por Natacha Cortêz
Tpm #156

Xênia França é vocalista e única mulher da Aláfia, banda que lança seu segundo álbum e tem na cultura negra sua maior referência

Aláfia é uma megabanda. Não só por seus 12 integrantes (três deles no vocal), mas por sua força nos palcos - carregada de cultura negra, instrumentos potentes e posicionamento político, claro. "A música, além de entretenimento, é comunicação. O papel do artista é se posicionar, protestar. Não dá pra agir como se estivesse tudo bem porque não está. Vivemos tempos estranhos", diz Xênia França, 27 anos, a única mulher da banda.

Nascida em Candeias, município do Recôncavo Baiano, Xênia vive em São Paulo há 11 anos e desde 2011 ocupa um dos vocais do grupo, que lança seu segundo disco, Corpura, este mês. No novo trabalho, ela conta, "apresentamos um álbum mais orquestrado, que traz bem definido o conceito funk- candomblé. Além disso, temos participações de artistas como Tássia Reis, Raphão Alaafin, Vinicius Chagas e Projeto Coisa Fina".

Desde o surgimento há quatro anos, a banda usa referências da cultura negra – que aparecem da estética à sonoridade, passando por letras de protesto – para definir seu conceito artístico. "Essa cultura é o nosso alicerce. A partir dela criamos as canções", conta.

Xênia diz que cantar suas origens é uma maneira de fortalecer sua identidade. "Sou mulher negra, nascida e criada na Bahia, onde aprendi a exaltar a minha negritude e a superar os obstáculos que a sociedade impõe. Foi ouvindo Ilê Ayê e Olodum que entendi que ser negra é maravilhoso, que temos que sentir orgulho e andar de cabeça erguida." (NC)

Vai lá: Corpura, R$ 22,90. A pré-venda começa dia 24/8 e o lançamento oficial, dia 1/9. 

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