por Camila Eiroa

A cantora paulistana acaba de lançar seu terceiro trabalho com o apoio do projeto Natura Musical e conversou com a Tpm sobre a nova fase, mais dançante

Onze novas canções trazem uma Tulipa Ruiz mais enérgica em seu novo trabalho, Dancê. O disco, recém-lançado nas lojas e via streaming na internet, mostra que a cantora não tem medo de explorar as sonoridades que agradam a si mesma. Em um convite para dançar, Tulipa apresenta composições mais descontraídas pra ninguém ficar parado. O grande segredo é se deixar levar pela música, sozinho ou acompanhado.

A produção ficou por conta de seu irmão, Gustavo Ruiz, e o álbum tem a participação do músico João Donato na faixa Tafetá e de Juçara Marçal com a banda Metá Metá em Algo maior. O desenho da capa é de autoria da própria cantora e o projeto gráfico é assinado por Tereza Bettinardi. O trabalho foi gravado nos estúdios da Red Bull Station e tem o apoio do projeto Natura Musical.

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Em uma conversa por telefone, ela contou sobre o universo que faz parte do disco. Leia abaixo.

Dancê é o seu álbum mais dançante, como já denuncia o nome. De onde vem essa influência mais carnavalesca? Na verdade, foi a primeira ideia que eu tive para esse trabalho! Antes de começar a compor eu já sabia que queria um disco que estimulasse primeiro o corpo pra depois as pessoas processarem ele de outras formas. 

Você considera as composições mais simples em relação aos dois discos anteriores? É um trabalho que a melodia ganha maior importância? De maneira alguma. Ele é um trabalho que começa no corpo, mas é uma dança reflexiva. Um disco pra dançar de olho fechado e, assim, processar e se relacionar com as músicas. A ideia é que você sinta o disco em um primeiro momento com o corpo, mas isso não quer dizer que você não deve entrar nele de outras maneiras. 

Você acha que isso vai causar algum impacto entre seus fãs? Estou recebendo muitas mensagens dos meus fãs e todos eles parecem estar aceitando o disco de um jeito muito legal, bem carinhosos.

É um disco para se deixar levar, você diz. Você se deixou levar por ele, pelas melodias e composições? Absolutamente. Quando eu tive a ideia de fazer um disco dançante, todo mundo chegou no estúdio nesse clima. Foi um processo muito pilhado! A gente desfrutou muito dessa situação de fazer um disco que celebrasse o som, isso norteou muito o nosso comportamento durante o feitio das músicas.

O disco foi criado em uma casa sem sinal de telefone ou internet. Você acha que desse jeito as ideias foram melhores aproveitadas? Foi a primeira vez que eu fiz uma imersão tão grande com a banda. A gente nunca tinha viajado pra tocar e fazer só isso, então foi um processo de composição muito intenso e produtivo. 

 

Como foi a participação de João Donato no DancêEu já tinha encontrado com o Donato algumas vezes e também participei do lançamento do disco Quem é quem dele. Todos os encontros que eu tive com ele foram muito especiais e quando meu irmão me mandou essa música, eu vi que a letra tinha muito a ver com o Donato. A música pedia a presença dele, sabe? Ele topou participar logo de cara e foi uma honra.

Qual a sua faixa preferida e por quê? Eu ainda não sei dizer! Varia muito com o meu estado de espírito. Hoje eu gosto muito da faixa com o Metá Metá, Algo maior, que encerra o disco. Pra mim, ela entra em um lugar de paisagem sonora. Sai do universo da canção, pra entrar no gigantesco da paisagem sonora, das músicas que te transportam.

Você toca com o seu pai, Luiz Chagas, e o seu irmão, Gustavo Ruiz, que também produz o disco. Cansa trabalhar em família? Não cansa porque eles fazem música muito antes de mim. Meus discos prediletos me foram apresentados pelo meu pai e eu cresci ouvindo as mesmas músicas que o meu irmão. Nós todos temos um gosto pela música muito parecido, então é natural a gente fazer um som juntos e profissionalmente. Informalmente a gente sempre fez.

Você não tem gravadora. Qual a importância da parceira e apoio do projeto Natura Musical, que vem desde o Tudo Tanto? A Natura viabilizou tudo que eu tinha sonhado pra esse disco. Se não fosse isso, ele teria uma outra cara e não exatamente a que eu queria que tivesse. Eu consegui concretizar todas as minhas ideias graças à essa parceria e esse apoio, foi fundamental. Nós, que não somos de gravadoras, precisamos dessas novas parcerias. São elas que viabilizam esses trabalhos.

Em julho de 2014, você lançou uma coleção de roupas inspiradas em seus desenhos, e também cadernetas com ilustrações suas. Ainda sobre tempo pra desenhar? É, eu tenho a minha marca Brocal e também ilustro mensalmente pro Le Monde Diplomatique Brasil. Sempre desenho. Ou eu estou cantando, ou eu estou desenhando! [Risos]

Recentemente tiveram muitas discussões sobre a sensualização das cantoras no palco, se isso seria objetificação ou empoderamento. Você tem uma posição sobre isso? Eu acho que o palco é um lugar de poder e tudo é linguagem. A partir do momento que o artista está no palco, ele é absolutamente livre pra fazer o que quiser e é responsável pelas dores e delícias do que acontece ali.

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