Danilo
Miranda, Ivaldo Bertazzo, Fernando Meirelles,
João Joaquim de Melo, Jorge Gerdau,
Luciana Quintão, Niède Guidon,
padre Jaime, Roberto Klabin, Romário,
Sidarta Ribeiro, Tia Dag. Verdade, nem a
ordem alfabética parece ser capaz
de dar alguma lógica a essa lista
de figuras tão diferentes. Em
comum, a insistência de cada um em
fazer o Brasil mudar para melhor. E, desde
a noite do último dia 22 de novembro,
o fato de terem recebido o Prêmio Trip
Transformadores, no auditório do Ibirapuera,
em São Paulo.
A origem do prêmio é, ao mesmo tempo, muito simples e pretensiosa.
Em seus 21 anos (pois é), a Trip cultivou e cultiva a ambição
de observar o mundo com lentes próprias. A revista procura olhar para
aquilo que é ignorado pela mídia vazia e repetidora de bobagens.
Isso atraiu, em 162 edições, uma legião de pessoas que se
identificam com essa maneira de enxergar o mundo – como você,
como os indicados ao prêmio (você vai ler a lista completa nas páginas
desta matéria). O prêmio é uma homenagem a essas pessoas.
O cantor Paulo Miklos e a atriz Taís Araújo fizeram as
honras da casa, apresentando a cerimônia e os 36 finalistas das 12 categorias
do prêmio. Não por acaso, as mesmas que serviram como temas para
as edições da Trip nos últimos dois anos – de trabalho
a sono, passando por acolhimento,
alimentação, biosfera, conexão, corpo, desprendimento, diversidade,
educação, liberdade e teto. Mas, antes que o primeiro troféu
desenhado pelo arquiteto e artista Carlos Motta fosse entregue, a cantora Virgínia
Rodrigues puxou um afro-samba de Baden e Vinicius. Se era de diversidade que
a noite tratava, nada como começar com um samba sincrético. Dali
para frente, foi pouco mais de uma hora e meia de histórias, idéias,
aplausos e agradecimentos. Uns, direto do estômago, como o da economista
carioca Luciana Quintão, criadora da ONG Banco de Alimentos: “milhões
de pessoas poderiam ser alimentadas com a comida que é desperdiçada
neste país”. Outros, no coração.
Como o de Romário, lido por um emocionado Luiz Moraes, que representou
o homem: “Mais um momento de felicidade que minha princesinha me proporcionou”,
escreveu, lembrando de sua filha caçula, Ivy, portadora de síndrome
de Down.
E teve até agradecimento de
quem foi lá para homenagear.
Com a palavra, Paulo Lima, editor
da Trip: “Vendo o porte e a
obra de cada um dos nossos premiados,
tive a
sensação de estar sendo o homenageado [pela presença de
vocês]”, disse. “Mesmo correndo o risco de resvalar na demagogia
e até no lugar-comum, quero frisar que todos os 36 indicados são
pessoas com obras e biografias que representam aquilo pelo que vale a pena lutar.
Crença na vida, crença no mundo, crença no outro.” De
pé e com o auditório iluminado, foi a vez de eles receberem os
aplausos.
Tudo isso pontuado pelos pocket-shows de Paulo Nenflidio, com suas parafernálias
eletrônicas, e do Grupo Experimental de Música tirando som de sucata.
O GEM ainda voltaria para encerrar a noite, com uma canja de Virgínia
Rodrigues já com o fundo do palco aberto para as árvores do parque
do Ibirapuera (Oscar Niemeyer mereceria um Prêmio Trip Transformadores
só pelo projeto desse auditório). Se bem que encerrar a noite é modo
de dizer. A cerimônia virou festa no foyer. E ali, quem via toda aquela
turma reunida no mesmo espaço, trocando idéia – idéia
não se compra não, nem se vende, idéia se troca –,
viu por que a Trip acredita em transformadores. E na transformação.
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