por Alexandre Potascheff

Produtor dos filmes Tropa de Elite fala sobre Curumim, documentário que dirigiu sobre o primeiro brasileiro a ser executado por tráfico de drogas na Indonésia

Sócio de José Padilha, Marcos Prado produziu dois dos principais filmes brasileiros de todos os tempos, Tropa de Elite 1 e 2. Como diretor, fez o premiado documentário Estamira e a ficção Paraísos Artificiais. Agora, ele lança o documentário Curumim, que conta a trágica história de Marco Archer que, em janeiro de 2015, se tornou o primeiro brasileiro a ser executado na Indonésia por tráfico de drogas.

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Trip FM: Eu sei que o Curumim era uma figura muito popular no voo livre no Rio de Janeiro. Você o conhecia da praia ou conheceu depois?

Marcos Prado: Eu conheci o Curumim com 18 anos, ali na Praia do Pepê, no Pepino, na época que estava começando a asa-delta. Ele participava de toda a social, mas ninguém fazia ideia de que já estava fazendo seus movimentos ilegais. Até que ele apresentou para a sociedade carioca o skank, aquela maconha concentrada.

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Qual a origem do Curumim? De onde vem o Marco Archer? Ele era nativo de Manaus, de uma família abastada. O avô dele tinha televisão, rádio, jornal. Ele acabou sendo criado por duas babás no Rio, no Arpoador, na década de 70. E ele escreveu pra mim, em cartas, que sentiu muita falta da mãe na sua infância. Isso e outras coisas que surgiram na minha pesquisa me fizeram perceber que ele tinha uma necessidade de ser amado, de ser cuidado, e eu acredito que ele encontrou isso no tráfico de drogas.

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Como foi filmar um documentário quando seu protagonista estava encarcerado em uma prisão de segurança máxima na Ásia? Além de entrevistar os amigos dele no Rio e em Bali, a gente se falava uma vez por semana por telefone. Até que, com sua personalidade maluca, ele colocou uma câmera pra dentro do presídio. No primeiro momento eu fui contra. Pensava, “Caramba, o cara tá no corredor da morte, vai ser pego com uma câmera escondida fazendo um documentário, vai parar na solitária e vai morrer. E eu vou ser o culpado!”. Mas ele me acalmou, dizendo que, depois de dez anos preso, ele já tinha toda uma relação com os guardas corruptos, que foram eles que tinham conseguido a câmera etc. E outra. Cinema sem imagem vira livro, né?

ESCUTE A ENTREVISTA COMPLETA NO PLAY ABAIXO:

SET LIST:

The Spencer Davis Group -- I'm a Man
Otis Reading -- Hard to Handle
Curumin -- Compacto
Villagers -- Everything I'm is Yours
Edward Sharp and teh Magnetics Zeros -- No Love Like Yours

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