por Natacha Cortêz

Coletivo lança campanha na internet por uma maior representatividade pró-LGBT no Legislativo


“Quando Marcelo leva uma pancada por trás porque está de mãos dadas com um menino na rua, eu também sinto doer minhas costas. Quando Letícia é impedida de casar com sua namorada, eu também choro o fracasso da intolerância. Quando Adriana é chamada de Paulo no consultório médico, eu sofro a dor de quem se torna invisível. Porque se mexem com quem a gente ama, mexem com a gente.”

O parágrafo acima é parte de um texto postado no site #VoteLGBT no último dia 10 de setembro e fala por um coletivo de amigos que se organizou para tentar aumentar a representatividade de políticos no Legislativo que defendam os direitos da população LGBT.

A intenção do grupo é não só juntar forças em relação aos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, mas ainda evitar que outras propostas sem noção como o Estatuto da Família (projeto de lei que determina família apenas a união entre um homem e uma mulher) borbulhem pelo Congresso Nacional e ameacem a dignidade dessas pessoas. Como eles pretendem instigar essa mudança? O site lista todos os candidatos ao Legislativo brasileiro, em nível estadual e federal, que explicitem, em material de campanha, propostas que contemplem a diversidade sexual e apoio aos direitos LGBT. As candidaturas podem ser consultadas por estado e por cargo. Além disso, um blog veicula informações sobre a campanha e textos relacionados a ela. "As eleições são o momento em que podemos mudar o cenário", afirma o artista plástico Gui Mohallem, um dos criadores do projeto.

Aqui, Gui explica à Tpm a importância de eleger candidatos que pensem e propunham alternativas pra tudo mundo (mesmo!).

Como e por que surgiu a ideia de criar o site? A ideia surgiu no âmbito da revista Geni, da qual algumas pessoas que coordenam a campanha fazem parte, como uma série de reportagens sobre a inclusão de pautas feministas e LGBT nas discussões internas dos partidos políticos. Com a proximidade das eleições e a crescente presença de fundamentalistas LGBTfóbicos no cenário político, achamos que era necessária uma ação mais direta, visando especificamente o processo eleitoral.

Quem está por trás do projeto? Somos um grupo de amigxs, muitxs dxs quais se conheceram pela revista Geni. O grupo não está ligado a nenhum partido político ou mesmo a nenhuma organização de movimento social, e está aberto a contar com mais colaboradorxs.

O projeto tem data pra acabar? Depois das eleições, ele vai ter alguma continuidade? Nosso foco é exclusivamente o período eleitoral, até 5 de outubro, quando serão eleitxs xs representantes do Legislativo. Após isso não temos nada planejado, mas as informações coletadas durante a campanha serão mantidas no ar, no nosso site.

Qual é a importância de projetos de lei e programas de governo que contemplem a população LGBT?Como qualquer minoria política, a população LGBT é vulnerável a inúmeras violências, de diversos tipos, em seu cotidiano. O Estado tem o papel fundamental de coibir essas violências e garantir uma vida digna e segura para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, assim como a qualquer outrx cidadã e cidadão. No Brasil, no entanto, as instituições políticas raramente representam a diversidade da população do país e costumam contar com pessoas que estão comprometidas com a manutenção de privilégios de uma determinada parcela da sociedade, negando ou ignorando as minorias. As eleições são o momento em que podemos mudar isso.

Por que o site mostra apenas candidatos a deputado federal, estadual e senador? Avaliamos que a mídia e a sociedade, em geral, dão menor atenção às eleições do Legislativo do que as do Executivo. Por isso, essxs candidatxs são menos conhecidxs e tem menor cobertura midiática. Além disso, o Congresso Nacional possui uma maioria de políticos conservadores que deve ser combatida. A eleição de deputadxs e senadorxs pró-LGBT servirá não apenas à população LGBT, mas como oposição a todo o pensamento obscurantista e perigosamente preconceituoso que ameaça tomar conta do Congresso.

Vai lá: www.votelgbt.org

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