Trip Transformadores

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Postado em 21.05.2013 | 16:05 |

A campanha do agasalho é um evento tradicional do inverno brasileiro. Mas em 2013, a luta para distribuir roupas de frio para as populações carentes ganha um forte aliado: o Instagram. A rede social que mais cresce no país está se transformando em arma da guerra contra o frio graças à campanha Amor Na Caixa, que usa a rede de compartilhamento de fotos para arrecadar roupas de frio para os menos favorecidos.

A ideia é simples. Você separa uma caixa de qualquer material e fotografa-a vazia. Depois, você compartilha a foto no Instagram com a hashtag #amornacaixa, explicando a campanha para seus seguidores. Depois, é só tornar em meta de arrecadação o número de likes que a sua foto receber na rede social. Então se sua foto consegue 50 likes, sua meta será conseguir angariar 50 peças de roupas para doação.

Todas as fotos marcadas com a hashtag, além de ajudarem a estipular objetivos, poderão ser visualizadas no site do projeto (www.amornacaixa.com). Lá está uma lista de instituições e de locais de arrecadação participantes da campanha do agasalho deste ano, onde as pessoas e empresas que participam da ação do Instagram podem deixar suas caixas preenchidas.

Veja o vídeo da iniciativa no player acima.

Vai láwww.amornacaixa.com

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Postado em 08.04.2013 | 02:05 |
Em fevereiro de 2007, o skatista Oliver Percovich, nascido e criado em Papua-Nova Guiné, chegou à Kabul, capital do Afeganistão, levando consigo seu skate e um desejo forte: usá-lo pra sensibilizar e transformar a população do lugar. Como? Começando pelas crianças e jovens afegãos.

De lá pra cá, criou o Skateistan, um programa educacional independente e apolítico, para garotos e garotas entre 5 e 18 anos, de toda e qualquer etnia e religião. A ideia era através do skate ter contato com esse público e estimulá-lo a novas visões, oportunidades e principalmente a criação de um potencial de mudança nele. Diante das deficiências e dificuldades do lugar, que vão além de uma cultura distante da de Oliver, a intenção primordial do fundador foi alcançar os que vivessem na rua e começar a “contaminação” por eles.

Hoje, seis anos depois de sua implantação, cerca de 400 alunos frequentam semanalmente o Skateistan. Além do esporte que dá nome ao programa, outras atividades são oferecidas. “Eles vêm pelo skate e ficam pela educação. Fazem aulas variadas e workshops sobre arte.” Atualmente, um plano de volta às aulas prepara 40 crianças refugiadas para serem reinseridas à escola pública. Ainda, elas têm a chance de aprender novos esportes. No entanto, o favorito de todos continua sendo o skate, que diz Oliver “constrói confiança, criatividade,  autoestima e rende muita diversão.”

 

Para a surpresa da própria organização, 40% dos matriculados no curso é de meninas

 

50% do público atendido pelo programa é de moradores de rua e, para a surpresa da própria organização, 40% é de meninas. O sucesso entre as garotas - vale destacar que falamos de uma País onde a mulher vive em situação de extrema desigualdade em relação ao homem - fez com que o time dedicasse ainda mais forças a elas e que novos projetos fossem criados espécialmente para elas.

Nos anos de 2008 e 2009, o documentário "Skateistan – Four Wheels and a Board in Kabulm" foi filmado. O longa conta a história da criação do Skateistan e mostra os resultados obtidos pela ONG até então. Em 2011, o programa ganhou força e uma extensão no Cambodia, onde foi aplicado da mesma forma que em Kabul. 

Aqui, um vídeo que mostra meninas afegãs em aulas de skate.

Vai lá: para conhecer mais do programa e ajudar com doações www.skateistan.org

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Postado em 07.04.2013 | 15:05 |

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Na abertura do FestCine, Sr.Ivan Ramos, pai do ator Lázaro Ramos, recebeu o prêmio em homenagem e ficou muito emocionado

Na abertura do FestCine, Sr.Ivan Ramos, pai do ator Lázaro Ramos, recebeu o prêmio em homenagem e ficou muito emocionado

Começou no domingo (7) a quarta edição do Festival Internacional Estudantil de Cinema de Barra do Piraí. Desta vez o festival reúne mais de 30 filmes produzidos por estudantes do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio da rede pública de educação do Brasil e do exterior. O festival foi fundado em 2010 e surgiu de uma parceria entre a prefeitura local e a produtora Mauá Filmes para a capacitação de alunos em temas ligados ao audiovisual.

“Durante o processo, que vai das oficinas até a exibição do curta, passando pelos aspectos técnicos ligados à produção em si, os estudantes ampliam competências importantes para uma postura mais ativa na sociedade, inclusive no que diz respeito ao seu futuro no mercado de trabalho”, defende o Secretário Municipal de Trabalho e Desenvolvimento Econômico de Barra do Piraí, Roberto Monzo.

“Já temos o Núcleo Educacional de Animação 3D e, no segundo semestre, vamos inaugurar o primeiro Centro Vocacional Tecnológico (CVT) com foco no Audiovisual do país", continuou o secretário. "Os resultados práticos que vemos na vida da população e o apoio que temos conquistado, em todos os sentidos, confirmam a importância de apostarmos numa estratégia inovadora de crescimento para o município e região.”

Você pode conhecer mais sobre os filmes participantes no site oficial do Festcine.

Vai lá: IV Festival Internacional Estudantil de Cinema de Barra do Piraí
Quando: de 7 a 13 de abril
Onde: Praça Nilo Peçanha, s/nº - Centro, Barra do Piraí/RJ
Quanto: grátis
Informações: www.festcineestudantil.com.br

 

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IV Festcine Estudantil de Barra do Piraí

IV Festcine Estudantil de Barra do Piraí

 

 

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Postado em 12.03.2013 | 15:05 |

Reprodução/Twitter

A deputada Gesane Marinho e Maurizélia na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte

A deputada Gesane Marinho e Maurizélia na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte

Homenageada do prêmio Trip Transformadores 2011, Maurizélia de Brito Silva recebeu no último dia 8 um prêmio especial das mãos da bancada feminina da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte. A chefe da Reserva Marinha do Atol das Rocas foi homenageada no último dia 8, Dia Internacional da Mulher, e recebeu a honraria do estado pelo seu brilhante trabalho de preservação da reserva há mais de 20 anos.

O prêmio foi oferecido pelas deputadas Gesane Marinho (PSD), Marcia Maia (PSB) e Larissa Rosado (PSB), as únicas três mulheres eleitas entre os 24 deputados estaduais do Rio Grande do Norte. A homenagem já é uma tradição da Assembléia potiguar, que anualmente premia na data mulheres que prestam grandes serviços ao estado e ao povo do Rio Grande do Norte.

Maurizélia Brito atua há 20 anos no Atol das Rocas e dedica sua vida à preservação desse refúgio - o único do tipo no Atlântico Sul. Foi seu trabalho incansável que, depois de quase duas décadas de dedicação total à reserva, conseguiu transformar o Atol em sítio do patrimônio da Humanidade pela Unesco, maior garantia internacional de preservação que uma reserva de vida selvagem pode alcançar.

Você pode conhecer mais sobre o trabalho de Maurizélia no vídeo abaixo e aqui mesmo, no Blog do Trip Transformadores.

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Postado em 04.02.2013 | 15:05 |

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Vista do anfiteatro de Trancoso

Vista do anfiteatro de Trancoso

De 23 de fevereiro a 2 de março, um dos mais famosos paraísos de tranquilidade da Bahia recebe o Festival Música em Trancoso 2013, que inaugura um anfiteatro de concepção inédita no país. Serão oito dias de música com concertos de música erudita, apresentações de jazz, bossa nova e jam sessions, que irão começar sempre ao pôr do sol.

No palco, solistas da Europa e dos EUA se apresentam ao lado da Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, regida por Cláudio Cruz, e da Orquestra Juvenil da Bahia (Neojiba), conduzida pelo maestro Ricardo Castro.

Convidado especial do evento, Cesar Camargo Mariano virá ao País para comandar as noites dedicadas à bossa nova, que terão Leny Andrade como convidada especial. Na banda do mestre do estilo ainda estarão Nailor Proveta (sax), Sizão Machado (baixo), Romero Lubambo (violão) e Thiago Rabello (bateria).

Depois do sucesso da edição do ano passado, com 7 mil espectadores nos oito dias de concertos, e do impacto positivo que o evento trouxe para a comunidade local, o grande astro desse ano é mesmo o novo anfiteatro de Trancoso. São 1.100 lugares integrados à paradisíaca paisagem da região em um auditório que, além de receber eventos vai, também ser a casa de um centro cultural com aulas de música e masterclasses. Assim, o local tem potencial para ser um polo gerador de emprego e negócios nos meses de baixo movimento turístico, contribuindo, por meio de atividades artísticas, para o desenvolvimento sustentável em Trancoso e região de Porto Seguro.

“A comunidade tinha essa expectativa em relação ao festival e iremos corresponder, gerando oportunidades de negócios e trabalho e oferecendo os meios para despertar o interesse pela música entre crianças e jovens da região”, afirmou Sabine Lovatelli, diretora artística do festival e uma das principais idealizadores do projeto. “Um dos principais objetivos do Música em Trancoso é justamente despertar o interesse pela música entre os jovens da região, matéria obrigatória nas escolas, e contribuir para o aprimoramento técnico de estudantes de música de todo o País”.

A programação completa do festival você vê no site do Música em Trancoso.

Vai lá: Festival Música em Trancoso 2013
Quando: de 23/2 a 2/3/13
Onde: Terravista Golf - Estrada Municipal de Trancoso, Km 18 - Porto Seguro, BA
Informações: http://musicaemtrancoso.org.br

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Postado em 12.12.2012 | 01:05 |

Ezyê Moleda, Samuel Esteves, Nelson Mello e Ricardo Toscani

Joás Brandão

Joás Brandão

Joás Brandão, agente de proteção ambiental no Parque Nacional da Chapada Diamantina (BA), escreveu nesta semana um texto de próprio punho pedindo o apoio da sociedade civil brasileira. O manifesto, que foi distribuido para os grandes meios de comunicação do país, avisa sobre a aprovação de uma grande plantação de eucalíptos nos arredores de uma área de preservação ambiental, que pode se tornar um desastre para a fauna e flora da Baixa da Onça.

Neste ano, Joás foi um dos homenageados do prêmio Trip Transformadores, justamente por seu trabalho de proteção na Chapada Diamantina.

Leia abaixo o texto completo do manifesto.

Palmeiras, Novembro de 2012

Está sendo licenciado no município de Palmeiras (Chapada Diamantina/BA) uma plantação de Eucalipto localizado na região da Baixa da Onça/ Tejuco /Esbarrancado. A área encontra-se a poucos metros do Parque Nacional da Chapada Diamantina, em frente à Serra do Sincorá, limítrofe com a mata da Baixa da Onça. A Baixa é um capão de mata preservado que tem características de mata atlântica. É uma importante reserva de água, formando a cabeceira do rio Tejuco, rio que abaste as comunidades do Tejuco, Barriguda, Barra, Santa Bárbara, Sapé, Frio, Ribeirão, Taquari, Cruz, Laranja, Salgada, São Gerônimo, Mangibão, Várzea de Cima e Várzea de Baixo.

Outro aspecto relevante da Baixa da Onça é o seu processo histórico. A mata foi comprada pela comunidade local no começo do século passado (conforme documento original) com o intuito de salvar das mãos de madeireiros de Salvador a mata muito singular, de árvores de grande porte e valor econômico. Para a população, a mata e suas nascentes representavam mais que dinheiro. Para eles, a Baixa da Onça significava água para sua sobrevivência e do gado. Desse modo, o que reconheciam naquele momento era a importância hídrica e social da Baixa para a comunidade. Para muitos populares, aquele terreno historicamente era usado como zona de solta, que são áreas devolutas em que donos de gados criam seus animais livremente.

Atualmente toda a região tem sofrido uma forte ação antrópica e o principal sintoma é a perda do recurso hídrico da região. De modo geral, a população percebe claramente que o volume de águas dos cursos vem diminuindo de modo drástico. Assim, o adiantado processo de desmatamento, o declínio dos índices pluviométricos e os altos índices de grandes incêndios podem ser apontados como causas principais de um processo de desertificação da zona. Seria essa zona propícia ao projeto?

Para a plantação realizar-se, a Fazenda Bergamini, proponente do projeto, suprimirá uma importante área de vegetação em fase de recomposição e de significativa importância para seu entorno. Não acidentalmente, a fazenda propõem a plantação de eucaliptos justo ao lado da Baixa e dessa forma aproveitar seu rico, porém sensível, manancial.

É considerável destacar que a área faz parte da zona de amortecimento do Parque Nacional da Chapada Diamantina, e ficará bloqueada visualmente já que os eucaliptos formariam um espécie de cortina. A partir desse aspecto também se pode afirmar que o turismo seria outro setor afetado pelos eucaliptos. Vale ressaltar que o local faz parte de vários pacotes turísticos na parte oeste do Parque. O principal deles é o Vale do Pati chegando pela localidade de Guiné. A trilha do Pati é considerado internacionalmente como uma das mais belas, comparável a de Santiago de Compostela, na Espanha e Machu Picchu, no Peru. Grande parte dos turistas na Chapada circulam pela estrada Palmeiras/Mucuge e teriam que cruzar o eucaliptal para acessar o Vale do Pati. O local também é rota constante dos que fazem biking e trekking pela Chapada.

Detrás do desenvolvimento comercial do eucalipto estão várias empresas de celulose brasileiras/estrangeiras. Prometem desenvolvimento econômico e emprego. Mas, pelo fato de ser uma atividade altamente mecanizada, gera um taxa reduzida de emprego.

A introdução das plantações de eucaliptos nos entorno das Unidades de Conservação tem gerado grandes impactos e conflitos e é um projeto equivocado de desenvolvimento regional. Essa primeira experiência com eucaliptos no entorno do Parque da Chapada Diamantina pode em pouco tempo não ser apenas um fato isolado, mas um modelo que se multiplica e transformará a região num grande corredor de eucaliptos.

A plantação de eucalipto é uma monocultura que tem objeções científicas sérias. Afeta negativamente as populações locais nas regiões de implantação por conseqüência da falta de água, perda de biodiversidade e contaminação. Por isso, a monocultura de eucalipto é conhecida internacionalmente por “Deserto Verde”.

Desertos Verdes:

* Não podem ser chamados de florestas, nem sua implantação significa que se está reflorestando a região, uma vez que as florestas sempre têm milhares de outras espécies de flora e fauna. Não há animais que consigam sobreviver no eucaliptal, por falta de alimentos e excesso de aridez.
* Por seu rápido crescimento, os eucaliptos usam uma enorme quantidade de água subterrânea muitas vezes baixando ou até mesmo secando os solos e nascentes.
* Segundo Daniela Meirelles Dias de Carvalho, geógrafa e técnica da ONG Fase, mais de 130 córregos já secaram depois que o eucalipto foi introduzido no estado do Espírito Santo. As plantas de eucalipto, após o primeiro ano, precisam de 30 litros de água por dia para crescer gerando desequilíbrio hídrico na região.
* Estudo publicado em 1997 na revista Science afirma que a monocultura de eucalipto reduz em 52% o fluxo fluvial e 13% dos rios secam completamente em um ano. Mesmo após a erradicação da atividade, o retorno pleno da descarga fluvial demora mais de 5 anos.
* Na África do Sul e mesmo na Austrália onde o eucalipto é uma espécie natural, o debate já não é mais se o eucalipto seca ou não. Já consideram há muitos anos que o eucalipto plantado na forma de monocultura ameaça incisivamente o meio ambiente.

Desse modo, o Conselho Municipal de Meio Ambiente e Turismo de Palmeiras manifesta seu repúdio à monocultura de eucaliptos na região proposta e convida a todos a participar dessa discussão.

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Postado em 30.11.2012 | 01:05 |
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Postado em 12.11.2012 | 01:05 |
Como seria estudar em uma escola em cuja parede se lê a frase “Esta é uma zona livre para erros”? Chegar pela manhã e ouvir do professor: “Pessoal, vou tentar algo com vocês hoje que nunca fiz: pode dar certo e pode dar errado.”? Ou, ainda, escolher o que aprender, quando e com quem? Por meio de uma jornada de ensino e aprendizado que revela iniciativas transformadoras pelos cinco continentes e de histórias de quem está participando dessas experiências, o livro Volta ao Mundo em 12 Escolas, a ser lançado no primeiro semestre de 2013, quer inspirar pessoas em busca de novos modelos de educação – sejam elas alunos curiosos, pais inquietos ou educadores empreendedores.

“Pais, professores ou instituições muito conservadoras talvez não percebam que existem outras alternativas, porque vieram percorrendo um caminho secular em que sua receita sempre deu certo: jardim de infância + ensino médio + faculdade + pós-graduação = sucesso. Sera que é assim ainda hoje?”, provoca Eduardo Shimahara, o “Shima”, 40 anos, educador e idealizador do projeto com mais três pessoas. “Nosso livro é como um cardápio: não busca encontrar verdades acerca dos modelos atuais ou passados nem pretende julgar metodologias como 'certas ou erradas'. A ideia é simplesmente mostrar uma diversidade de métodos, lugares e histórias.”

A diversidade, aliás, não só foi um dos focos do livro como também o serviu como base de elaboração: mais de 90 pessoas envolvidas em distintos projetos foram entrevistadas – entre pais, alunos, ex-alunos, professores e responsáveis pelas instituições –, lançando olhares com diferentes perspectivas – além de a escolha das escolas ter privilegiado a busca por iniciativas formais e informais de educação com diversas temáticas, como empreendedorismo, lógica de game, sustentabilidade, entre outras, voltadas aos variados públicos (crianças, jovens e adultos).

“Não dá mais para pensarmos numa educação baseada na monocultura do pensamento, que não dê conta das particularidades, sonhos e paixões de cada indivíduo”, diz André Gravatá, 22 anos, jornalista. “O mais encantador, o que mais motiva, são as histórias que ouvimos durante a jornada. As pessoas compartilham com a gente como elas foram transformadas em seus processos de aprendizagem, e isso é extremamente inspirador, é um conteúdo que pulsa.”

A educadora Carla Mayumi, 42 anos, também faz questão de compartilhar um dos causos vividos. “Na Riverside School, na Índia, a sala da diretora é a mais central e a mais aberta da escola. Ela é cercada por uma parede de vidro e a porta, que também é de vidro, fica escancarada o tempo inteiro. Dá pra ver tudo o que está acontecendo dentro. Um dia estava acontecendo uma reunião com um pessoal que tinha ido apresentar uma nova tecnologia. Estavam lá essas pessoas, a diretora e um menino de 11 anos. Quando os caras terminaram de fazer sua apresentação, a primeira coisa que a diretora fez foi virar para o menino e perguntar: 'O que você achou?'. Ele ficou um pouco tímido, mas começou a falar, com todos os adultos ouvindo atentamente. Simples, né?”

“Para muita gente, escolas pequenas são tidas como experimentais, alternativas ou mesmo nem são tão levadas a sério”, opina Shima, que não acredita que o sistema tradicional de ensino vá desaparecer ou ser suplantado por essas instituições. “Acredito que cada vez mais vai haver diversidade de opções. Sejam elas mais tradicionais ou mais ousadas.”

A primeira questão que vem à tona para pais reticentes e acostumados com o retrógrado método de ensino é, muito provável, a da hierarquia na sala de aula. “No North Star, um centro de aprendizagem nos EUA, a proposta de hierarquia é bem diferente da de uma escola ou sistema de ensino tradicional. Escutei de alunos e professores uma fala muito interessante: 'Aqui os adultos estão do nosso lado, em nosso favor, e não contra a gente'. De fato, a relação entre os professores e alunos é muito amigável e cada um sabe o seu lugar”, diz a psicóloga Camila Piza, 31 anos.

“É uma hierarquia com transparência total, em que a informação flui, as pessoas participam, as conversas e o diálogo acontecem. Não se tem medo da autoridade e se fala de igual para igual, como seres humanos. A hierarquia de funções existe, mas ela é perpassada por um relacionamento humano que não é pautado por ela”, comenta Carla Mayumi.

Das muitas matérias feitas neste blog, a maioria dos entrevistados apontou a educação como principal meio transformador da sociedade. Não obstante, é evidente a existência de uma crise no sistema educacional.

“Quando se fala em crise do sistema educacional eu imediatamente penso em várias possíveis crises. Posso pensar no humilhante salário recebido por professores da rede pública, no baixo investimento em educação que nosso país faz, nos professores que vão para suas classes dizendo que suas aulas são ruins porque os alunos estão cada vez piores e posso, ainda, pensar na gigantesca quantidade de alunos que hoje buscam o ensino superior simplesmente porque com isso acreditam que vão ganhar mais dinheiro ou ser promovidos”, reflete Shima. “Essa, para mim, é uma crise de sonhos, em que seguimos como uma manada por caminhos já trilhados simplesmente porque achamos que aquele é o único caminho possível.”

Os professores, no entanto, também poderiam fazer um pouco mais. Shima cansou de ver acadêmicos saírem extremamente tocados de seminários de inovação em sala de aula nos quais “começam até mesmo a escrever artigos científicos a partir daquilo que viveram, mas chega a segunda-feira e suas aulas são exatamente as mesmas. Falam e escrevem livros a partir de teorias que não aplicam! São Ph.D.s em educação, que citam dez autores diferentes a cada cinco minutos de conversa, mas que têm aulas extremamente quadradas em que chegam e vão vomitando conteúdo sem sequer saber quem são e de onde vêm os alunos que estão ali na sua frente”.

Até que ponto, afinal, essas instituições com ensinos alternativos formam e preparam os alunos para os desafios que o modo de vida capitalista vigente impõe?

“A maior diferença é o pensamento crítico que parece presente em todas as entrevistas com alunos. A capacidade de reflexão e de pensar, de fato, sobre consequências de decisões ou mesmo o funcionamento de questões complexas. Os alunos e alunas parecem acordados. Independentemente de quererem trabalhar numa grande corporação ou mesmo ter seu próprio negócio ou, ainda, se tornar artistas ou se engajar num trabalho voluntário, parece que a decisão é pensada e defendida com argumentos que vão muito além do: 'afinal todo mundo faz, eu também tenho que fazer'.

 
                                                                    ***

O livro faz parte do projeto sem fins lucrativos Educ-ação, e parte do material está sendo divulgado através de artigos no blog do coletivo, que serve também para as pessoas interessadas acompanharem o andamento do projeto. Duas versões serão lançadas: uma online e outra impressa, mais exclusiva. Ambas serão gratuitas e todo o material estará disónível no Creative Commons para qualquer pessoa poder copiar o conteúdo e espalhá-lo pelo mundo.

Vai lá: Volta ao Mundo em 12 Escolas 

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Postado em 07.11.2012 | 01:05 |

 

A manicure da periferia de São Paulo que até pouco tempo precisava pegar condução para trabalhar em Moema hoje trabalha em casa, é autônoma e consome Victoria's Secret. O motoboy que joga futebol na várzea acompanha pela internet as tabelas dos jogos e os times que vão participar do campeonato. Os jovens em busca de emprego cadastram seus currículos em sites e fazem cursos de graduação a distância através das lan houses. A dona do salão de beleza pondera: “Por que ir a um cinema na Av. Paulista se aqui as ONGs se articulam e projetam filmes praticamente gratuitos?.”

Essa nova realidade vivida pela chamada classe C ou nova classe média é apresentada no estudo documental lançado na internet A Vida DoLadodeCá, idealizado pela jornalista Tatiana Ivanovici, 33 anos. Dividido em três partes - "Universo Digital: a Nova Rua da periferia", "Marcas: a Percepção da Periferia" e "Mulheres: Pulso Firme e Unhas feitas" -, mostra, por meio de entrevistas com pessoas consideradas formadoras de opinião da periferia, o papel da internet na comunidade, o entendimento de seus moradores sobre as marcas, suas mudanças de hábitos e consumos e a firmação da figura da mulher nesse novo cenário.

“Os temas são pertinentes com o momento em que vivemos hoje no nosso país: a ascensão econômica e o “empoderamento” das mulheres como chefes de família, consequentemente, aumentaram seu poder de consumo e as tornaram as grandes decisoras no momento de adquirir bens, além de esta ascensão estar ligada, também, a um maior acesso a formação educacional e ao posicionamento no mercado de trabalho”, explica Tatiana.

Moradores de bairros como Brasilândia, Capão Redondo, Freguesia do Ó, Butantã, entre outros, também dão seus depoimentos. “A Internet é a nova rua. Aquilo que você ouvia no campo de futebol, na feira ou no bailinho, agora ouve na internet”, diz o poeta Sérgio Vaz, homenageado no Trip Transformadores de 2010. Quanto às marcas, o grafiteiro Chris comenta: “Eu vejo muita coisa ruim tentando dialogar com a Classe C, coisas que não funcionam mais. A gente não é burro. Então, a comunicação tem que ser inteligente”. Em outro trecho, a escritora Rose Dorea reflete a respeito do papel da mulher: “Eu sempre fui contra aquele ditado que diz 'atrás de todo homem existe uma grande mulher'. Não é atrás, é do lado”. 

O projeto é realizado pela Rede DoLadodeCá, plataforma de comunicação que divulga as ações de educação, cultura e entretenimento que acontecem nas comunidades e desenvolve projetos de comunicação integrada dentro da lógica do “Negócio Social”, projetado para atingir um objetivo social dentro do mercado altamente regulado de hoje.

“Nosso grande diferencial é sermos considerados pelo mercado corporativo como insiders das classes populares, mas com a visão das necessidades das marcas juntamente com 'o olhar de dentro pra fora', tanto no jornalismo quanto no marketing”, diz Tatiana, nascida na periferia. “O resultado disso, na prática, é que a ação de comunicação já vai para o campo 'validada' pela quebrada”.

Com a rede surgiu o conceito do Progresso Compartilhado, termo criado pela jornalista, que significa viabilizar o diálogo entre empresas, poder público e articulações comunitárias, com o objetivo de gerar renda e oportunidade de negócios dentro de uma lógica de capitalismo social, onde todos os envolvidos no processo sejam beneficiados - é o empoderamento intelectual e financeiro das pessoas.

“A gente vê casos de jovens adolescentes de 14, 16 anos, que conseguem gerar renda por meio de perfis compartilhados na internet onde são divulgadas as festinhas que eles organizam e conseguem obter recursos financeiros com bilheteria e venda de produtos. São pessoas que pagam seus próprios estudos e, consequentemente, dão mais valor a isso, frequentam as aulas, não ficam em bares e estão se preparando pra vida de verdade”.

Essa renda, no entanto, ainda pode ser melhor explorada pelas marcas. “Hoje a grande dificuldade do mercado de comunicação e das empresas está em como falar com o povo. Este cenário popular sempre foi negligenciado: os códigos, os signos, as referências estéticas, as tradições e a própria cultura popular. Tudo que era produzido até então tinha como foco as classes A e B, em sua maioria branca, consumidora de culturas e referências internacionais. Não havia um estudo que mostrasse como a chamada Classe C enxerga todo este momento”, opina.

“O objetivo do estudo é dar rosto aos números, porque estamos falando de seres humanos, falando com seres humanos e para seres humano; portanto, o olhar deve ser humano também, pra que seja possível realizar projetos e ações que façam a diferença na a vida das pessoas, tantos das empresas quanto das comunidades”.

Levando em conta que boa parte história foi contada pelas classes dominantes, uma vez que os menos favorecidos estavam ocupados demais ganhando a vida e o sustento, mais relevante ainda se torna o fato de as pessoas ditas “marginalizadas” poderem falar por si mesmas.

“As pessoas vão contando sua história, fortalecendo sua autoestima, sua comunidade, modificando seu dia a dia e colocando em prática projetos incríveis que transformam a vida dos moradores destes locais. Todo este cenário tem identidade, linguagem e valores próprios, e é riquíssimo. Agora, por uma questão econômica [a ascensão social], passam a ter destaque no mainstream. Hoje é 'hype' curtir um sambinha de comunidade, e isso ótimo! Muralhas invisíveis estão sendo derrubadas na nossa sociedade e há uma busca no inconsciente coletivo, cada vez mais presente, por compartilhar vivências”. De dentro para fora, mais uma vez.

Vai lá: DoLadodeCá

Veja o documentário e outros vídeos no Youtube.

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Postado em 01.11.2012 | 01:05 |

É hora de ocupar as ruas da capital mais uma vez no Existe Rio em SP, que acontece amanhã, na Vila Madalena. Com a participação de diversos coletivos, moradores, artistas, comerciantes e intelectuais, vai rolar a Fiesta da Vila, que dá início ao movimento pela construção de um parque linear que acabe com as enchentes no percurso do rio Verde, que corta a região, e preserve o caráter cultural típico do bairro.

O rio, hoje canalizado, percorre um trajeto tortuoso que passa pelo Beco do Grafitti (uma das principais galerias de grafite em área aberta da cidade de São Paulo) e no verão, devido às chuvas, chega a transbordar provocando fortes enchentes que preocupam as pessoas que vivem no seu entorno. Espera-se, também, que o Parque Linear do Rio Verde possa proporcionar uma maior qualidade de vida ao bairro e servir como modelo de recuperação de áreas degradadas por meio de sua transformação em polos culturais.

Além de possibilitar o debate coletivo para repensar os problemas da cidade e ativar o espírito comunitário para achar tais soluções, a festa na rua vai contar, entre tantas ações, com a atuação colaborativa de músicos, workshops de chefs, oficinas de arte, feira gastronômica e mesas redondas sobre o processo de elaboração e implantação do projeto dirigidas por arquitetos, urbanistas, ativistas e autoridades públicas.

Todo o encontro se estenderá por várias ruas do bairro, acompanhando o trajeto do rio Verde: desde a esquina da rua Abegoárias com a rua Medeiros de Albuquerque, passando pela primeira quadra da rua Aspicuelta, pela rua Harmonia, pelo Beco do Batman e pela  faixa de pedestre estendida na rua Inácio Pereira da Rocha até Beco da Praça. 

É chegada a hora de juntar forças e ocupar cada vez mais e melhor a cidade de São Paulo.

Vai lá: Existe Rio em SP

Onde: ao longo da Rua Medeiros de Albuquerque, Vila Madalena, e nas ruas ao redor

Quando: dia 2 de novembro, das 10 às 18 horas 

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