por Camila Eiroa

Uma robô no seu inbox: bot promete alertar sobre projetos de lei que vão contra os direitos das mulheres e fazer barulho na caixa de entrada de deputados

Nasceu, no dia 28 de agosto, a Betânia. De apelido Beta, a robô feminista tem ganhado espaço no inbox de mulheres por todo o Facebook. Programada para ocupar um sistema de tecnologia dominado por homens, Beta interage diretamente com os usuários do Messenger, pelo chat box. Você manda uma mensagem, segue as instruções e é informada sobre PEC’s que estão transitando. Em apenas 3 dias foram mais de 10 mil compartilhamentos sobre projetos públicos com propostas que retrocedem o direito das mulheres.

O bot foi criado pela ONG Nossas, um laboratório de ativismo político que procura aproximar as pessoas do poder público. O grupo, que surgiu em 2011 com a rede Meu Rio, segue a política do código aberto e busca, pela internet, criar uma rede de contatos para mobilizar e pressionar em massa deputados e outros políticos no momento em que pautas importantes e perigosas estão próximas de serem votadas —  como é o caso do Estatuto do Nascituro, que criminaliza o aborto em qualquer situação, mesmo as já previstas em lei.

Mariana Ribeiro, 31 anos, diretora de projetos da Nossas conta que a ideia surgiu de uma observação da equipe sobre o uso de robôs, principalmente fora do Brasil. “As eleições americanas são um exemplo de quando essa tecnologia foi amplamente usada. Porém, por pessoas com agendas muito conservadoras. Então pensamos: por que não se apropriar dessa tecnologia para avançar em pautas positivas e de proteção aos direitos?”, diz.

Embora seja raro ver o chat do Facebook sendo usado como canal de mídia, a estratégia tem se mostrado eficaz. “Muitas mulheres são feministas, mesmo sem serem militantes. Faltava um canal para informar esse público sobre o que está rolando e, fazendo isso através de uma ferramenta que usamos todos os dias, entregamos esse conteúdo de forma muito efetiva. Falamos com as mulheres onde elas já estão”, defende Mariana.

A diretora também explica que a ideia inicial do robô não era ser feminista, “mas o contexto foi se agravando para nós, mulheres, principalmente com bancadas conservadoras ganhando força”. Ainda está em fase de pré-lançamento, a Beta chega pra ser um canal de alerta e de contato direto com os tomadores de decisão. “É uma possibilidade de fazer barulho. Embora o poder público se sinta muito blindado, eles vão saber que tem gente preocupada com esses assuntos. Precisamos nos fazer presente em um processo que nos ausenta o tempo todo, um processo político”, diz.

Além disso, existe o efeito colateral de mostrar que o mercado de tecnologia está, sim, aberto para mulheres. “É um robô feminista até o último código! Nenhum homem poderia ter programado a beta [risos].” O lançamento oficial deve ser feito no momento em que algum projeto for levado para votação e houver a oportunidade dessa mobilização em massa,  E se você achou que o nome também foi inspirado por Maria Bethânia, experimenta perguntar para ela qual a sua música preferida. ;)

Veja os projetos que estão no radar da Beta:

Vai lá: www.beta.org.br

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