por Flora Paul

Conheça o trabalho do coletivo fotográfico Sincro, formado por 4 mineiras boas de clique

As fotógrafas Luiza Ferraz, Marina Abadjieff, Julia Lego e Barbara Dutra não eram amigas inseparáveis quando resolveram formar o coletivo Sincro, em julho deste ano. “A união surgiu primeiro com o objetivo de montar o blog, pela qualidade e pelo direcionamento do trabalho de cada uma. A amizade de todas surgiu depois. Começar como sócias, para depois nos tornarmos amigas, foi muito mais produtivo e harmônico do que se fosse o inverso”, explica Julia Lego. Mas da ideia de juntar portfolios on-line nasceu um grupo de fotógrafas que não se desgruda mais. “E o blog passou a ser uma vitrine para o nosso trabalho em equipe.”

Todas moram em Belo Horizonte, mas como cada uma tem seus horários próprios, a internet acaba sendo o ponto de encontro. “Sempre achamos um espaço no dia, na semana, para nos encontrarmos em algum café, discutirmos projetos, tratarmos fotos, falarmos sobre inspirações. Mas o nosso escritório acaba sendo mesmo a internet.”

E o "escritório" tem cada vez mais aspirantes a fotógrafo colocando retratos on-line. Julia vê um lado bom e um lado ruim para o fato: “A superpopularização da fotografia de certa forma beneficia quem vive dela, abre portas, mais pessoas se interessam pelo nosso trabalho. Por outro lado há uma banalização, muita gente se acha fotógrafo, vende seu serviço e muitas vezes acaba puxando o valor de mercado pra baixo”. A receita do grupo? Confiar no próprio taco. “Como em qualquer profissão, os não capacitados não sobrevivem por muito tempo e os realmente bons conseguem seu espaço.”

Elas fotografam de casamentos a ensaios de moda, além de se aventurarem em novos experimentos fotográficos – que são postados e devidamente explicados no blog do Sincro: “Escrevemos muito sobre isso, pontuamos cada uma delas enfatizando nossas dificuldades e alegrias”, conta Julia. E foi através dessa busca por novos conceitos que começaram a fotografar juntas. “Pensamos juntas em muitas alternativas, escolhemos uma e fotografamos. O resultado nos surpreendeu e serviu para provar que é possível produzir coisas novas.”

Hoje, Luiza, Marina, Julia e Barbara vivem da fotografia – “Que nos mantém e muito nos ocupa”, resume Julia –, mas sempre tiveram o apoio de suas famílias: “Todas nós tivemos sorte, sempre apoiaram a ideia, mesmo quando não acreditavam muito que dessa atividade sairia uma profissão”. Mas as maiores encanações eram das próprias meninas: vez ou outra batiam medos, dúvidas quanto ao talento próprio, insegurança – nada que o tempo não tenha resolvido. Para os iniciantes, que naturalmente podem duvidar de si mesmos, Julia dá a dica: “Como em qualquer atividade, persistência, prática, estudo, atenção, curiosidade, otimismo e um pouquinho de sorte são sempre válidos, mas talento e sensatez são indispensáveis”.

Mas fica o alerta: quando o hobby vira trabalho, mudanças acontecem. “No início do processo de nos tornarmos fotógrafas andávamos com mais frequência com a câmera na bolsa”, confessa Julia. “Antes pensávamos que isso se dava pela empolgação da nova atividade. Não é só isso. A empolgação não desaparece, continuamos amando o que fazemos e querendo buscar novos olhares sobre o já existente, sobre o óbvio, ou capturar algum momento incomum. Mas, com a atividade crescente, o nosso tempo fica muito curto e caímos no processo inverso. Estamos tão adaptadas a ver o mundo através da câmera que precisamos descansar o olhar e apreciar o cotidiano com um olhar mais ingênuo.”

Vai lá:
estudiosincro.blogspot.com

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