por Douglas Vieira

Discaço de Arnaldo Baptista de 1974, relançado em vinil, parece que nunca envelhece

"Não é tecnicamente perfeita [a gravação], foi muito espontânea. Fica claro que se priorizou mais as performances do que o apuro, a perfeição. É muito ele mesmo." O engenheiro de som Ricardo Garcia enxerga no que encontrou na fita da mixagem original de Lóki? aquilo que para todo fã de Arnaldo Baptista sempre foi evidente: o disco lançado em 1974 é a tradução sonora da mente do mais peculiar Mutante.

Faz todo sentido lembrar que Lóki? foi gravado de modo visceral, em takes únicos de cada uma das 10 faixas do vinil, relançado agora dentro da coleção Clássicos em Vinil, da Polysom, com masterização feita por Garcia: "Pegamos a fita original da mixagem do disco e foi muito interessante. Não estava na ordem, a gente teve que montar, mas tinha ainda os comentários do Arnaldo, anotações nas faixas".

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Lóki? é o tipo de disco que nunca envelhece e nunca deixa de ser um dos mais influentes, ainda que esteja longe de ser um dos mais ouvidos. Poderia ter saído agora e ainda seria impressionante. Os sons do ex-Mutante continuaram visíveis em artistas de todas as gerações (e lugares) que se seguiram. É fácil lembrar da história de Kurt Cobain sobre a influência de Arnaldo, ou de Sean Lennon o convidando para o palco no Free Jazz Festival, em 2000, ou ainda sacar isso ouvindo bandas como Boogarins, uma das mais festejadas, aqui e lá fora, da música brasileira de agora. 

O álbum produzido por Marco Mazzola e Roberto Menescal, com arranjos de Rogério Duprat, ainda tinha os outros Mutantes por perto – Rita Lee aparece em Não Estou Nem Aí e Vou Me Afundar na Lingerie –, e Liminha (baixo) e Dinho Leme (bateria) são parte da banda que o gravou

Cê ainda pensa que ele é Lóki? Ele estava era fora do tempo, alguns anos no futuro, e agora volta ao presente em seu formato original.

Créditos

Foto principal: Grace Lagoa/divulgação

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