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| Mais que distribuir troféus e dinheiro para
os vencedores, o Prêmio Trip Transformadores
propõe, além de chamar a atenção
para pessoas cujas ações estão
transformando o país, a interação
e troca de idéias dessas pessoas entre si. Dividir
vivências e discutir temas que permeiam o universo
comum desses “agentes da felicidade” não
só enriquecem seu trabalho como os estimulam
a encarar com força renovada os desafios
diários de quem luta contra uma dura realidade
todo santo dia. Por isso, o evento não podia
deixar de abrigar um ciclo de quatro debates divididos
em três temas cada um. O primeiro abordou
Sono, Trabalho e Conexão. O segundo, Alimentação,
Corpo e Biosfera. Já no terceiro discutiram-se
Acolhimento, Teto e Saber. E o quarto, por fim, tratou
de Liberdade, Diversidade e Desprendimento.
A seguir, você confere o que rolou nesses encontros. |
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Sono, Trabalho e Conexão
Quem consegue dormir a noite toda? Quem se lembra de seus sonhos? A dificuldade
que as pessoas têm hoje de dormir bem foi o assunto preferido dos participantes
desse primeiro debate. Com o preparador físico Nuno Cobra, o neurocientista
Sidarta Ribeiro (indicados à categoria Sono) e Léa Chaves representando
o padre Jaime (indicado à categoria Conexão), a conversa chamou
a atenção para a necessidade de uma “educação
do sono”. “Nós somos feitos geneticamente para dormir
ao escurecer e acordar ao amanhecer. Hoje, isso está completamente deturpado”,
alerta Nuno. O pesquisador Sidarta completa com uma observação
sobre a importância dos sonhos e como eles podem nos ajudar: “Os
sonhos têm características reveladoras. Às vezes sonhamos
com resoluções de problemas pessoais ou mesmo da vida cotidiana.
Não porque isso seja um oráculo ou algo assim. Mas porque nosso
cérebro busca resoluções durante o sono e muitas vezes
consegue encontrar caminhos que, acordado, não foi possível”.
Um exercício foi sugerido durante a discussão: anotar os sonhos
diariamente. Com o tempo, será possível perceber a semelhança
e a ligação deles com a realidade do dia-a-dia. |
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Alimentação,
Corpo e Biosfera
Verdadeiro caldeirão da diversidade, o segundo
debate agregou diferentes caminhos com um mesmo objetivo – romper
com uma realidade estagnante. Inconformados com a péssima
qualidade de vida de muitos brasileiros, o chef Alex
Atala e a economista Luciana Quintão (indicados à categoria
Alimentação), junto com a psicóloga
Mara Gabrilli e o coreógrafo Ivaldo Bertazzo
(indicados à categoria Corpo) se reuniram para
contar o que cada um traz como experiência enriquecedora.
Atala ressaltou a importância de valorizar os
ingredientes culinários nativos para a
preservação da biodiversidade brasileira. “A
comida reflete o modo de organização
social, política e econômica de um povo”,
declarou. Luciana complementa contando que “75
milhões de brasileiros ganham menos de R$ 180
mensais. Desses, 22 milhões são indigentes,
não ganham nada. Paradoxalmente, o Brasil é o
quarto maior produtor de alimentos do mundo”.
Ela fundou a ONG Banco de Alimentos, cuja principal
atividade é recolher sobras de comercialização,
alimentos que seriam jogados fora e que eles encaminham
a entidades carentes, onde são processados para
consumo. “Com a colheita urbana, conseguimos
alimentar 21.900 pessoas por dia”, conta ela.
Já Ivaldo, que ensina dança e consciência
corporal a jovens de baixa renda, conta como o corpo
carrega marcas de sofrimento, refletindo emoções
internas: “O desenho do corpo não é só herança
genética, o corpo também é moldado
pelos sentimentos”. E Mara conclui: “Quando
o brasileiro começar a enxergar o outro com
uma consciência social, e não individual,
as transformações realmente começarão
a acontecer”. |
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Acolhimento, Teto e Saber
A educadora Tia Dag (indicada à categoria Educação),
o arquiteto Ciro Pirondi e o psiquiatra Auro Lescher
(indicados à categoria Teto) e ainda Maria do
Rosário, representando a médica Zilda
Arns (indicada à categoria Acolhimento), aproveitaram
o terceiro debate para discutir como a educação
pode ser usada para o resgate da cidadania. Para isso,
Auro lembrou uma das interpretações etimológicas
para a palavra educar, “no sentido de despertar
o prazer gustativo. Ensinar associando o prazer do
chocolate na boca ao momento do aprender”. E,
nesse contexto, o grupo ressaltou como fundamental
a transformação da figura tradicional
do professor opressor em um novo educador, que ajuda
a despertar o conhecimento no aluno de forma lúdica
a agradável.
Liberdade, Diversidade e Desprendimento
A questão indígena ganhou merecida
relevância no quarto e último debate,
que abordou justamente conceitos como liberdade,
diversidade e desprendimento. O cineasta Fernando
Meirelles, a apresentadora de TV Regina Casé e
o sertanista Sidney Possuelo (indicados à categoria
Diversidade) se reuniram com o fundador do Banco
Palmas, João Joaquim de Melo (indicado à categoria
Desprendimento), e Danilo Miranda, diretor do Sesc-SP
(ndicado à categoria Liberdade) para exaltar
a miscigenação racial brasileira, nossa
riqueza cultural e a urgente necessidade de respeitar
mais o povo nativo, os índios. Meirelles está produzindo
um filme sobre os irmãos Villas Bôas
e a criação do Parque Indígena
do Xingu. Aproveitou a presença de Sidney
para ouvi-lo sobre sua divergência com os irmãos
sertanistas, de quem foi discípulo: “Na época
da inauguração do Xingu, em 1961, segui
um caminho diferente do Orlando (Villas Bôas),
pois não podia concordar em retirar um povo
de sua terra de origem”, refere-se Sidney ao
deslocamento de tribos inteiras para dentro das terras
do Xingu, onde eram obrigados a conviver em um mesmo
território com tribos das quais muitas vezes
eram inimigas. Um cenário bastante contrário
aos princípios de liberdade, diversidade e
desprendimento |
| fotos João Vallério e Katia Fanticelli/
Emma Imagem |
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