era 1947 quando ele e meia dúzia de moleques crescidos ali se organizaram com marchinhas na ponta da língua e fantasias pouco sofisticadas. “A gente saía de chinelo de dedo e roupas maltrapilhas. Por isso o nome Esfarrapado.” O bloco que Walter ajudou a fundar é o mais antigo de São Paulo e atrai todo ano, segundo números da prefeitura, 50 mil pessoas. O Esfarrapado sai às segundas-feiras de Carnaval (27 de fevereiro), com concentração às 10h, entre as ruas Conselheiro Carrão e 13 de Maio.

Donzela: Homem vestido de mulher, segundo Walter, “já é uma marca do Carnaval no Bixiga”.

LEIA TAMBÉM: Carnaval é aqui, mas não só 

Monobloco

Originalmente carioca, o bloco foi fundado em 2001 por cinco músicos, integrantes da banda Pedro Luis e a Parede, e teve seu desfile de estreia na Gávea atraindo uma multidão e tocando de marchinhas e sambas-enredos, de Tim Maia, Rita Lee e Tribalistas até funk carioca. Desde 2016, desfila em São Paulo no domingo pré-Carnaval (19 de fevereiro), com concentração às 11h na frente do Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera. São esperadas 80 mil pessoas seguindo o Monobloco, que tem como marca registrada a bateria forte e bem coreografada. “O Monobloco quer celebrar o Carnaval de rua em suas características mais originais”, conta um dos fundadores Celso Alvim, 50 (à dir. na foto, ao lado de C.A. Ferrari, 48).

Caveira: Conforto e simplicidade são o traje do bloco. Vá de camiseta de crânio

Tarado Ni Você

O bloco é o mais jovem desta lista e desfila desde 2014, sempre aos sábados de Carnaval (em 2017, 25 de fevereiro, com concentração às 11h no cruzamento da av. Ipiranga com a av. São João). A saída do bloco é uma ode a Caetano Veloso e tudo no bloco faz referência ao músico baiano. “Este ano o tema é Tropifagia, uma mistura de Tropicália, que completa 50 anos, com antropofagia. A ideia é comer a Tropicália de Caetano, mastigá-la e devolvê-la pro Carnaval de rua de São Paulo”, explica o social artist Rodrigo Guima, 35, fundador do Tarado junto com os amigos Thiago Borba e Raphaela Barcalla. Segundo a Secretaria de Cultura, 40 mil pessoas seguiram o bloco no ano passado.

Chiquita bacana: Aposte em glitter no corpo – aplicado sobre óleo de coco –, acessórios de acrílico, legging multicolorida e pochete.

Créditos

Foto principal: Trëma

Fotos Trëma. Styling Drica Cruz. Vai lá: 3M 3m.com.br / didas (11) 3587-8520 / Centauro (11) 3823-3717 / Chilli Beans (11) 3063-5575 / Choix (11) 3078-9475 / Exia (15) 3262-5112 / Frou Frou Brechó (11) 2506-8954 / Le Diamond (19) 3038-1906 / Monalisa Acessórios (83) 3226-6405 / Okan okan.com.br / Pierre Cardin (11) 3662-3088 / Porto das Festas e Fantasias (11) 3228-4890 / Qix (11) 3333-3754 / Renner (11) 2165-2800 / Ricardo Almeida (11) 3887-4114 / Sapataria Cometa (11) 3814-1204 / Tanara tanarabrasil.com.br / Tommy Hilfiger (11) 5189-4555 / Vert (11) 3063-2888

matérias relacionadas