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| Confira os vencedores: |
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IVALDO BERTAZZO
O coreógrafo paulistano
dedica sua arte à reeducação
corporal. Na escola que criou ou
nas apresentações
que dirige, o bailarino redescobre
o corpo na dança e faz gente
comum brilhar nos palcos. O conhecimento
que adquiriu estudando dança
ao redor do mundo ele aplicou na
inovadora Escola do Movimento.
Lá, transforma a vida dos
cidadãos ao ampliar o entendimento
de seus músculos e articulações.
Muito além dos limites dos
palcos, o premiado cuida de corpos
para modificar almas. “A
revista de vocês é uma
gracinha! Esse tipo de premiação
dá um impulso na gente.
Eu me senti muito feliz em fazer
parte disso. E as pessoas que escolheram...
Estou dentro de uma rede importante,
admirável. Isso fortalece
muito, aí você agüenta
mais um ano de trabalho.”
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SIDARTA
O neurocientista que ganhou projeção
no exterior, entrou na memória
e descobriu a importância
dos sonhos para a sobrevivência
humana não perdeu o sono
na noite anterior ao prêmio.
Garantiu que estava tranqüilo
e que torcia para um dos concorrentes. “Eu
estou muito feliz, claro. Acho
importante chamar a atenção
para esses temas. A gente está num
mundo doente, num mundo que tem
tudo para instalar a felicidade
coletiva, mas não instala.
O que a Trip está fazendo é colocar
o dedo na ferida, é dizer
para as pessoas: ‘Olha, o
paraíso está ao alcance
das mãos, nós temos
conhecimento para alcançar
o paraíso para todos, então
por que não fazemos isso?’.” No
palco, Sidarta ainda completou: “Sem
sono não há sonho
e sem sonho não há transformação.
Vamos agir antes que tudo se transforme
em um pesadelo”.
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LUCIANA QUINTÃO
Decidida a virar a mesa, a economista
carioca mudou-se para São
Paulo, criou uma ONG e agora passa
os dias dando destino a toneladas
de alimentos que antes eram jogados
no lixo. O Banco de Alimentos visa
ampliar o acesso de comida de qualidade,
em quantidade suficiente, a um
número cada vez maior de
pessoas. “Seis por cento
de todas as crianças até 6
anos de idade são desnutridas.
Mudar essa realidade é um
trabalho que diz respeito a todos
nós. Muitas pessoas maravilhosas
concorreram ao prêmio e foi
um privilégio estar
ao lado delas. Precisamos começar
a ver a verdade por trás
de tudo, e aprender a dizer não
para o que está errado.
Não só em relação à fome
no país, mas a tudo.”
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PADRE JAIME
Um santo de verdade, o irlandês
veio para a violenta zona sul de
São Paulo há quase
30 anos e foi o motor de um movimento
de revalorização
de uma área carente. Através
da ação coordenada
de instituições sociais,
prefeitura, universidades, voluntários
e da própria comunidade,
ele ajudou a transformar o Jardim Ângela,
que já foi considerado o
lugar mais violento do mundo pela
ONU. Hoje, a região nem
figura mais na lista da organização. “Eu
recebo o prêmio não
somente em meu nome, mas em nome
de todas as pessoas que estão
dando seu tempo, suas vidas nessa
causa pela paz. Eu sou apenas um
símbolo para as pessoas
da região do Jardim Ângela,
São Luiz, Campo Limpo, Capão
Redondo... Porque nada se faz sozinho,
se faz em comunhão.”
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JOÃO JOAQUIM DE MELO O fundador do Banco Palmas encontrou
na economia solidária
uma forma de reverter o quadro
de exclusão social e hoje
oferece dinheiro para quem está fora
do sistema de crédito
tradicional no país. Seu
trabalho permite que pequenas
comunidades possam ser transformadas
e que diversas famílias
saiam da linha da pobreza. “Estou
muito nervoso. Acho que prêmio
valoriza a pessoa. É importante.
Eu estou aqui, sendo fotografado,
filmado, um nordestino de uma
favela de Fortaleza. Isso é bacana. É bom
quando pessoas importantes valorizam
e reconhecem meu trabalho. Não
só porque divulga, mas
porque protege. Ser divulgado
na revista Trip traz credibilidade
e respeitabilidade, cria uma
certa proteção
para a nossa experiência.
E, quanto mais gente vê,
mais gente se motiva. Esse prêmio
vai para a favela do conjunto
Palmeiras, que não esperou
pelo governo para resolver o
seu problema.” |
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DANILO MIRANDA
É possível que o
diretor do Sesc São Paulo
tenha colocado em cena, no âmbito
dos 30 Sesc estaduais, mais cultura
que o Ministério em
todos os governos e tenha transformado
milhares de vidas. “Para
mim, respeito e cidadania vêm
acima de tudo. Eu acredito nas
utopias. Esse é um tipo
de premiação que
provoca reflexão, discussão
e pensamento. O prêmio da
Trip é fantástico
porque trabalha fora dos padrões
estabelecidos. Não vangloria
o melhor disso ou daquilo, mas
tem uma visão com mais riqueza,
diversidade, complexidade. É um
tipo de premiação
que provoca reflexão, discussão
e pensamento. E é por isso
que eu quero compartilhá-lo
com meus concorrentes.”
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FERNANDO MEIRELLES
Mudar
a forma como o mundo vê os
excluídos e como os excluídos
vêem o mundo: para um filho
da burguesia paulistana, realizar
esse feito com apenas quatro filmes é mais
importante que ganhar um Oscar. Seus
filmes acabam por trazer para a linha
de frente da cultura pop mundial
camadas da sociedade que dificilmente
têm voz. E, no Brasil, deu
orgulho a uma comunidade e carreiras
promissoras a jovens atores vindos
da periferia. “Eu acho muito
bacana o prêmio. Primeiro porque
ele tem a ver com felicidade, e os
prêmios geralmente têm
a ver com competição.
Acho que sou uma zebra na minha categoria.
Jamais daria o prêmio para
mim. Tem a Regina Casé, que
está há 15 anos trabalhando
com diversidade, e o Sidney Possuelo,
que é indianista, tem 42 anos
de trabalho e de respeito ao que
tem de mais diverso no Brasil, que
são os índios não
contactados. Eu sou um azarão.
Vim aqui para aplaudi-los.”
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TIA DAG
Educadora há mais de
20 anos, ela resolveu abrir o portão
de casa para ajudar crianças e
jovens de baixa renda a fugir da exclusão
e da morte. Hoje, dirige a Casa do Zezinho,
que ajuda 1,2 mil crianças e jovens
de periferia. Um dos nomes mais
aplaudidos da noite, Tia Dag reafirmou
sua fé na educação
e nas pessoas que dedicam a vida a fazer
o bem. “Quem está no campo
de batalha sabe que neste país
jovem é problema em vez de ser
solução. Temos mais de
50 milhões de analfabetos funcionais.
Esse tipo de atitude só faz com
que mais pessoas percebam que o que acham
impossível é possível
de fazer, basta dar o primeiro passo.
O Brasil não está hoje
numa situação de guerra
por causa
desses transformadores, pessoas que acreditam no impossível.”
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ROBERTO KLABIN
Nascido em uma das famílias
mais tradicionais do país e do
ramo de papéis, ele deixou a celulose
de lado para cuidar da verdadeira raiz
do problema, o desmatamento. Presidente
e fundador da organização
não-governamental SOS Mata Atlântica,
Roberto Klabin é um dos defensores
mais engajados do ecossistema mundial. “Eu
acho que qualquer prêmio que destaque
o lado bom das pessoas, que destaque
a vontade das pessoas de se doar em algo, é importante.
Todos os homens adoram ser reconhecidos,
adoram que suas ações sejam
respeitadas e que essas ações
voltem para a comunidade. Tudo é um
círculo vicioso ou virtuoso. É um
círculo virtuoso o que vocês
estão fazendo aqui. Sem dúvida
nenhuma, estimula as pessoas a continuar.”
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ROMÁRIO
O lendário gênio da pequena área
fez um golaço ao defender portadores
da síndrome de Down. Depois
do nascimento da filha Ivy, ele tem
realizado diversas campanhas Brasil
afora para discutir as dificuldades
e apoiar as famílias que compartilham
da mesma situação. O
baixinho não pôde comparecer
ao Prêmio e foi representado
por Luiz Eduardo de Moraes. “O
Romário me liga e fala: ‘Peixe,
preciso de uma ajuda sua. Não
sei se vou ganhar, só tem fera
lá! Mas se rolar tu dá teu
jeito’.” O amigo atendeu
ao pedido emocionado. Com a voz embargada,
Moraes leu o discurso preparado pelo
vencedor, que ofereceu o prêmio
a sua “princesinha”, Ivy. |
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NIÈDE GUIDON
Pensando na proteção
do nosso patrimônio, Niède
Guidon usa a pré-história
para reescrever o presente e melhorar
o teto que abrigará nossos netos
no futuro. Seu trabalho inclui inúmeras
descobertas sobre a verdadeira formação
de nosso berço esplêndido.
Representada pela amiga de mais de 30
anos e colega de profissão Silvia
Maranca, a premiação da
arqueóloga foi um momento emocionante
e divertido da noite. Silvia leu uma
carta de agradecimento e não deixou
de fazer suas observações
sobre as palavras da premiada. “A
educação no Brasil está desestruturada.
Para termos direitos, temos que cumprir
com nossos deveres. Sou filha de uma
escola pública, que formava cidadãos
com o dinheiro dos impostos. O que estou
fazendo aqui é devolver o que
o país me deu.”
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JORGE GERDAU
Aos 14 anos de idade ele já usava
o tempo das férias escolares para
trabalhar na fábrica de pregos
do pai. Aos 20 participava ativamente
da Federação das Indústrias
do Rio Grande do Sul. Hoje emprega 32
mil funcionários em dez países.
Um legítimo empresário
do Brasil, ele alçou uma pequena
siderúrgica do Sul a superpotência
internacional do aço. É vendedor
da idéia de espalhar práticas
empresariais para o governo, mas recusou
o convite para comandar a pasta do Desenvolvimento
oferecida pelo presidente. Ausente, enviou
o representante Paulo Ramos, que foi
breve no agradecimento. “Pode parecer
brincadeira, mas o Jorge não está aqui
hoje porque está trabalhando.” |
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