por Redação

Desenvolveu o conceito de Agricultura Sintrópica e se tornou, com muito suor, uma referência em todo o planeta quando o assunto é a regeneração de solos

Da Suíça à Bahia. Um percurso que naturalmente é carregado de transformações. Ernst Götsch, nascido em 1948 em um dos lugares mais frios do planeta, é um transformador nato. Capaz, inclusive, de mudar sua própria visão ao longo do caminho – a chave para chegar longe.

O que é mais fácil: criar organismos que suportem os maus-tratos aos quais são submetidos no ambiente em que vivem, ou criar condições favoráveis para que determinados organismos possam ser cultivados naturalmente em determinado local? Götch descobriu que a segunda opção é, realmente, a mais viável. Assim desenvolveu o conceito de Agricultura Sintrópica e se tornou, com muito suor, uma referência em todo o planeta quando o assunto é a regeneração de solos.

Do seu país de origem para a Costa Rica. Da Costa Rica para o Brasil, onde em 1984 estabilizou-se em uma fazenda no Sul da Bahía. Uma fazenda de 500 hectares improdutivos decido às práticas de corte de madeira, cultivo da mandioca, criação de suínos e muitas outros trabalhos desenvolvidos anos antes na região. E se na história bíblica o milagre foi transformar água em vinho, a santificação de Ernst veio por transformar terra em água. Podemos explicar: além de tornar o solo propício para o cultivo de diversos vegetais, incluindo cacau e banana; de alimentar sua família com base no que plantava naquele espaço; e de fazer com que a fauna local retornasse ao local naturalmente, Ernst fez com que 14 nascentes de água ressurgissem na fazenda. Transformação? Até o nome da fazenda mudou: foi de “Fazenda Fugidos da Terra Seca” para “Fazenda Olhos d´Água”.

Hoje são 410 hectares reflorestados, dos quais 350 foram transformadores – novamente a palavra, que norteia esse movimento que há nove anos compõe a agenda de eventos da editora, é usada com propriedade – na primeira Reserva Particular de Patrimônio Natural do estado. É a prova de que a inovação e o pioneirismo são, respectivamente, a motivação e a conseqüência do ato de transformar.

E como também não poderia deixar de ser, Ernst Götch não apenas transforma, mas também inspira. É claro que o principal insumo para colocar em prática essas métricas é o mais simples possível: o conhecimento. Por isso, suas técnicas e princípios vêm sendo disseminados e utilizados nas mais diversas regiões e climas. Algo que favorece essa propagação é o Projeto Agenda Götsch, a partir do qual dois jornalistas registram o cotidiano, os conceitos, a implementação e os manejos utilizados na fazenda desta personalidade que há mais de quatro décadas ajuda a salvar o meio ambiente e que devolve aos mais improdutivos solos aquilo que lhe é de direito: a vida.

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